Confea destaca importância de investimentos no modal rodoviário

Em parceria com a Associação Brasileira de Pavimentação (ABP), com a Associação Brasileira dos Departamentos Estaduais de Estradas de Rodagem (ABDER) e com o DER de Alagoas, o Confea participa de ontem (29/7) a 1º de agosto, em Maceió, do maior evento nacional desse segmento. São realizados simultaneamente a 43ª Reunião Anual de Pavimentação (43ª RAPv), o 17º Encontro Nacional de Conservação Rodoviária, (17º Enacor) e a terceira Expopavimentação. 
O presidente do Confea, eng. civ. José Tadeu da Silva, fez pronunciamento na solenidade de abertura das atividades na noite de ontem (29/7), quando compôs a mesa de autoridades, juntamente com representantes governamentais e lideranças profissionais, entre as quais o presidente do Crea-AL, eng. civ. Roosevelt Patriota, e o presidente da Mútua, eng. agr. Claudio Calheiros – natural de Maceió – que reforçaram a presença do Sistema Confea/Crea e Mútua na mesa de honra da cerimônia.
Em seu discurso, o presidente José Tadeu, alertou que as autoridades devem atentar para a necessidade de retomada de investimentos em pavimentação no país. "Nossos governantes precisam apresentar projetos de nação para o Brasil e não apenas projetos políticos", advertiu o presidente do Confea. A conselheira federal Ana Constantina, outra alagoana, também se destacou entre os presentes.
O estande do Sistema Confea/Crea e Mútua tornou-se o principal núcleo de contato de visitantes e autoridades da 3a Expopavimentação. O secretário de Estado de Infraestrututra de Alagoas e engenheiro civil Marco Antônio Vital, a coordenação dos eventos e outas lideranças regionais e nacionais reuniram-se com o presidente José Tadeu da Silva no estande. Estudantes e profissionais de engenharia também foram atendidos pelo presidente do Confea, oportunidade em que receberam publicações e informações acerca do Sistema.
Ao se dirigir aos participantes da cerimônia, José Tadeu contextualizou a realidade brasileira no cenário mundial marcado por muitas guerras: “o Brasil, um país com solo rico em minerais, o maior potencial hídrico do planeta, vasta extensão territorial, 6ª economia do mundo e um sentimento de paz. Mas não basta ser grande e dotado de riquezas naturais, se não tivermos uma integração entre os estados, e, para isso, precisamos de mobilidade, principalmente do transporte rodoviário para escoar a produção agrícola e manter o superávit da nossa balança comercial”, alertou.
Para ele, “governos, instituições e entidades em geral têm que promover a qualidade de vida para o povo e, para isso, precisamos de muita infraestrutura e dentro dela, o transporte rodoviário”.
Sem esquecer a preocupação com o meio ambiente, o presidente do Confea lembrou da lição dada por um antigo professor do curso de engenharia civil sobre o que é a engenharia: “Engenharia significa transformar os recursos naturais em bens para a sociedade sem destruir o meio ambiente”.

Economia e segurança

Confessando o “orgulho” de representar os mais de um milhão de profissionais registrados no Sistema Confea/Crea e Mútua, José Tadeu foi taxativo: “Nenhum país cresce sem engenharia. Temos boa engenharia, mas o que falta é a definição de políticas de Estado e não de Governo e isso passa de forma inequívoca pela infraestrutura do país”. 
Lembrando que há anos o Brasil priorizou o transporte rodoviário, José Tadeu defendeu a manutenção das estradas como a pedra de toque para gerar mais economia e segurança às rodovias nacionais. Para ele, esse trabalho de conscientização passa pelas entidades de representação:
“Há necessidade de o governo ter plano de nação e não só um projeto político, e especialmente para o setor direcionar mais investimentos, a fim de que um país do tamanho do Brasil tenha integração”, ressaltou.
Ao projetar os encaminhamentos da Reunião de Pavimentação e do Encontro, o presidente do Confea disse que “os debates devem ter essa direção, no sentido de garantir recursos para construção e manutenção de nossas rodovias”.
“Saúde das obras é como a saúde de nosso corpo. Manutenção é o segredo do bom aproveitamento de uma obra, da casa mais simples à rodovia mais sofisticada”.
Ao finalizar, José Tadeu propôs que se fizesse uma “reflexão sobre a importância das estradas de rodagem para o Brasil para que as riquezas cheguem aonde têm que chegar”.

Importância x investimentos

O secretário de Infraestrutura de Alagoas, Marcos Antônio Cavalcanti Vital, agradeceu a José Tadeu a parceria com o Confea, “que acreditou no evento”, e voltou o a chamar a atenção para uma questão recorrente, o financiamento do setor rodoviário no país.
“Há oito meses, em Gramado (RS), numa palestra, falava que há 40 anos o setor chegou a ter uma arrecadação de 6% do PIB, cerca de 322 bilhões de reais/ano. Em 2012, um dos órgãos mais importantes, o Dnit, recebeu apenas R$ 18 bi para obras. Em 2013, recebeu R$ 12 bi. É preciso que se tenha um mínimo de entendimento de que é preciso conservar”, alertou.
“O governo de Alagoas investe em conserva suas rodovias. A prova é que é o item melhor avaliado do governo nos quatro últimos anos, mas essa bandeira tem que ser de todos os DERs”, finalizou.
Entre as demais autoridades que falaram durante a cerimônia, destacaram-se as declarações do contraponto entre a falta de investimentos no setor e sua importância na busca de novas tecnologias para a construção de estradas.
“O setor mais bem avaliado pela população de Alagoas nos últimos quatro anos não tem recebido a atenção que merece”, afirmou o presidente da ABPAv, José Pedro Vieira Costa.
Para ele, os eventos são “uma experiência inesquecível de estudo e debates e de bem estar”. Ao historiar sobre as edições anteriores, lembrou que há 27 anos, durante a  22ª RAPv, em 1987, o país lutava pela democracia. “Quanto à democracia, nossas perspectivas ficaram mais amadurecidas. A sociedade se fortaleceu mais que o Estado. Precisamos de decisões eficientes por parte dos gestores e orientações modernas”. 
Costa afirmou que “contabilizamos avanços na engenharia de pavimentos. Avanço técnico e qualitativo da pavimentação no Brasil, mas profissionais e empresários têm muito a contribuir, e o exemplo da Copa, que no quesito infraestrutura deixou a desejar, evidenciou essa questão”.
O presidente da ABPv defende melhores rodovias e a integração de outros modos de transporte que precisam de ampliação e melhoramentos. Para ele, “programas rodoviários deveriam ter prazo para começar e acabar”. Costa aproveitou para defender a realização de uma campanha nacional que garanta a criação de um fundo para construção e conservação de rodovias. “Precisamos levantar esforços para termos um país eficaz e eficiente.”

“Com pires na mão”

Por sua vez, o diretor presidente da Abder, Nelson Leal Jr, destacou: “A gente ouve falar de estrada, de melhoria na conservação, mas não ouve falar dos recursos. Tínhamos percentagem vinda do SID (imposto sobre combustível), mas o governo zerou e estamos com o pires na mão”.
Para sanar essa lacuna, “temos cobrado do Detran uma percentagem sobre o IPVA”, informou antes de reforçar as críticas. “O Governo abre financiamento para carros e caminhões e não vemos o mesmo cuidado para construção e conservação de estradas. Hoje, os estados fazem conservação por empréstimos. E quando essa capacidade acabar? Os DERs têm que ter o mínimo. Para o Detran, para os setores de Energia, Águas e Esgoto sobra dinheiro e para nós não tem”.

Terraplanagem da cabeça e pavimentação ética

Já o superintendente do DNIT, Fernando Melo Filho, falou sobre a segurança das estradas para usuários, enquanto a coordenadora da comissão organizadora do evento, Ana Maria Nascimento, se dirigiu aos estudantes. “Temos 25 expositores trazendo tecnologias e pesquisas e práticas, técnicos de alguns países compartilhando conhecimentos. Aqui, estão tendo a oportunidade de conviver com a nata do rodoviarismo no Brasil. Professores, pesquisadores, mestres em geotecnia, asfalto, consultores de projetos. Sugiro que perguntem. Não se sintam intimidados, o momento é de sala de aula e aqui também é uma sala de aula para saber mais e trocar experiências. Façam sua terraplanagem da cabeça com os conhecimentos adquiridos aqui. Pavimentem sua vida com a ética”.

Salários dignos

O presidente nacional da Mútua, caixa de Assistência dos Profissionais, engenheiro agrônomo Claudio Pereira Calheiros, chamou a atenção para “a importância dos profissionais que trabalham no setor ganhem o destaque merecido com o pagamento de um salario digno e de boas condições de trabalho”.
Roberto Fernandes, representante do prefeito de Maceió, destacou a importância da sintonia entre governo de estado e prefeituras. “Avançar em parcerias é fundamental para a população”. Ele também falou sobre a sensibilidade do município para ações conjuntas. “O rodoviarismo é apaixonante. Aprendi a amar e gostar do setor. Quem atua faz com amor, com o coração”.  
A 43ª RAPv e o 17º Enacor reúnem dezenas de lideranças do setor. Iniciado segunda-feira (28/7) pela manhã, o Enacor oferece minicursos sobre os mais variados temas, como Licenciamento Ambiental para Obras Rodoviárias, Dimensão e Controle de Pavimentos de Concreto e Sistemas de Transporte e Intermodalidade, por exemplo.
A partir desta quarta-feira (30/7), começam as sessões técnicas que vão tratar desde materiais de pavimentação, fontes de financiamento, até abordagens sobre horizontes e perspectivas do setor. 

Fonte: Confea

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