FNE realiza Congresso Nacional, com apoio da Mútua

Mesa de abertura do X Conse. Da esquerda para a direita: Paulo Guimarães, presidente da Mutua; Joel Krüger, presidente do Confea; João Carlos Meireles, secretário licenciado de Energia e Mineração do Estado de São Paulo; vereador Police Neto (PSD); deputado federal Ronaldo Lessa (PDT); Murilo Pinheiro, presidente da FNE; Clodoaldo Pelissioni, secretário de Transportes Metropolitanos do Estado de São Paulo; vereador Eliseu Gabriel (PSB); vereador Gilberto Natalini (PV); e Fernando Jardim Mentone, do Sinaenco-SP

Tendo como tema principal a retomada do desenvolvimento e a defesa dos engenheiros, a Federação Nacional dos Engenheiros (FNE) abriu na manhã de hoje (13), em São Paulo, o X Congresso Nacional dos Engenheiros (Conse), que reúne representantes dos 18 sindicatos filiados à entidade. Realizada às vésperas das eleições 2018 e em um cenário de crise política e econômica, a atividade tem o objetivo de debater a situação do país e as propostas da Engenharia para a volta do desenvolvimento sustentável, com distribuição de renda, preservação ambiental, valorização do trabalho e, sobretudo, fortalecimento da democracia.

O Conse ocorre a cada três anos para eleger uma nova Diretoria da Federação, bem como as bases que serão defendidas pela categoria enquanto política de valorização da Engenharia, do trabalho e do país como um todo. Para isso, diversos debates sobre a conjuntura política, econômica e social ocorrerem antes da plenária final do Congresso. Entre os temas em debate, estão a necessidade de política econômica que favoreça a volta do crescimento, os investimentos necessários ao país, os setores de petróleo e energia elétrica e o agronegócio. Também na pauta os desafios do movimento sindical. “O Congresso da nossa Federação, mais que cumprir a nossa agenda estatutária, será um esforço de contribuir para que o país encontre saídas para enfrentar a crise. Reunimos profissionais de todo o Brasil e especialistas das áreas que consideramos cruciais para realizar um debate de alto nível e propor caminhos a partir dele”, afirma o presidente da FNE, engenheiro eletricista Murilo Pinheiro.

Em sua fala de saudação, Pinheiro lembrou do momento atual que o Brasil passa e pediu calma, força e união da engenharia. “Nós entendemos que somente com a engenharia unida vamos conseguir um Brasil mais forte”. Destacando o crescimento dos sindicatos devido a anos de trabalho e dedicação, o presidente encorajou os presentes a buscarem as saídas para a crise e lembrou do esforço iniciado em 2006 para a construção das propostas do Cresce Brasil, que chega este ano a mais uma edição com novas ideias aos candidatos e futuros governantes.

 

Pinheiro: “Atual processo eleitoral é um momento estratégico para reconstruir as bases da categoria, duramente atingida não só com a crise econômica mas também política. “Todos nós temos participação política em um processo democrático… Devemos estabelecer um pacto na política: votar e cobrar depois de eleitos. Precisamos discutir a corrupção, em como punir os corruptos e não as empresas”

 

 

O presidente da Mútua, engenheiro civil Paulo Roberto de Queiroz Guimarães, integrando a mesa de abertura, destacou a necessidade de se resgatar a defesa da soberania nacional. “A Mútua, o Confea, os Creas, a FNE, a Fisenge [Federação Interestadual de Sindicatos de Engenheiros], os sindicatos… devemos somar todos nesta direção para a Engenharia passar a ser novamente a liderança nas tomadas de decisão do país”, defendeu. Ele lembrou o papel da Mútua na assistência aos profissionais quanto ao apoio a projetos de sustentabilidade e de qualidade de vida dos associados, entre muitos outros.

 

 

Paulo Guimarães: “Estamos desenvolvendo um programa de bolsa de estudo para alunos carentes de Engenharia e para filhos de associados da Mútua. Temos, também, um programa de financiamento na área de Engenharia limpa com custo de 0,3% ao mês para que os profissionais possam se adequar aos projetos de sustentabilidade”, enfatizou

 

Reconhecendo a relevância da pauta de debates, o presidente do Conselho Federal de Engenharia e Agronomia (Confea), engenheiro civil Joel Krüger, parabenizou a iniciativa da FNE. “É um tema fantástico para ser discutido neste congresso: a questão do desenvolvimento nacional, a questão da recuperação da nossa economia e da nossa atividade produtiva”, comentou, lembrando que essa mesma linha de discussão foi proposta pelo Confea e o Conselho Regional de Engenharia e Agronomia de Alagoas (Crea-AL) aos mais de 3 mil participantes da 75ª Semana Oficial da Engenharia e da Agronomia (Soea), que teve como tema “Engenharia e ética na reconstrução do Brasil”, em agosto passado.

 

Krüger: “Se queremos efetivamente estar na vanguarda do desenvolvimento nacional e recuperar o Brasil, precisamos que a Engenharia esteja à frente das principais ações. Sabemos planejar, projetar e executar. Mas temos que estar no comando. Temos que aprender a superar as nossas diferenças e divergências e focar no que é maior: o interesse da soberania e o desenvolvimento nacional”

 

 

Pronunciamentos

Ana Adalgisa Dias Paulino, presidente do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Rio Grande do Norte (Crea-RN), lembrou a importância de haver mais mulheres na Engenharia e na política. Se dirigindo ao presidente da FNE, destacou: “Estamos sendo acusados de tudo que é mau feito. Diante disso, algo que aprendi com você, temos que nos unir ainda mais porque a engenharia unida é muito mais forte. Pelo desenvolvimento do Brasil e para proteger a nossa engenharia e nossa inteligência. Vamos colocar o País no rumo que ele deveria estar. A engenharia tem que ser protagonista”.

O vice-presidente da Federação Interestadual de Sindicatos de Engenheiros (Fisenge), Ubiratan Félix Pereira da Silva, falou do papel importante da engenharia para a a administração pública e da FNE, uma vez que é a maior entidade nacional da categoria. Para isso, lembrou de quando um engenheiro ganhava mais que um juiz. “Quando morava no interior da Bahia, o maior salário era do engenheiro e o segundo era do topógrafo. O juiz morava numa pensão e recebia marmita da prefeitura. Quem ganhava mais eram os profissionais da engenharia. Mudamos essa situação. Hoje, ao invés de incentivar quem produz, quem pensa, quem desenvolve, incentivamos quem discuti o conflito. E o conflito não resolve. O que resolve é o desenvolvimento”, exclamou.

Harki Tanaka, diretor do Centro de Engenharia, Modelagem e Ciências Sociais Aplicadas da Universidade Federal do ABC (UFABC), representando Dássio Matheus, reitor da universidade, externou a preocupação com a inserção dos futuros engenheiros no mercado de trabalho: “A grande incerteza é como responder a pergunta dos alunos: Vou ter emprego, vou ter bom salário? Essa é uma angústia que estamos vivendo em sala de aula”.

Ricardo Patah, presidente da União Geral dos Trabalhadores (UGT), destacou a necessidade de fortalecer as entidades sindicais para atuarem em defesa do trabalhadores. “Estamos com 14 milhões de desempregados. E certamente um congresso com essa dimensão e qualidade sinaliza caminhos, constrói pontes e possibilidades. É essa a ponta que queremos construir com trabalho e inclusão social”, disse.

O deputado federal, Ronaldo Lessa (PDT), integrante da Frente Parlamentar Mista da Engenharia (da Câmara Federal e Senado), enfatizou a importância em não só fazer obras, mas decidir quais obras são mais importantes a serem feitas. “O que precisamos é a valorização e o reconhecimento da engenharia, mas isso não vai acontecer se ficarmos alheios aos processos”, alertou Lessa. O deputado indagou a plateia “qual o projeto de Brasil que queremos”, lembrando que enquanto a classe média briga, “os ricos brincam com metade do orçamento”. “Metade do PIB [Produto Interno Bruto] fica para pagar os juros dessa divida, fica com os ricos correntistas. Essa é a grande corrupção do País: o sistema financeiro. Os países ricos como Estados Unidos, França e Inglaterra cobram muito mais impostos dos ricos, do que o Brasil, que tem um sistema tributário perverso, que protege o rico e penaliza a classe média e os trabalhadores”.

 

Programação

A programação desta quinta-feira incluiu painéis com os temas: Engenharia e desenvolvimento; Política econômica para o desenvolvimento; Investir e retomar as obras necessárias ao País; Petróleo, Petrobrás e a indústria do setor; Eletrobrás e setor elétrico; e Agricultura: geração de riqueza, segurança alimentar, saúde e preservação ambiental. Na sexta-feira (14), a programação é a seguinte:

9h00 – Painel II – Desafios do movimento sindical: resistir e defender os trabalhadores
As pedras no caminho: panorama das dificuldades a serem enfrentadas.
Antonio Augusto de Queiroz – Diretor do Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap)
Ivani Contini Bramante – Desembargadora do Tribunal Regional do Trabalho (TRT) da 2ª Região.
O caminho das pedras: alternativas para fortalecer as entidades
João Guilherme Vargas Netto – Analista político e sindical
11h00 – Eleição FNE
14h30 – Plenária final
18h00 – Encerramento

 

Fonte: FNE e Confea

Fotos: FNE

Compartilhe essa postagem:

Deixe seu comentário

Seu endereço de e-mail não será publicado.

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.