Primeiro dia do preparatório para o 8º Fórum Mundial da Água traz casos de sucesso e reflexões sobre a preservação da água

Nesta segunda-feira, 13, no auditório da Faculdade Católica do Tocantins, com uma programação recheada iniciou-se o 7º Encontro Preparatório da Engenharia e Agronomia para o 8º Fórum Mundial da Água, sediado pela capital tocantinense. O Conselho Federal de Engenharia e Agronomia (Confea) juntamente com o Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Tocantins (Crea-TO) e a Mútua de Assistência dos Profissionais do Crea  realizam esse evento de grande importância para a sociedade no sentido da preservação da água.
Compuseram o dispositivo de honra o presidente em exercício do Confea, eng. agrônomo Daniel Salati; o presidente em exercício do Crea-TO, Eng. amb. Rafael Marcolino de Souza; a Secretária Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos, Luzimeire Carreira, que representou o governador do estado, Marcelo de Carvalho Miranda; a professora Danielle Soares, que representou o Diretor Geral da Facto, José Romualdo; o conselheiro federal do Confea, Carlos Batista das Neves; o Secretário Municipal de Desenvolvimento Rural, Roberto Jorge Sahium e opresidente do Crea-AP, Abigail Pantoja.

Também prestigiam o evento outros Conselheiros Federais do Confea, Conselheiros do Crea-TO, presidentes de Creas, acadêmicos das áreas relacionadas e professores e profissionais das áreas afins.

Programação 
Pela manhã, após o credenciamento e distribuição de materiais, iniciaram-se as palestras. A primeira palestra do dia foi Ministrada pelo juiz de direito Dr. Wellington Magalhães, titular da Comarca de Cristalândia-TO, e teve como tema “A  Atuação do poder Judiciário na gestão hídrica”. Ele iniciou com um vídeo institucional sobre o Rio Formoso, que faz uma reflexão sobre a maior concentração de água do Tocantins.

O juiz frisou que o Judiciário está preocupado em construir o diálogo com a sociedade, com o intuito de resolver o problema. O magistrado contou que apenas o conhecimento jurídico é insuficiente, em alguns casos, para encontrar a solução mais viável para determinado problema. “Então torna-se mais interessante debater com os profissionais responsáveis da área, nesses casos, os engenheiros.”

Durante a palestra também foi abordada a necessidade de uma solução a longo prazo, que pudesse apresentar resultados mensurados por etapas. Para Magalhães, o Caminho é unir Universidades, Conselhos, os três poderes e a sociedade como um todo para buscar sempre resolver o problema da melhor forma possível. “O papel do magistrado é buscar o diálogo na construção da solução mais viável dentro de cada área”, assegurou.

O  conselheiro federal Carlos Batista das Neves foi mediador da mesa. Todos os espaços foram abertos a perguntas, com participação de professores, gestores de comitês de bacias, e de outros profissionais que também deram sua contribuição com palestras durante o evento. Após as contribuições, o juiz finalizou lembrando que “temos preocupações com as ações restaurativas, assim como também temos pessoas comprometidas com o desenvolvimento sustentável”.

Ao final de cada momento os palestrantes receberam um certificado assinado pelos presidentes do Confea e Crea-TO.

O segundo momento de discussão foi uma apresentação do case “Projeto de recuperação das bacias hidrográficas na área urbana de Araguaína – TO”, abordado pelo eng. civil Frederico Prado, secretário municipal de planejamento de Araguaína-TO, mediado pelo Conselheiro do Crea-TO Benjamin Frederico. Ele apresentou os problemas que são mais recorrentes ligados à drenagem urbana, mostrou que o funcionamento da água precisa ser pensado. Colocou também que o incentivo à educação ambiental está aliado ao planejamento. “Procuramos explicar nas escolas para crianças que podemos mudar o paradigma da água, para conscientizar desde cedo as pessoas a cuidarem cada vez mais da água”, afirmou.

O presidente da Confaeab, Angelo Petto Neto, se declarou extremamente feliz por participar de fóruns que se preocupam com o destino da água, e parabenizou pela postura de conscientizar sobre melhoramento no uso da mesma. Frederico Prado frisou que o que deve ser feito é encarar os problemas de frente para resolvê-los de forma mais eficaz, com muito trabalho o case apresentado será de sucesso. “Por isso estamos fazendo esse trabalho de formiguinha, discutindo uma cidade melhor para as futuras gerações”, ponderou.

Trabalhos vespertinos

O primeiro momento de discussão se deu com a apresentação do case “Gestão de alto nível da Bacia do Rio Formoso”, pelo eng. civil Fernán Enrique Vergara Figueroa do Instituto de Atenção às Cidades (IAC) da Universidade Federal do Tocantins (UFT). O engenheiro começou mostrando que existe uma rede de cooperação e participação que se dá através da junção de órgãos, comitês e sociedade civil. “A solução é negociável, entre todos os atores envolvidos, todos devem se envolver para que dê certo”, garantiu.

Foram apresentadas as fases do projeto: Diagnóstico da disponibilidade hídrica; diagnóstico de demanda hídrica; monitoramento e automação; regras de operação e controle. Em seguida, o presidente em exercício do Crea-TO mediou os trabalhos na palestra sobre “Hidrometeorologia da Bacia do Rio Tocantins”, ministrada pelo Dr. Augusto José da Universidade de São Paulo (USP). Ele iniciou falando sobre climatologia, considerando os componentes que são responsáveis pelas atividades do sol e da terra.

O palestrante abordou questões como aquecimento global, temperatura na atmosfera, umidade do ar e instabilidade atmosférica. Explicou que para resolver a seca do Nordeste deve-se eliminar a alta pressão do atlântico. Mostrou, ainda, um gráfico que resume o balanço d’água latitudinal. “Nós devemos reorganizar o nosso sistema de meteorologia para produzir um resultado que seja mais favorável para a sociedade”, da mesma forma, deixou como reflexão a frase “a primeira coisa que fizemos na vida foi encher o pulmão de ar, a última coisa que faremos é devolver o ar para o planeta”.

A última palestra da tarde tratou sobre a atuação do Comitê de Bacia na gestão hídrica, comandada por Jair da Costa, presidente do Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio Formoso. Ele destacou que o sistema de irrigação no Tocantins é a subelevação, onde alimenta o lençol freático e a água volta para o rio. Assim a água é usada várias vezes, fechando o ciclo.

Tratou também sobre quebra de paradigmas sobre os usos da água. “Precisamos ter números para conseguir colocar no papel e mediar a tomada de decisões sobre o uso racional da água”, ponderou. Para o acadêmico de agronomia da Universidade Estadual do Tocantins-Unitins, Alexandre Almeida, com a crescente demanda de recursos hídricos “é muito importante saber direcionar o uso das águas para abastecer toda a sociedade de uma forma organizada visando os setores econômicos e sociais”.

 

Fonte: Crea-TO

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