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Como anda o legado olímpico do Rio de Janeiro?

Depois de meses de propaganda e declarações oficiais com o discurso do “legado olímpico” para a cidade, o Rio de Janeiro foi escolhido como sede da 31ª Olimpíada de Verão, ocorrida no último mês de agosto. Prometendo a melhoria dos serviços na capital fluminense a partir dos investimentos em infraestrutura para o evento, foram gastos R$ 29,6 bilhões no transporte público e R$ 5,6 bilhões no Parque Olímpico. No entanto, sinais de que o investimento não trouxe as consequências esperadas podem ser vistos por todo o município.

O complexo esportivo localizado na região da Barra da Tijuca, o Parque Olímpico, por exemplo, teve sua administração repassada ao Ministério dos Esportes. Segundo informações da agência de notícias Reuters, a ação foi realizada depois de sucessivas tentativas de negociação com a iniciativa privada. O local, segundo o que foi anunciado, irá compor o projeto Rede Nacional de Treinamento, que busca dar suporte ao atleta e ao esporte do país. O ministro do esporte Leonardo Picciani vê com bons olhos a iniciativa e destaca: “Essa decisão é o caminho mais adequado. Esses equipamentos estão entre os melhores do país e do mundo para a prática de diversas modalidades”, afirma.

Com previsão de reabertura apenas para o primeiro trimestre de 2018, o caso do Parque Olímpico é apenas um dos exemplos de promessas não cumpridas pelas autoridades em relação aos Jogos. Prometendo a realização de eventos por toda a cidade, o projeto apresentado e executado pelo Comitê Olímpico Brasileiro (COB) posicionou as atividades em quatro regiões específicas: Barra da Tijuca, Copacabana, Maracanã e Deodoro.

Como consequência, geógrafos e especialistas denunciaram a chamada “limpeza urbana” ou gentrificação, por toda a cidade. Em um dos estudos acerca do assunto, a antropóloga Mary Douglas, aborda a questão das remoções. “Quando políticos e urbanistas dizem que querem limpar a Região Portuária, eles querem dizer que querem remover essas populações que foram consideradas fora de seus lugares em um ambiente previsto para ser exclusivo da elite”, diz.

O uso da verba de R$ 19 bilhões repassados pelo governo federal ao Executivo estadual também foi alvo de críticas. A quantia foi utilizada quase que exclusivamente para o pagamento de militares e para o funcionamento de parte da Linha 4 do Metrô – que liga Gávea a Barra.

Contradições também são enxergadas em meio a construção do campo de golfe, em Deodoro. Localizada dentro da Reserva de Marapendi, a prefeitura utilizou 58 mil quilômetros quadrados da área. Segundo reportagem da revista Época, “a prefeitura alega que só 3,5% da área de 1,59 milhão de metros quadrados estão sendo usados”.

Fonte: Revista Conecta Crea-RJ

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