Meteorologista associada à Mútua explica tempo seco

meteoroA intensa massa de ar seco que cobre todo o interior do Brasil tem deixado o tempo quente e com baixa umidade do ar, em boa parte do País. Segundo meteorologistas, mais de 200 cidades apresentaram índices de umidade do ar inferiores ou iguais a 30%, nos últimos dias. Com índice de 10%, as cidades de Ibotirama, na Bahia, e Itumbiara, em Goiás, por exemplo, chegaram a decretar estado de emergência e outras cidades ameaçam o mesmo. Em Brasília, no Distrito Federal, os níveis também beiram os 10%. E o pior: não há nenhum sinal de chuva e a umidade do ar.

A Assessoria de Comunicação da Mútua ouviu Aline Ribeiro, associada à Mútua e meteorologista da Rádio Jovem Pan, para saber o que acontece com o clima. De acordo com ela, o período do inverno tem como característica marcante a baixa umidade, principalmente nas regiões Centro-Oeste, Sudeste e na Região Sul. “O que se vem observando são os períodos de seca muito mais marcantes neste inverno. Em agosto e no início de setembro foram registrados índices bem mais baixos do que normalmente acontece”. A meteorologista conta que, também em São Paulo, a chuva foi bem irregular. “Em junho, houve um recorde no nível das chuvas e, em julho, os níveis foram normais. Já em agosto, o índice fechou abaixo da média do esperado”.

O que vem chamando a atenção neste inverno, comenta Aline, não é só a baixa umidade, mas temperaturas elevadas. “Normalmente, é esperado frio no inverno, mas o que temos observado nos últimos meses é a temperatura em torno dos 30 graus ou até acima disso”. O período de seca acontece no final do outono, durante todo o inverno e a tendência é que na primavera – que também é uma estação de transição, assim como o outono – o clima comece a mudar. Teoricamente, segundo ela, é na primavera que temos uma gradativa melhora no tempo.

“Nessa primavera, que começará no dia 23 de setembro, provavelmente teremos uma temperatura acima da média nas Regiões Sudeste e Cento-Oeste do Brasil e as chuvas devem ficar irregulares, podendo voltar com mais intensidade no mês de outubro”. Ela diz que a tendência com relação à umidade do ar é que continue baixa, devido ao sistema de alta pressão existente no Centro-Sul do País. Uma massa de ar quente e seco, de acordo com a meteorologista, bloqueia as frentes frias e a formação de nuvens carregadas. Assim, a umidade do ar fica baixa, principalmente em Brasília, onde não há influência do mar sobre o clima. “Quem tem problemas respiratórios ou cardíacos sofre bastante nesta época do ano”, conclui Aline.

Aline Ribeiro: "As altas temperaturas neste inverno chamam a atenção''

Aline Ribeiro: “As altas temperaturas neste inverno chamam a atenção”

O calor intenso já chegou aos 32ºC durante este mês em Brasília, onde não chove há mais de 90 dias. Entretanto, vários outros Estados enfrentam a mesma situação: tempo seco, estiagem, muito calor. Em Imperatriz (MA), os termômetros já chegaram a 38°C; em Cuiabá (MT), 41°C. E o pior: no auge do calor, a umidade do ar caiu para 8% esta semana em algumas cidades do Triângulo Mineiro, noroeste de São Paulo e Goiânia. De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), o ideal é 55% a 60% de umidade. Em Barreiras (BA), não chove há mais de quatro meses. Araçuaí e Arinos, em Minas Gerais o quadro é o mesmo. Em Palmas (TO), são mais de três meses de seca.

Como cuidar da saúde com a baixa umidade

Nesses dias muito secos, é necessário consumir bastante água, evitar exercícios físicos nas horas mais quentes do dia, umidificar o ambiente e usar soro fisiológico para hidratar olhos e narinas.

Renato Barra: "É sempre importante hidratar o corpo"

Renato Barra: “É sempre importante hidratar o corpo”

Para amenizar os sintomas causados pela seca os médicos recomendam um cuidado maior com relação aos hábitos diários e o uso de umidificadores e toalhas molhadas. O diretor do IMEB Brasília, o médico Renato Ramos Barra, explica porque o relato dos pacientes é sempre o mesmo com relação aos efeitos do tempo seco. “O clima seco predispõe a uma maior fragilidade do sistema respiratório, por isso são mais frequentes os quadros de tosse, resfriado, congestão nasal e queda do sistema imune-respiratório. O cansaço, a dificuldade em respirar e também o mal estar são causados pelo esforço que o corpo humano tem de fazer para suportar o tempo seco e as altas temperaturas”, explica.

O doutor Renato Barra também dá algumas dicas como, por exemplo, se alimentar de forma leve, evitando frituras e alimentos gordurosos e hidratando o corpo continuamente. “É fundamental o uso de protetor solar e cremes hidratantes na pele. Deve-se, também, evitar atividades físicas entre 10h e 16h e é importante beber bastante água”, adverte. O consumo mínimo indicado é de três litros de água por dia. O uso de umidificador ou toalhas molhadas ajuda a melhorar a umidade do ar.

Fotos: Arquivo Mútua

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