Pesquisadores detectam primeiro surto de mandarová em seringueiras no Acre

Na sexta-feira (22), pesquisadores da Embrapa Acre visitaram plantios de seringueira, no município de Bujari, e constataram a existência de um surto do mandarová (Erinnyis ello), praga em forma de lagarta que se alimenta de folhas. Há cerca de duas semanas produtores do ramal Baturité, a 20 quilômetros de Rio Branco, buscaram ajuda profissional ao observar a presença de lagartas nas seringueiras e um rápido desfolhamento das árvores. As áreas afetadas são seringais adultos em franca produção de látex.

O mandarová é uma praga que ataca culturas como a mandioca e a seringueira, em surtos esporádicos, causando danos aos plantios e prejuízos para os produtores. O problema é ocorre em estados como São Paulo, Pará e Amapá, mas no Acre, de acordo com o pesquisador Rodrigo Souza, é a primeira vez que acontece um surto em seringueiras.  "Observamos elevado nível populacional das lagartas nas árvores e grande parte das árvores totalmente desfolhadas. Ataques dessa magnitude costumam acontecer somente em cultivos de mandioca e sempre no período das chuvas, época propícia para a reprodução do inseto", diz o pesquisador.  

"A presença dessa praga em seringais no estado, até então, somente havia sido observada em viveiros e em níveis populacionais tão baixos que dispensavam métodos de controle químico ou biológico, sendo a catação manual, com a destruição das lagartas, suficiente para resolver o problema", explica o pesquisador Rivadalve Coelho, responsável pelo trabalho com seringueira na Embrapa Acre.

De acordo com o engenheiro agrônomo Pedro Arruda Campos, coordenador de monitoramento de pragas e doenças do Instituto de Defesa Agropecuária e Florestal (IDAF), o problema também foi detectado em seringais do município de Capixaba, onde há grandes plantios. "Estamos planejando estratégias de controle do problema e mapeando as áreas de produção do estado para combater o surto e evitar que novos cultivos sejam afetados".

A lagarta mandarová destrói as folhas e os ramos mais finos das árvores, causando danos ao crescimento das plantas mais novas e comprometendo a produção das árvores adultas. Em ataques severos como o que vem ocorrendo a primeira orientação é suspender o processo de sangria das seringueiras para evitar maiores danos ao plantio e minimizar prejuízos econômicos. "Sem folhas as árvores não conseguem realizar o processo de fotossíntese necessário para a produção da energia que precisam para sobreviver e produzir o látex. A coleta do produto nestas condições pode matar a planta", afirma Souza.

 

Alternativas de controle
Por ser uma praga de ciclo rápido e grande potencial de destruição, o mandarová pode dizimar os plantios, requerendo medidas preventivas e corretivas. Entre as alternativas disponíveis para o controle e monitoramento integrado da praga está um inseticida biológico produzido a partir do Baculovirus erinnys, vírus de ocorrência natural em cultivos de mandioca, em diversos estados. O produto natural foi adaptado pela Embrapa para uso nas condições da região Norte, utilizando uma estirpe de vírus coletada no município de Divinolândia (MG), e vem sendo  apliacado no controle da lagarta da mandioca desde 2008.  O vírus é recuperado a partir das lagartas mortas, que são recolhidas, trituradas e transformadas em extrato, o que possibilita o uso contínuo do produto, além de poder ser congelado por até cinco anos.  

Segundo o pesquisador Murilo Fazolin, responsável pelas pesquisas da Embrapa, para controle e manejo da praga, em mandiocais o inseticida apresentou até 95% de eficiência na mortalidade da lagarta. No caso da seringueira, devido às características da cultura como o porte elevado das árvores e a densa folhagem, surge um novo desafio. "Dispomos de alternativas de controle eficientes que podem ser usadas com adaptações. Nossa intenção é pulverizar a áreas afetadas com o Baculovírus, utilizando atomizador, e transformá-las em unidades piloto, onde vamos orientar os produtores para o manejo da praga e reprodução do inseticida utilizando as lagartas infectadas", explica Fazolin.

Ainda de acordo com o pesquisador, como a ação do baculovírus não atinge as lagartas maiores, também é importante adotar medidas de controle químico na parte baixa dos plantios, para combate dos insetos que, em estágios finais, descem das árvores para empupar no solo e se transformam em mariposa.

Outra medida de fundamental importância é buscar informações sobre a praga. A cartilha "Sete Passos para o controle do mandarová da mandioca" orienta sobre técnicas de controle da praga e ensina como fazer o inseticida utilizando o Baculovírus. A publicação está disponível em formato digital no site http://www.cpafac.embrapa.br/publicacoes/ensino-e-aprendizagem/publicacoes-atualizadas-sobre-doencas-e-pragas/ .

O uso de armadilhas luminosas nos cultivos, para captura da mariposa também é uma alternativa eficiente de  controle biológico da praga. Além de  permitir o moitoramento e controle populacional, possibilita outras medidas para evitar ataques mais intensos. 

Fonte: Embrapa

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