Em Colatina (ES), lideranças do Sistema e autoridades locais lembram desastre de Mariana

Ainda foi chamada a atenção para o uso racional dos recursos hídricos e a importância da educação ambiental

Solenidade realizada na noite dessa segunda-feira (10), no Instituto Federal do Espírito Santo (IFES), unidade de Colatina, marcou o início da terceira etapa dos Eventos Preparatórios da Engenharia para o 8º Fórum Mundial da Água, que ocorrerá em março de 2018, na capital federal. Conforme evidenciado nos discursos da abertura do evento, a cidade capixaba foi escolhida pelos impactos que sofreu após o rompimento da Barragem de Mariana (MG), que assolou o Rio Doce, que corta os dois estados.

O presidente do Confea, José Tadeu, lembrou que o desastre ceifou a vida do rio e de muitas pessoas, e que a população dessa região está pagando pela tragédia, que é um preço muito alto. “A Engenharia é a transformação da natureza sem causar danos ao meio ambiente. Se há dano não é Engenharia”, indicou. Sobre a realização dos eventos preparatórios, Tadeu ressaltou que os objetivos são discutir os temas relativos aos problemas hídricos, mostrar para a sociedade o papel da área tecnológica e propor soluções e ações para a melhoria da qualidade de vida da população.

Anfitrião, o presidente do Crea-ES, Hélder Carnielli, destacou que não só a região do Vale do Rio Doce, mas todo o país necessita de uma nova forma de governança dos recursos hídricos, e que a saída para isso, necessariamente, passa pela Engenharia e Agronomia. Por fim, desejando um excelente evento a todos, Carnielli sinalizou que Colatina é um berço de inovações e, devido ao grande desastre que passou, é um profícuo ambiente para aprendizado. “Que sirva de exemplo de superação e soluções”, ensejou.

Também presente, o presidente do Crea-MG, Jobson Andrade, ponderou que a atividade mineradora, como todas as outras, nasceu da capacidade intelectual humana, se desenvolveu por meio da tecnologia e, como as demais, está suscetível a infortúnios. “Devemos, sim, apurar responsabilidades, mas nós, como profissionais da área tecnológica, mais do que tudo, devemos analisar e entender as causas da tragédia de Mariana, como forma de aprender para que isso não ocorra mais”, afirmou.

Laércio Aires dos Santos, presidente do Crea-AP e coordenador adjunto do Colégio de Presidentes, enfatizou que os trabalhos desenvolvidos ao longo dos dois dias de discussões em Colatina servirão de base para o Fórum Mundial da Água. “Esse debate regional é muito importante, pois cada Região tem suas peculiaridades e seus problemas. Ao final do ciclo de eventos preparatórios teremos um documento formal e realmente vamos marcar a posição do Sistema Confea/Crea e Mútua sobre a crise hídrica”, comemorou.

“Com muito orgulho recebemos esse evento em nossa cidade”, começou assim sua fala, o prefeito de Colatina, Sérgio Meneguelli. Mais um a lembrar dos efeitos ao Espírito Santo do rompimento da barragem na cidade mineira, Meneguelli disse que além da “quase morte do rio”, a tragédia também forçou a reflexão sobre o que “seria de nós, se o Rio Doce morresse”. “A crise hídrica não é passageira. Precisamos aprender a conviver com ela”, assegurou.

A solenidade de abertura do evento ainda contou com a presença do deputado federal Paulo Foletto, do subsecretário de Trabalho, Emprego e Geração de Renda, Sérgio Magalhães, representando o governador do estado, Paulo Hartung, o prefeito de Baixo Guandu (ES), Neto Barros, o diretor geral do IFES, Luiz Brás Galon, presidentes de Creas, conselheiros federais e regionais, inspetores do Crea-ES, profissionais, pesquisadores e estudantes.

  A etapa preparatória em Colatina, que tem apoio da Mútua, é acompanhada pelo diretor executivo de Tecnologia, Marcelo Morais, e o diretor geral da Regional ES, Douglas Muniz Lyra.

Diretor geral da Mútua-ES, Douglas Muniz Lyra

 

Diretores da Mútua conduzem primeiros painéis de debates do evento

O primeiro debate elucidado no evento concentrou-se na análise das “Bacias Hidrográficas do ES e do Rio Doce”, com o engenheiro agrônomo Henrique Lobo. O painel teve como moderador Marcelo Morais, diretor da Mútua, que sublinhou o papel da área tecnológica como protagonista da gestão da água e a relevância dos eventos preparatórios e do Fórum Mundial da Água.

Com vasta experiência, Lobo proferiu uma palestra muito rica, com a explanação de elementos essenciais para o entendimento da realidade das bacias hidrográficas da região, incluindo fatos históricos e mudanças ambientais ocorridas ao longo dos anos nos ecossistemas.

Na sequência, a segunda palestra tratou sobre a temática “A crise hídrica no Brasil e tendências, e foi proferida pelo meteorologista do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas (IAG-USP), Augusto José P. Filho. Secretariando a atividade, esteve o diretor da Mútua-ES, Douglas Muniz.

Prossegue até essa quarta-feira (12) o preparatório de Colatina. Ainda ocorrerão palestras sobre “Plano Estadual de Recursos Hídricos”, “Uso racional da água na Agricultura”, “A gestão territorial dos Recursos Hídricos”, ”Preservação de água e Recuperação de nascentes” e “Perspectivas de desenvolvimento sustentável da Bacia do Rio Doce”. Finalizando a programação, o chefe de gabinete da Agência Nacional de Águas (ANA), Horácio Figueiredo, falará sobre os preparativos do 8º Fórum Mundial da Água.

 

Fonte e fotos: Gecom/Mútua

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