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Dúvidas comuns sobre educação financeira para crianças

No dia 26 de julho, Dia dos Avós, nada melhor que oferecer aos netos o melhor e mais o importante: conhecimento. Por isso, vem saber mais sobre educação financeira para crianças com a Mútua, o TecnoPrev e a BB Previdência.

Educar financeiramente as crianças é fundamental para formar adultos responsáveis no futuro, mas muita gente se pergunta como fazer isso. Realmente, é um desafio que pode parecer complicado, já que demanda diferentes abordagens ao longo da infância e da adolescência.

Pensando nisso, tiramos algumas das dúvidas mais comuns com Leonardo Silva, fundador da Oficina das Finanças, projeto que leva a escolas de todo o Brasil sua própria metodologia de educação financeira para crianças e adolescentes. Confira como foi o papo com ele:

  • Qual deve ser o papel da educação financeira para crianças?

Entendemos a educação financeira como uma construção de habilidades que vão ajudar a tomar melhores decisões financeiras. Normalmente, uma pessoa toma 35 mil decisões em um dia. Muitas delas impactam nossa vida financeira, mas normalmente pensamos nisso somente na hora de gastar. Existe um dinheiro invisível no qual a gente não pensa, como, por exemplo, a água que é utilizada para escovar os dentes. Educação financeira envolve tomar decisões diárias que vão convergir com os nossos objetivos, na harmonia familiar, levando em conta desejos atuais e futuros. É fundamental unir todos esses momentos para tomar melhores decisões financeiras. Não são decisões de consumo, vai muito além do gastar o dinheiro.

  • A partir de que idade é recomendado começar esse processo?

Quando a criança fala “compra pra mim?”, é uma ótima oportunidade para começar a conversar mais diretamente sobre educação financeira. Mas, antes disso, podemos trabalhar comportamentos que serão importantes nesse processo. Por exemplo, esperar uma tarefa para começar outra, arrumar o quarto ou abordar a possibilidade de doar um brinquedo, tudo sem falar em dinheiro. Na alimentação, escolher uma fruta ou outra, para entender que, quando se come uma delas, abre-se mão da outra. Isso ajuda a trabalhar algumas habilidades que serão fundamentais na hora de tomar decisões financeiras, como esperar, organizar, fazer escolhas. Mesmo sem a percepção do dinheiro em si, é possível trabalhar momentos positivos em família. Quando a criança pede para comprar algo, é possível avançar um pouco mais.

  • Como ensinar à criança que educação financeira vai além do gastar?

O poder do pouquinho é maravilhoso. É possível transferir um pouco da responsabilidade para as crianças com pequenas ações dentro de casa, como colaborar em tarefas ou fazer com que entendam esses gastos invisíveis do dia a dia. Mostrar, aos poucos, que isso não serve simplesmente para economizar. É uma educação, muito além do gastar em si. Pequenas ações vão trabalhando esse comportamento que vai perdurar. Assim, vamos construindo pessoas que podem tomar melhores decisões financeiras no futuro.

  • Como dividir esse processo ao longo das diferentes etapas da infância e da adolescência?

À medida que os interesses aumentam, a percepção cognitiva vai mudando. No início, a criança entende que, ao apertar um botão, a luz se acende. Mais à frente, descobre que aquele gesto mede também a quantidade de luz que vai ser consumida. Depois, que uma conta chega e precisa ser paga. Vamos acrescentando etapas a esse aprendizado. O importante é entender que são pequenos atos que fazem a diferença. O ritmo desse aprendizado também depende muito das diferentes realidades, então não lidamos somente com idades. Uma realidade pode naturalmente envolver mais uma criança no dia a dia das atividades de uma casa, então é preciso observar cada caso.

  • De que forma é possível tornar esse aprendizado mais lúdico e leve?

Mergulhando no mundo deles, como, por exemplo, jogos. Independentemente do jogo, a criança vai ter que administrar recursos, tomar decisões. Você pode ouvir o que a criança fala e buscar oportunidades para colocar pílulas que aos pouquinhos vão ensinando. No momento de arrumação do quarto, podemos sugerir doar ou vender algo, explicar como essas coisas funcionam. Se a criança diz “quero isso”, pode sugerir pesquisarem juntos, avaliar a compra de algo usado. Você vai ensinando no momento em que a criança gosta, quando está afim. Outra forma é fazer o teste de escovar os dentes usando só um copo d’água, para ver como a criança lida com a escassez. Podemos até fazer uma analogia com dinheiro, mostrar que, mesmo com pouco, ela vai conseguir escovar, vai dar resultado.

  • O que os pais devem evitar fazer em relação à educação financeira?

Se o seu objetivo for de uma participação colaborativa dentro de casa, sugiro evitar pagar para fazer tarefas. Às vezes, os pais acham que isso motiva, mas usar o dinheiro diante de uma obrigação não ajuda muito no entendimento da responsabilidade de que é preciso colaborar. Outro ponto é conversar sobre educação financeira somente em momentos negativos. É importante tentar ensinar também nos momentos positivos, vendo TV, no jogo, no almoço. Para os maiores, pode mostrar de onde vêm as coisas, ao longo do tempo explicar que há um imposto naquilo, para onde vai etc. Mostrar o impacto na vida de outras pessoas quando, por exemplo, você escolhe comprar em um mercadinho ao invés de um grande supermercado. Para quem paga mesada, quando acaba o dinheiro, evitar fazer empréstimos. Se acabar, acabou. É um importante momento educacional, controlado, em casa. Aproveite esse momento para educar.

  • Para quem deseja dar mesada ou semanada aos filhos, como definir o valor?

Isso varia muito de caso para caso, mas é importante começar com pouco. No frigir dos ovos, ao definir economia, a gente precisa falar sobre administrar a escassez. Tudo se baseia nisso. Pode começar com pouco e deixar a criança perguntar conforme as experiências que tiver. O importante é aprender a manusear o dinheiro. É fundamental também treinar o não gastar tudo. Se ele gasta tudo quando é criança, vai repetir isso quando tiver o primeiro salário, quando receber um aumento. Desde o início, é preciso aprender a já guardar, pensando até em um objetivo, como um brinquedo que estava querendo. Trabalhar foco, meta e sonho. É uma oportunidade que a mesada nos dá.

Gostou do bate-papo com Leonardo Silva? A íntegra dessa conversa está em um dos episódios do podcast Qual é o plano?, produzido pela BB Previdência. Confira abaixo onde ouvir:

https://www.youtube.com/watch?v=GWxhiVMTtCg

 

BB Previdência