Superpopulação de capivaras causa transtornos para agricultores do ES

À noite, roedores atacam lavouras e destroem plantações. Produtores rurais se reuniram para encontrar uma solução para o problema.

 

Após reclamações frequentes sobre a superpopulação de capivaras nas plantações, os produtores rurais de municípios da Região Serrana no Espírito Santo se reuniram para encontrar uma solução para o problema. Os animais costumam comer as plantações e destruir a produção dos agricultores. Para a veterinária Mônica de Alvarenga, uma das alternativas é esterilizar os machos dominantes, que cruzam com um número maior de fêmeas.
As capivaras são os maiores roedores do mundo. Elas vivem perto de regiões com água e as adultas pesam entre 50 e 70 quilos. Por ano, as fêmeas podem ter até oito filhotes. Em uma fazenda do município de Alfredo Chaves, um grupo de mais de 20 capivaras descansa às margens do rio Benevente. No fim da tarde, elas aparecem em vários pontos do rio e, à noite, chegam às lavouras causando prejuízos.
Quando amanhece, o agricultor e pecuarista Edson Grillo encontra a destruição. O produtor tem uma plantação de capim, que utiliza para produzir ração para o gado. "A gente chega de manhã para cortar a ração para o gado, quando a gente chega vê o estrago que elas fizeram à noite, o bando de capivara. A gente tenta aproveitar alguma coisa para não perder a ração toda, porque no inverno a gente necessita de fazer mais ração para o gado por causa do capim seco. E aí elas estão sempre na frente, destruindo", explicou Edson.
Em uma parte da fazenda, as capivaras venceram Edson pelo cansaço. Ele resolveu abandonar um espaço de mais de quatro mil metros quadrados.  "Essa é a área onde tinha o capim napier e que elas destruíram. Eu estou acabando com essa área aqui, para mudar para outro lugar longe para tentar fazer outra roça. Não vale a pena. É plantar para elas destruírem". 
Segundo os agricultores, as lavouras mais prejudicadas são as que ficam próximas do rio. Eles afirmam que há cerca de quatro anos o número de capivaras no município de Alfredo Chaves começou a aumentar.
O agricultor Flávio Nalesso contou que precisou recorrer à cerca elétrica. "A capivara é um animal que não chega aqui e pula. Ela chega aqui e só encosta. No que ela encostou, toma o choque e recua. Tem quer ser baixinha assim mesmo, porque mais alta ela passa por baixo. Então ficou mais ou menos desse jeito aí. Para poder ela chegar, encostar e sair", afirmou.
A veterinária Mônica de Alvarenga, Mestre em Ciência Animal e que pesquisa as capivaras, explicou que a super superpopulação dos roedores acontece porque predadores, como o jacaré, estão em extinção. "É um problema que acontece no Brasil inteiro, lugares banhados por rios e cursos d'água. As onças, os jacarés que poderiam fazer o controle populacional desses roedores estão em extinção", explicou.

No Espírito Santo, municípios banhados pelo Rio Doce também são atingidos. Na região Serrana, Alfredo Chaves, Anchieta, Domingos Martins, Venda Nova do Imigrante, Vargem Alta e Marechal Floriano já se reuniram para encontrar uma solução. Além da destruição das lavouras, existe a preocupação com o carrapato, transmite a febre maculosa, doença que pode levar à morte. "Onde tem capivara tem muito carrapato também. Por enquanto é um problema sem soluçao e cada vez vai se agravando mais. É uma coisa que vai se agravar. Nós temos que resolver o mais rápido possível", afirmou o secretário de Agricultura de Alfredo Chaves Antônio Petri.

Fonte: G1

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