Soja: No Brasil, apenas 8% da safra nova foi comercializada

Nesta segunda-feira (1), as negociações da soja no mercado interno brasileiro estão mais lentas, devido à falta de referência da Bolsa de Chicago (CBOT).  Nos Estados Unidos hoje é feriado pelo Dia do Trabalho, e, consequentemente as bolsas não operam. Os negócios deverão ser retomados na terça-feira (2) e os boletins de embarques semanais e acompanhamento de safra, que deveriam ser divulgados nesta segunda, serão reportados amanhã. 
Com isso, a comercialização segue travada no Brasil, conforme destaca o consultor em agronegócio, Ênio Fernandes. Além disso, o volume da safra velha disponível para negociação, especialmente nos estados de Goiás, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul são pequenos e o produtor segura o produto e negociam apenas quando o preço atinge um patamar mais alto.
“O cenário não deve mudar até fevereiro de 2015, quando teremos soja nas regiões de Lucas do Rio Verde (MT) e Rio Verde (GO), que colhem o grão mais cedo. Até lá, o mercado de soja disponível não deve ter grandes alterações”, sinaliza o consultor em agronegócio.
Para a safra nova, apenas 8% da safra 2014/15 foi comprometida até o momento, volume bem abaixo da média dos últimos anos que, nessa mesma época, o índice era de 27%. Na visão do analista, a situação é decorrente dos preços mais baixos registrados atualmente, assim como, o dólar em nível menor que acabou afastando as origens da ponta vendedora do mercado.
“O produtor vende antecipadamente quando tem uma margem saudável e como está apertada e, em algumas regiões, nem há margem, o mercado travou muito. E, além da queda em Chicago, o recuo no dólar também contribui para a formação do cenário. Para o produtor de MT, norte de TO, norte de GO, em áreas de abertura o custo de produção é mais altos e a produtividade é mais baixas nos primeiros anos, a conta não fecha. Porém, os agricultores de RS, PR, sudoeste de GO e sul do MS, conseguem visualizar lucro”, explica Fernandes.
O analista ainda orienta que os produtores não façam vendas abaixo dos custos de produção. “Ainda temos muita água para passar embaixo da ponte, podemos ter uma quebra de safra no Brasil ou na Argentina. Está muito longe do produtor tentar fixar a soja com prejuízo, mas se, em algum momento, o mercado oferecer margens aos agricultores, aí sim precifica”, alerta.
Em algumas localidades, os produtores rurais já conseguiram avançar na comercialização antecipada da soja. Em Rondonópolis (MT), com preços para a próxima safra próximos de US$ 21,00 a saca começaram a sair negócios. A situação se repete em Rio Verde (GO), as cotações ao redor de US$ 21,50 estimula o agricultor brasileiro a vender a soja antecipadamente. Já nos Portos de Santos e Paranaguá, com os preços para entrega futura próximos de R$ 57,00 a R$ 58,00 não há negócios, segundo informações do analista.
“Tudo indica que esse ano teremos um recuo na margem de lucros aos produtores, a não ser que tenhamos uma disparada no dólar. Os agricultores de algumas regiões já perceberam isso e fixaram em torno de 15% a 20%, mas, a grande maioria ainda espera alguma alteração nos preços”, diz Fernandes.
Em contrapartida, o consultor em agronegócio da Brandalizze Consulting, Vlamir Brandalizze, destaca que com os prêmios positivos no Brasil, o produtor que não tiver alto grau de endividamento e conseguir esperar para negociar poderá garantir bons momentos de comercialização. “Apesar do momento de mercado de estar pressionado, as expectativas são muito positivas aos produtores brasileiros, a médio e longo prazo. Principalmente pela demanda da China, que tem importado grãos de forma agressiva”, acredita o consultor.

Fonte: Notícias Agrícolas 

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