Em Juazeiro, 6º Preparatório para o Fórum Mundial da Água debate manejo sustentável dos recursos hídricos

O 6º dos oito eventos preparatórios da Engenharia e Agronomia para o 8º Fórum Mundial da Água, foi aberto oficialmente na quarta-feira (18), no Complexo Multieventos da Universidade Federal do Vale do São Francisco, na cidade de Juazeiro, a 500 km de Salvador. No evento foram debatidas propostas para o manejo sustentável dos recursos hídricos por profissionais.

Na ocasião, o diretor de Tecnologia da Mútua, eng. civil Marcelo Gonçalves Nunes de Oliveira Morais compôs a mesa solene de abertura do evento, juntamente com o presidente em exercício do Conselho Federal de Engenharia e Agronomia, Daniel Salati e outros líderes do Sistema. O preparatório, que se encerrou na sexta-feira (20), contou com rica programação de palestras, debates e mesas redondas.

Marcelo Morais (direita) representou a Mútua no evento realizado em Juazeiro

Também prestigiando o evento, o membro da Frente Parlamentar em Defesa da Engenharia de Pernambuco, deputado estadual de Pernambuco, José Humberto Cavalcanti, afirmou que 80% da população mundial vive em área que ameaça a segurança hídrica e o evento realizado pelo Sistema Confea/Crea vai permitir um debate qualificado para o enfrentamento dos desafios assumidos pela engenharia e agronomia do Brasil com a temática. “Coloco a Frente Parlamentar em Defesa da Engenharia de Pernambuco à disposição do Sistema para evitarmos o colapso do rio São Francisco e dos mananciais do Brasil”.

Conselheiro Alessandro Machado

Representando os conselheiros federais, o engenheiro civil baiano Alessandro Machado relembrou o tempo em que a Barragem de Sobradinho funcionava com capacidade máxima e revelou sua tristeza ao conhecer a realidade de hoje (está operando com 6% da sua reserva líquida). “Temos potencial profissional para aproveitar as energias renováveis e tratar a água da melhor forma para que as futuras gerações não sofram consequências piores”, destaca.

Palestras

Fernando Munaretto

A questão da água sobre uma ótica planetária foi destacada na palestra do astrônomo Fernando Munaretto. Na oportunidade, o palestrante destacou o papel dos profissionais da área tecnológica para o desenvolvimento da sociedade, citando o legado deixado pelo engenheiro Theodoro Sampaio. Colocou ainda a necessidade de observar o céu e consequentemente o sol, para justificar alguns acontecimentos, como apagões ocorridos nos Estados Unidos e Canadá.

Celso Giampá

“Se vocês querem melhorar o nível de chuvas da sua região, têm que começar a plantar árvores já”. Esta foi a recomendação do engenheiro químico e consultor em saneamento e meio ambiente Celso Luís Giampá, durante a Mesa Redonda Água e Meio Ambiente, do Encontro Preparatório para o Fórum Mundial da Água. Autor do livro Água: a próxima guerra, ele foi categórico ao dizer que para assegurar o abastecimento de água é preciso ter atitudes mais sustentáveis. Isso tem a ver com o ciclo hidrológico, que é afetado com o corte de árvores. Um dos fatores que provocam chuvas são os chamados “rios voadores”, enormes massas de vapor d’água vindos na atmosfera que em condições propícias precipitam. O problema é que estes rios não são somente alimentados por água que vem dos oceanos, rios e lagoas, mas também por umidade resultante da evapotranspiração das plantas.

Ressaltando que o Brasil é um país privilegiado pela grande quantidade de água doce disponível e pelo fato de a maioria dos seus rios estarem localizados inteiramente dentro do território nacional, ele enfatizou também a necessidade de políticas de uso racional da água serem efetivadas e se tornarem prática constante dentro do país. “A água não nasce da torneira. Infelizmente, o povo só percebe que temos um problema de água quando abre a torneira e não sai água. É só aí que as pessoas vão começar a se manifestar”, apontou.

Florestas

Trazendo uma visão mais ampla sobre o ciclo hidrológico, o meteorologista Augusto Pereira Filho explicou que as secas têm relação com a redução de injeção de vapor d’água neste processo e o desmatamento tem contribuição nisso.

“O ciclo da água nos solos é afetado pela evapotranspiração. Na região que tem floresta tem menos umidade do solo porque as árvores puxam esta água e devolvem à atmosfera por evapotranspiração. Onde não tem floresta a água fica lá parada, sem uso, ela pode causar erosão e voçorocas e assim por diante”, ressaltou Pereira Filho.

Fazendo um convite aos espectadores a repensar o seu modo de consumo e forma de tratar a natureza, o especialista em desenvolvimento Nelton Friedrich trouxe uma visão holística sobre as causas da degradação dos recursos hídricos. Dedicado atualmente a implantação de políticas e ações que visem à implantação da agenda 2030 da ONU (composta por 17 objetivos de desenvolvimento sustentável propostos pela ONU), ele apontou a necessidade urgente de mudança no nosso pensamento como sociedade, aliando economia e natureza.

“Nós estamos falando de processos produtivos na marca do pênalti porque nosso padrão de consumo se tornou insustentável. O processo de desertificação está acontecendo por causa do conceito de produção existente, de que a natureza é um bolsão de que eu posso tirar tudo o que posso”, provocou.

Para Friedrich, além da implantação de uma política nacional de uso e reuso de água falta um grande pacto nacional em torno da questão do uso sustentável de recursos hídricos. Ele ainda parabenizou o sistema formado pelos Conselhos Federal e Regionais da Engenharia e da Agronomia pela realização dos encontros preparatórios.

O Fórum Mundial da água acontece em março de 2018, em Brasília.

Fonte: Gecom/Mútua com informações do Confea

Fotos: Confea

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