Feira Reatech reúne projetos e tecnologias para inclusão e acessibilidade

Lais Souza e sua mãe, Odete (segunda a partir da direita), com as equipes da Mútua e do Hands Free no estande da Reatech

Novidades da área, equipamentos, tratamentos, iniciativas e projetos do terceiro setor foram apresentados durante os quatro dias de 15ª Reatech – Feira Internacional de Tecnologias em Reabilitação, Inclusão e Acessibilidade, realizada em São Paulo (SP) nos dias 1º a 4 de junho. Além de ser um segmento com forte atuação dos profissionais da área tecnológica, que desenvolvem tecnologias inclusivas e para acessibilidade das pessoas com deficiência, também existem muitos profissionais do Sistema Confea/Crea e Mútua PCDs, além de familiares desses profissionais na mesma condição.

De acordo com o Censo IBGE 2000, o Brasil tem 24,5 milhões de pessoas com deficiência, o que equivale a 14,5% da população do país. Dessas, 48,1% foram declaradas deficientes visuais, 22,9% com deficiência motora, 16,7% com deficiência auditiva, 8,3% com deficiência mental e 4,1% com deficiência física. Atenta a esse panorama, a Mútua iniciou, no final do ano passado, estudos para a criação do Programa de Inclusão Mútua (PIM), pensando em oferecer aos associados da Caixa de Assistência e seus dependentes produtos e serviços voltados ao público PCD.

Luiz Eduardo, eng. civil (camiseta listrada), levou seu pai Antônio Luiz  ao estande da Mútua na Feira

Com o objetivo de captar referências e parceiros para o projeto, a Mútua participou da Reatech, e seu estande contou com a presença do Instituto Hands Free de Tecnologias Assistivas que desenvolve mecanismos de automação residencial e para uso de computadores, celulares e tablets por tetraplégicos, paraplégicos, pessoas com paralisia cerebral e amputações.

Felipe Quatero é portador de Distrofia Muscular de Duchenne. Ele é filho do eng. mec. Clineo Quatero e, durante sua passagem pela Reatech, presenteou o diretor da Mútua e a equipe do Hands Free com exemplares do seu livro “Valiosa Vida”

Além de inscrever novos associados e prestar informações sobre os benefícios oferecidos pela Mútua, o atendimento no local também compreendeu demonstrações dos dispositivos de inclusão do Hands Free. Engenheiros, arquitetos e dependentes desses profissionais, além do público geral da Feira – todos com deficiência – puderam conhecer de perto a tecnologia que oferece autonomia e inclusão.

Matheus utilizando a tecnologia desenvolvida pelo Hands Free

Matheus Sabadin Bueno, arquiteto e urbanista, esteve no estande da Mútua a convite do Hands Free para mostrar a utilização da tecnologia disponibilizada pelo Instituto. “Conheci a tecnologia do Hands Free aqui na Feira. Fiquei bastante entusiasmado com a tecnologia, que é muito prática e de fácil adaptação. Ela vai trazer bastante comodidade e praticidade no uso do mouse do computador, agregando agilidade e eficiência. Nas minhas atividades profissionais com certeza vou ganhar rendimento, como no uso do Autocad, por exemplo”, afirmou ele que teve seu nome indicado pela Comissão Permanente de Acessibilidade de São Paulo.

Uma grande honra para a Mútua foi receber, em seu estande na Reatech, o secretário de direitos da pessoa com deficiência Marco Pellegrini, a ex-atleta olímpica Laís Souza, e a secretária adjunta da pessoa com deficiência da Secretária Municipal de São Paulo, Marinalva Cruz. “As informações aqui reunidas e a possibilidade de ver e de experimentar as tecnologias levam as pessoas a encontrarem caminhos para estarem no seio da sociedade, exercendo suas cidadanias. Tenho várias experiências com esse tipo de tecnologia e percebi a solução que o Hands Free desenvolveu, como uma das melhores para possibilitar uso do computador, que hoje em dia é a porta de saída para tudo, como usar um banco, se comunicar e acionar dispositivos. Tudo isso traz autonomia”, lembrou Pellegrini.

Pellegrini com o diretor da Mútua, Marcelo Morais, e Sérgio Maymone e Pedro Guimarães do Instituto Hands Free

Falando sobre a presença da Mútua e do Instituto na Reatech, Marinalva Cruz reiterou que é extremamente importante os esforços de todos. “São as instituições que a há muitos anos vêm atendendo e dando atenção ao cidadão com deficiência, seja ela qual for, principalmente quando ninguém queria, até mesmo as famílias. Outra questão importante é que política pública não se constrói somente com o Governo. Parcerias com instituições e a sociedade civil com certeza é o que vai fazer nosso país melhor para todas as pessoas, não somente para quem tem deficiência. Isso é importante para que cada vez mais tenhamos espaços que levem informações. A tecnologia tem contribuído bastante para esse processo de inclusão. Momentos como esses (Reatech) e a participação de todos fazem a diferença na vida do cidadão com deficiência”, acredita a secretária adjunta.

A secretária adjunta Marinalva Cruz (segunda a partir da esquerda) no estande da Mútua

Empreendedorismo e inclusão

Dois exemplos de trabalho voltados à inclusão e fomento dessa área, entre os tantos que a Reatech agregou, foram conhecidos pela Mútua durante o evento. O engenheiro mecânico Júlio Oliveto e seu irmão gêmeo Lúcio Oliveto criaram a empresa Livre – Soluções em Mobilidade Oliveto, e desenvolveram o kit livre, equipamento que é capaz de transformar qualquer cadeira de rodas em Triciclo Motorizado Elétrico. O objetivo da proposta é melhorar a qualidade de vida das pessoas que utilizam cadeira de rodas em nosso país através de equipamentos que auxiliem na mobilidade e proporcione maior autonomia e liberdade.

“Buscamos mudar a forma como o mundo enxerga uma pessoa sobre uma cadeira de rodas, deixar de lado o conceito de que uma pessoa cadeirante é dependente de outras pessoas, transformar essa imagem estática proporcionando movimento a ela. Trazer maior liberdade e autoconfiança para que essas pessoas sejam vistas de maneira diferente”, definem os criadores do Kit Livre a missão do projeto.

Já a associada da Mútua, arq. Marilice Costa, lançou o site de busca gratuito cuidaqui.com, para que “pessoas que cuidam de alguém” encontrem o que necessitam: lugares de cuidados e moradias, transporte e cão guia, atendimentos com pets, lazer, profissionais especializados, hotéis inclusivos, guia de produtos e serviços, terapeutas de várias áreas e tudo que necessita para cuidar de alguém, em qualquer faixa etária e em muitas condições singulares que necessitam de soluções de inclusão. “Fiquei muito contente ao chegar aqui na Reatech e me deparar com estande da Mútua, me senti em casa. A Mútua já me auxiliou em um momento que precisei, e ver que a Instituição agora tem essa nova visão social é algo valioso. Todos temos responsabilidade com o social, inclusive com aquela pessoa que cuida de quem precisa de cuidados”, destacou.

Parcerias

Presente ao evento, o diretor de Tecnologia da Mútua, eng. civil Marcelo Morais, visitou diversos estandes da Feira para apresentar a Mútua e o Sistema Confea/Crea a fim de se estabelecer parcerias para incremento no projeto do PIM. “Uma visão assistencial não pode deixar de fora a inclusão das pessoas com deficiência, além disso, muitos associados da Mútua e profissionais do Sistema têm essa característica. Ao estabelecermos um programa voltado a esse público, estaremos, mais uma vez, cumprindo o papel da Mútua de apoio social”, destacou Morais.

Diversas empresas e instituições de vários segmentos participaram da Reatech, como montadoras de automóveis com carros adaptados, fabricantes de cadeiras de rodas, institutos sociais de empresas, entre outros.

Fonte e fotos: Gecom/Mútua

Tem um Comentário a “Feira Reatech reúne projetos e tecnologias para inclusão e acessibilidade”

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  1. Pedro Guimarães disse: 14 de junho de 2017 at 10:20

    Como parte do time Handsfree, me senti muito orgulhoso de fazer parte dessa iniciativa da Mútua, sentimento que, com certeza, é compartilhado pelos meus demais colegas. Não encontrei na Reatech nenhuma entidade semelhante à Mútua com projeto similar. Parabéns a todos que fizeram esse projeto acontecer.

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