Aula de cidadania na abertura do II Seminário Nacional de Redes Subterrâneas de Energia para Condomínios


A chancela de carreiras essenciais de Estado para a Engenharia e a Agronomia representará uma conquista da sociedade brasileira. Com esta visão, o assessor da presidência do Conselho Federal de Engenharia e Agronomia (Confea), engenheiro eletricista Edison Macedo conduziu, na noite deste domingo (24/8), em Florianópolis, a abertura do II Seminário Nacional de Redes Subterrâneas de Energia para Condomínios, promovido de dois em dois anos pela Associação Catarinense de Engenheiros (ACE) com patrocínio do Confea.
Após a palestra, Edison Macedo, ex-professor de vários profissionais ali presentes, autografou o livro “Discutindo o papel da Engenharia Pública”, que trata exatamente sobre o tema da engenharia como carreira de Estado. Até terça-feira, cerca de 200 profissionais e lideranças do Sistema Confea/Crea e Mútua, além de empresários e gestores do setor, devem participar das palestras, na sede da Associação, que este ano completou 80 anos e é precursora do Crea-SC.
O dispositivo de honra foi formado pelo presidente da Associação Catarinense de Engenheiros, engenheiro eletricista Celso Ternes Leal; pelo assessor da presidência do Confea, engenheiro eletricista Edison Macedo; pelo presidente em exercício do Crea-SC, engenheiro agrônomo Gilson Galotti; pelo vice-presidente da CredCrea-SC Cooperativa de Crédito, engenheiro José Wilson Alexandre; pelo diretor financeiro da Mútua, engenheiro civil Laércio Domingos Tabalipa e pela vice-reitora da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), engenheira eletricista Lúcia Helena Martins Peixoto.
Entre as lideranças presentes à abertura do seminário, estiveram o diretor e ex-presidente da ACE, engenheiro sanitarista Sérgio Bitencourt; o coordenador nacional das câmaras de engenharia elétrica, Sérgio Cequinel; o coordenador da Câmara de Energia Elétrica do Rio Grande do Sul, Jorge Fernando Ruschel dos Santos; do presidente da Associação Catarinense de Engenharia de Segurança do Trabalho, Fernanda Maria de Félix Vanhon; e o presidente da Federação dos Engenheiros Agrônomos de Santa Catarina, Raul Zucatto.

Redes subterrâneas
Após destacar o pioneirismo da entidade de classe – que chegou aos 80 anos em 2014 – e as ações em prol do engrandecimento dos profissionais de Santa Catarina, o presidente da ACE, Celso Leal, destacou que o evento se refere tanto a condomínios residenciais e industriais, como para as cidades. “A ACE busca congregar e defender os interesses técnico-científicos dos associados e ainda defender o interesse público, notadamente nas questões da qualidade de vida e da defesa do meio ambiente. O objetivo macro do evento é discutir questões relacionadas às vantagens das redes técnicas, como os ganhos em estética, acabando com esse emaranhado de fios, e muitas outras, além de garantir atualização técnica e profissional, apresentando informações sobre ART e acervo técnico”. Segundo Celso, há um sucateamento muito grande da rede ao longo do tempo e é preciso investir em novas tecnologias de automatização e de redes subterrâneas, aumentando, assim, a confiabilidade.

Vice-Reitora da UFSC, Lucia Helena Peixoto considerou que estabelecer uma rede segura e confiável pode contribuir com o desenvolvimento do país. Já o presidente em exercício do Crea-SC, eng. agr. Gilson Galotti saudou os 80 anos da Associação Catarinense de Engenheiros e comentou que, mesmo não sendo da área, vê “com muito bons olhos” a proposta de despoluição visual das cidades. “Todas as tecnologias têm vantagens e desvantagens, vejo com bons olhos esses cursos dos quais o Crea também participa através da rubrica de convênios”, disse repassando, em seguida, dados do Regional, que registra 56 mil profissionais, 13 mil empresas, 23 inspetorias, sete escritórios e três postos de atendimentos, além de 56 fiscais, 30 diretores regionais, 375 inspetores, 83 conselheiros, 60 entidades de classe e 88 instituições de ensino. Apoiadora do evento, a Mútua-SC destacou, por meio de seu diretor financeiro Laércio Tabalipa, ser “o braço social do Sistema Confea-Crea, que retorna aos profissionais por meio de eventos como este, que deverá repetir o sucesso da primeira edição”.

Carreiras de Estado

O engenheiro eletricista Edison Flávio Macedo, que representava o presidente em exercício do Confea, eng. civ. Jùlio Fialkoski, saudou os conterrâneos, falando da satisfação de retornar a Florianópolis. Em seguida, traçou o roteiro da obra que lançaria em seguida, no estande do Sistema Confea/Crea e Mútua, ao abordar a Engenharia e a Agronomia como carreiras de Estado. Para ele, trata-se de um problema “90% resolvido”, prestes a ser aprovado, ainda neste mês de agosto, pela Comissão de Cidadania e Justiça do Senado Federal, por meio do projeto de lei 13/2013. “A matéria foi protelada, mas há boas possibilidade de ser aprovada. Nossa vitória exigirá muito mais trabalho do que tivemos até o presente momento”, conclama o veterano engenheiro eletricista catarinense.
Edison Macedo contextualizou o cenário político, econômico e social brasileiro (sétima economia do mundo e 12ª posição no ranking de desigualdades sociais) e ainda as características do Sistema Confea/Crea e Mútua – maior sistema profissional do Brasil com missão e código de ética orientados pelo interesse social e humano, com amplas responsabilidades ético-profissionais, técnico-administrativas, civis, penais e trabalhistas – para indagar os reflexos desta “promissora retomada, qual o papel da engenharia na área pública e ainda se haverá sentido em falar em estruturas de trabalho e planos de carreira em áreas públicas para a engenharia”.
Segundo o assessor da presidência do Confea, há espaço institucional para a Engenharia e a Agronomia entre as carreiras de Estado. “Pelo aviltamento ao qual foram relegadas estas profissões no âmbito da administração pública, com metade dos municípios sem engenheiros, parece que não existe”, ressalvou. Em seguida, relacionou uma série de elementos que justificariam a necessidade desse reconhecimento, por parte do Estado brasileiro.
A dependência da engenharia para que a administração tenha eficiência, eficácia e efetividade, por meio do seu projeto de nação, que deveria desdobrar-se em políticas públicas e, sucessivamente, em planos de governo, em programas e projetos de desenvolvimento público. Por essas carreiras devem ser, ainda segundo o autor/palestrante, desenvolvidas as atividades de supervisão, coordenação, planejamento. “Porque para assumir tais encargos o poder público precisa desenvolver um programa de profissionalização, capacitação e valorização de seus servidores e empregados”.

Resgate da Engenharia

Em outra perspectiva, a Engenharia deverá estar presente nas estruturas de governo sempre que se tratar de projeto de nação. “Se não pressionarmos, o projeto de nação será uma peça política feita ou aprovada no Congresso Nacional sem esta participação dos profissionais que entendem as políticas públicas, planos governamentais, planejamentos, elaboração de projetos básicos e projetos executivos, fiscalização das obras contratadas, fiscalização das empresas terceirizadas, participação em todas as etapas dos processos licitatórios, atuação na assistência técnica gratuita; assessoramento nos processos de perícia; atuação nas agências reguladoras, em que hoje fazem parte do mesmo quadro de carreira de analistas econômicos e administradores; gerenciamento das instituições de pesquisas, desenvolvimento e inovação, inclusive universidades; manutenção de uma representação mínima junto às casas legislativas; ocupação de cargos e funções de vários níveis das administrações públicas”.
Edison Flávio Macedo considera ainda que o desmonte da Engenharia no governo Collor permanece até hoje. “A retomada do desenvolvimento repercute intensamente na demanda de serviços de engenharia, nas áreas de transporte, energia, telecomunicações, desenvolvimento e inovação industrial, agrícola, científico e na área da meteorologia, geografia e geologia, entre outras”. E argumenta, enfaticamente: “Apenas os engenheiros fazem Anotações de Responsabilidade Técnica, garantindo, em toda a sua extensão, o serviço contratado”, justificando mais uma vez sua expectativa pela aprovação do projeto, diante de profissões capacitadas ao tratamento destes conteúdos e carreiras habilitadas com níveis remuneratórios compatíveis. “Estamos correndo atrás de gastar energia para o reconhecimento das carreiras dos profissionais do Sistema”, ressalta o sábio mestre.

Fonte: Confea

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