Evento preparatório para conferência internacional discute matriz energética

Terminou nesta manhã, em seu segundo dia, o evento preparatório para a Conferência Internacional Água e Energia – Novas Soluções Sustentáveis, a ser realizada entre os dias 27 e 29 de julho, em Brasília (DF). Acadêmicos, profissionais de campo e lideranças do Sistema Confea/Crea e Mútua debateram energia. No início de maio, o tema central foi água.

Diretor de Tecnologia da Mútua, Marcelo Morais (primeiro à esquerda), representou a Instituição no evento, que tem apoio da Mútua. Também à mesa, na sequência, a presidente do Crea-AC, Carminda Pinheiro; conselheiro federal Alessandro José Macedo Machado; presidente do Confea, José Tadeu da Silva; vice-presidente do Confea, Antonio Carlos Albério; diretor da União Pan-Americana de Associações de Engenheiros (Upadi), Edemar de Sousa Amorim; e presidente da Federação Mundial de Engenheiros (Fmoi), Jorge Spitalnik

Diretor de Tecnologia da Mútua, Marcelo Morais (primeiro à esquerda), representou a Instituição no evento, que tem apoio da Mútua. Também à mesa, na sequência, a presidente do Crea-AC, Carminda Pinheiro; conselheiro federal Alessandro José Macedo Machado; presidente do Confea, José Tadeu da Silva; vice-presidente do Confea, Antonio Carlos Albério; diretor da União Pan-Americana de Associações de Engenheiros (Upadi), Edemar de Sousa Amorim; e presidente da Federação Mundial de Engenheiros (Fmoi), Jorge Spitalnik

Durante a abertura do evento, ontem (4), o presidente do Confea, eng. civ. José Tadeu da Silva, explanou sobre a importância do evento, no sentido de alinhar os debates que integrarão a conferência do final do mês. “É uma oportunidade de conhecermos soluções de outros países. A sociedade só dá importância à energia quando acaba a bateria do celular ou computador e não há tomada próxima”, brincou. Para ele, é importante discutir as políticas públicas na área. “A atual crise por que o Brasil passa só tem uma solução:  Engenharia e Agronomia. São as profissões que podem proporcionar soluções ao país, não há outro caminho”. Tadeu da Silva ressaltou que, no âmbito da Federação Mundial de Organizações de Engenheiros (Fmoi), o Brasil participa de um circuito de 115 países, que evolve as nações que têm as grandes soluções na área.

Potência energética do Brasil

Primeiro palestrante de segunda-feira, engenheiro civil e especialista em políticas públicas Cristiano Trein apresentou dados sobre a matriz energética brasileira, como os 145 mil megawatts de potência que o país tem instalados – em diversas fontes, mas com prioridade em renováveis. “O setor energético brasileiro é o mais importante da América Latina”, afirmou, acrescentando que o Brasil tem 130 mil km de linhas de transmissão que o conectam de Norte a Sul.

Cristiano Trein

Cristiano Trein

“Nosso objetivo é dar suporte ao crescimento do país – tanto social como econômico – isso é importante no Brasil devido a nossas dimensões continentais”, comentou. “Temos complementaridade de climas entre as diferentes regiões do Brasil e até mesmo dentro da mesma região”, disse, explicando que esse é um fator que ajuda na potencialização da geração de energia. Trein desmitificou, ainda, o preconceito sobre termelétricas. “Quando se fala em energia térmica, vê-se uma vilã. Mas ela tem extrema importância para a segurança do sistema. Nós dependemos 30% de termeletricidade. Mas a biomassa, como matéria-prima para a termelétrica, chega a ser maior do que petróleo e carvão somados”, informou, antes de apresentar políticas públicas desenvolvidas na área.

Matriz energética

Detalhes sobre a matriz energética brasileria foram apresentados pelo pesquisador do Programa de Agroenergia da Embrapa José Dilcio Rocha, engenheiro químico e especialista em planejamento de sistemas energéticos. Segundo ele, a matriz do Brasil é extremamente renovável de uma forma que “nenhum país conseguiu”. Na ocasião, Rocha mostrou um infográfico sobre a interação entre água, energia e alimento. “É um tripé relacionado com sustentabilidade, que devemos estudar para saber como produzir mais e melhor, como conservar água”.

José Dilcio Rocha

José Dilcio Rocha

Segundo os dados apresentados por Rocha, 40% da energia produzida no país vem de fontes renováveis, como biomassa e eólica. “Nos outros países esse número varia entre 13 a 15%. Nos países desenvolvidos, não chega a 10%”. Em sua apresentação, Rocha mostrou um gráfico dos investimentos que os países fazem em fontes renováveis de energia. Os países que mais investem em energia solar e eólica são a China e o Japão. “O Japão é um grande investidor, e passou a investir mais ainda após o acidente de Fukushima”.

Energia solar fotovoltaica

Ao falar sobre energia solar fotovoltaica, o engenheiro eletricista e professor do Instituto Federal do Rio Grande do Norte (IFRN) Augusto Cesar Fialho apresentou as vantagens de se usar essa fonte de energia no país. “Se todo o potencial de geração de energia solar nas residências e comércios fosse aproveitado com sistemas fotovoltaicos, o Brasil produziria 283,5 milhões de MWh por ano. Esse volume seria suficiente para abastecer mais de duas vezes o atual consumo doméstico de eletricidade, que é de 124,8 milhões de MWh por ano.”

Augusto Cesar Fialho

Augusto Cesar Fialho

Segundo o especialista, para que esse cenário se torne uma realidade, são necessárias políticas fiscais e de financiamento, investimentos, consolidação de uma cadeia produtiva, ampliação da realização de leilões específicos, ampliação da coleta de dados solarimétricos, incentivo à pesquisa e inovação tecnológicas, além de qualificação profissional.

A energia solar fotovoltaica, segundo Fialho, tem despontado no contexto mundial, tanto em termos de investimentos por parte de corporações privadas quanto pelo setor governamental. Essa fonte de energia também ganha destaque pelo potencial de geração de empregos nas áreas de projeto, montagem, manutenção, pesquisa, ensino e operação. Somente em 2015 foram gerados mais de 2.700 milhões de empregos no mundo, enquanto no campo de biocombustíveis foram 1.600 milhões.

Vantagens da energia solar fotovoltaica

Simone Caetano

Simone Caetano

A representante da Empresa Brasileira de Energia Solar (Ebes), Simone Caetano, relacionou os benefícios de se investir em energia solar fotovoltaica. Na esfera socioeconômica, essa fonte tem potencial para aquecer a economia atraindo nova cadeia produtiva ao Brasil. Já na esfera ambiental, as vantagens que merecem destaque, segundo a especialista, são: gerar energia limpa, renovável e sustentável, além de contribuir para metas de redução de emissões do país, não gerar ruídos nem emitir gases, líquidos ou sólidos durante a operação. Estrategicamente, a tecnologia permite ainda diversificar a matriz elétrica nacional, ampliar o uso de energias renováveis e reduzir perdas por transmissão e distribuição.

Fonte e fotos: Comunicação Confea

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