Competência e ética profissional levam as engenheiras ao auge de suas carreiras

Mulheres conquistam cada vez mais o mercado da área tecnológica ocupando espaços de liderança e prestígio

Com paciência, coragem e a delicadeza peculiar do gênero feminino as mulheres conquistaram espaços de destaque e importância, fazendo com que as histórias de mulheres frágeis, dependentes financeiramente e sem direito a voz e opinião fiquem em um passado muito distante.

Já estão em maior número em algumas áreas, sobretudo nas universidades de todo o país. Agora graduadas e pós-graduadas, avançaram no mercado de trabalho e ocuparam posições de liderança nas gerências, coordenações e diretorias nas mais diferentes áreas, antes exclusividade dos profissionais do sexo masculino.  São engenheiras, geólogas, agrônomas, geógrafas, meteorologistas, técnicas industriais, engenheiras mecânicas, entre outras, trabalhando em nível de igualdade de hierarquia com os homens.

No Conselho Regional de Engenharia e Agronomia de Santa Catarina há bons exemplos de como as mulheres, apesar da predominância de homens, vem mostrando seu talento, competência, responsabilidade e dedicação. Ao longo dos anos, elas ocuparam cargos de relevância mostrando que a mulher tem hoje o seu trabalho reconhecido e valorizado na área tecnológica. Num universo de 90 conselheiros titulares, seis são mulheres e todas ocupam cargos de coordenação nas câmaras especializadas e comissões e na diretoria do Conselho, conquistados por meio de eleição direta.

A engenheira ambiental sanitária e de Segurança do Trabalho Fernanda Vanhoni atua na área de limpeza urbana e gestão de resíduos e é professora da UNISUL. No CREA-SC é conselheira, coordenou a Câmara Especializada de Engenharia de Segurança do Trabalho em 2012 e 2013, foi coordenadora adjunta da câmara nacional e ocupa agora o cargo de 1ª vice-presidente na diretoria.

Para ela, o mercado da engenharia está aberto e receptivo às mulheres, sendo que as empresas buscam os melhores profissionais, independente do sexo, e selecionam àqueles que têm maior dedicação, vontade e proatividade. Apesar da predominância dos homens, existe respeito mútuo e uma competitividade sadia. Na área de segurança do trabalho, por exemplo, o número de mulheres é cada vez maior. É comum ver mulheres nas obras coordenando e orientando equipes.

“É necessário paciência e persistência. Sinto-me orgulhosa sempre que alguma mulher ocupa um cargo de destaque, pois certamente abriu mão de muitas coisas para chegar aonde chegou.”

Ela diz que as mulheres estão ocupando espaços de forma gradual e contínua e que em Santa Catarina homens e mulheres têm de fato os mesmos direitos. Em muitas regiões do país, as mulheres ainda são vistas como inferiores, dependentes, sofrem maus tratos do cônjuge porque não tem para onde ir. “Nessas situações, é preciso valorizar e resgatar a autoestima destas mulheres.”

Na opinião da engenheira agrônoma Rosicler Maria Vanti, Mestre em Ciência e Tecnologia de Sementes pela Universidade Federal de Pelotas, não houve exatamente uma abertura do mercado para as mulheres engenheiras e sim uma conquista dos espaços de forma perspicaz, contínua e, por vezes, sofrida, sendo que cada uma contribuiu ao seu modo e tempo.

“A valorização do trabalho feminino aconteceu gradativamente como consequência da competência, paciência e obstinação das mulheres. É uma vitória compartilhada entre os dois gêneros que sabiamente souberam compreender que a união faz a força e que a busca pelo conhecimento técnico científico e a aplicação dele é direito e responsabilidade de todos”, argumenta.

Ela explica que as mudanças ocorridas no ambiente profissional sob a liderança das mulheres são resultado de uma conduta mais altruísta e solidária, que busca o bem comum em paralelo a prática. Lembra que o crescimento pessoal e profissional é meta continua a ser superada e sugere que ponderação e aprimoramento técnico-científico aliado à feminilidade fazem toda diferença. “Os direitos e deveres são para todos”, conclui.

Rosicler é conselheira do CREA-SC, ocupa a coordenação da Comissão de Ética Profissional desde 2013, foi coordenadora adjunta em 2013 e eleita, em 2014, coordenadora nacional da Coordenadoria Nacional das Comissões de Ética dos Creas. Docente da Universidade do Sul de Santa Catarina em Ciência e Tecnologia de Sementes, Responsável Técnica pela Cooperativa Agropecuária de Tubarão, Rosicler também é diretora Executiva e Responsável Técnica por Agroás Agronomia Ltda e Conselheira do Conselho Municipal do Meio Ambiente de Tubarão (COMDEMA).

A Eng. Mec. e Seg. Trab. Sandra Aparecida Ascari trabalha na Prefeitura Municipal de Joaçaba, é responsável técnica na área de estruturas metálicas e perita da área mecânica e da justiça do trabalho. A engenheira iniciou seus trabalhos no CREA-SC como conselheira em 2011. Em seu segundo ano, assumiu a coordenação adjunta da Câmara Especializada de Engenharia Industrial e em 2013 passou à coordenadora, sendo eleita em Brasília como adjunta nacional.

Neste ano foi reconduzida ao plenário com mandato até 2016, reeleita coordenadora da câmara no estado e escolhida por unanimidade pelos 27 conselheiros dos CREAs, para conduzir os trabalhos da Câmara de Engenharia Industrial, sendo também eleita como coordenadora das nove Câmaras Nacionais do Confea.

Emocionada, a engenheira compromete-se em realizar um excelente trabalho em parceria com os outros estados e mostrar que as mulheres podem e devem acreditar em seu potencial e ocupar os espaços e cargos de liderança, sejam nas empresas, entidades, instituições de ensino ou órgãos governamentais com competência, responsabilidade e ética profissional.

"Acho que somos mais detalhistas, observadoras, e conseguimos trabalhar melhor em equipe, delegando tarefas e cobrando resultados, mostrando capacidade e autoridade, de forma gentil inerente a nós mulheres. E, acima de tudo com respeito a todos, pois isso é fundamental para liderança", destaca. "A valorização, o aperfeiçoamento e conhecimento técnico são necessários em todas as profissões. O prestígio vem com muito trabalho e dedicação profissional e pessoal”, finaliza.

 

Fonte: Crea-SC

Fotos: Crea-SC

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