Confea e Ipea debatem mercado de trabalho da Engenharia


O conselheiro federal José Geraldo Baracuhy afirmou que o Conselho Federal de Engenharia e Agronomia (Confea) tem contribuído para equilibrar a distribuição de profissionais da Engenharia no mercado de trabalho brasileiro. A declaração foi dada nesta quarta-feira (04/12), durante a gravação do programa Panorama Ipea, parceria do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) com a emissora NBR. Representando o presidente do Confea, engenheiro civil José Tadeu da Silva, que se encontrava na reunião do Colégio de Presidentes do Sistema Confea/Crea e Mútua, em Campo Grande, o engenheiro agrônomo José Geraldo Baracuhy participou do programa sobre “A Escassez de Engenheiros no Brasil”, tema da pesquisa publicada pelo Ipea, em novembro, desmistificando a teoria de que haveria risco de um “apagão” do setor no país. Um dos autores do estudo, o técnico de planejamento e pesquisa Paulo Meyer, debateu com o Baracuhy durante cerca de 30 minutos.
A contribuição da engenharia para o crescimento do país, a permanência de uma grande demanda por profissionais, registrada nos últimos 10 anos, e ainda a importância de iniciativas em prol do equilíbrio de sua melhor distribuição entre as diversas regiões e o papel das universidades e das empresas para a renovação do mercado da Engenharia no país foram alguns dos tópicos abordados pelo programa, mediado pelo apresentador João Cláudio Garcia. Outros pesquisadores e empresários do setor foram ouvidos pelo programa, que deverá ir ao ar no próximo dia 18 de dezembro, com reprises durante uma semana, no canal NBR. Entre eles, ficou claro que só se pode falar, ainda, em escassez de engenheiros em termos de qualidade, não de quantidade.  “Há poucos profissionais em meio de carreira”, levantou uma das pesquisadoras ouvidas. Programas como o Reestruturação e Expansão das Universidades Federais (Reuni), do governo federal, também foram lembrados pelos participantes do programa.

Incremento e esforço pela qualidade
“Há diferentes aspectos quando falamos em qualidade”, ponderou o pesquisador do Ipea. A demanda paulatina pela Engenharia, em alguns setores, em meados dos anos 2000, pode ter sido um dos fatores para este cenário, “exigindo esforços para a qualificação de novos engenheiros que chegam ao mercado”. Paulo Meyer fala em um “êxodo de duas décadas” para definir a ausência de políticas públicas que proporcionassem a renovação dos profissionais do país. “Quer dizer, a formação na década de 90 foi baixa, o que levou a que hoje tenhamos mais profissionais em idade avançada”, interveio o apresentador do programa, João Cláudio Garcia.  Ao que o conselheiro José Geraldo Baracuhy, citando dados como o incremento do número de profissionais registrados no Sistema Confea/Crea e Mútua e ainda o aumento de 98% do número de vagas nas universidades de Engenharia, argumentou que, de fato, nos últimos 10 anos, “após um período de estagnação até 2000”, a Engenharia experimentou “um incremento muito grande”.
Quanto à demanda, em si, teria sido marcada por “aquecimentos pontuais”, em 2004 e 2010, segundo o estudioso do Ipea. Tomando o setor público, o mercado financeiro e outros segmentos como parâmetro, ele descreve como indicador deste registro e como “Indicador de crescimento do país”, o número de profissionais empregados em “ocupações típicas”. Para Baracuhy, o incremento quantitativo é incontestável, “mas ainda devemos no qualitativo”. Ele informa que 40% dos formandos ainda estão em níveis 1 e 2 em uma escala do Ministério da Educação que vai até 5 para medir a qualidade da formação brasileira na área. “Por isso falamos ainda em escassez qualitativa, diante de uma evolução da inovação tão alta. O Sistema Confea/Crea e Mútua contribui para atender a essa cobrança da sociedade. A partir de 2014, o engenheiro poderá ter a extensão de sua atribuição com mais celeridade, procedendo uma formação complementar”, disse, referindo-se ao projeto substitutivo que altera a resolução 1.010 do Confea.
Outro esforço importante para o melhor equilíbrio na distribuição de profissionais de engenharia vem sendo promovido pelos setores industrial e empresarial. A inserção de profissionais recém-formados no mercado vem sendo acompanhada por treinamentos e imersões tecnológicas, em um processo de aproximação com a realidade dos diversos segmentos tecnológicos, especialmente no âmbito privado. “Historicamente, trabalhamos na lógica da oferta. Hoje, com a inovação, essa cultura tem se alterado, e o profissional tem que ter outras atribuições, componentes essenciais como a responsabilidade social, a ética e a língua estrangeira”, comentou o conselheiro do Confea. “A formação não termina no curso Superior. Os profissionais não chegam prontos para as empresas, que têm resistência para investir nisso. O Sistema S poderia expandir mais. Esse tipo de iniciativa ganha mais relevância e acredito que a formação deveria ser mais generalista para o profissional fluir em vários campos”, sugeriu Paulo Meyer.

Sem apagão e com salários justos e legislações atualizadas
Ao final do programa, o pesquisador do Ipea, Paulo Meyer, foi enfático. “Não há escassez generalizada, apagão, mas pode haver problemas localizados”. Entre eles, estariam a engenharia naval, engenharia petrolífera e o setor ainda aquecido da construção civil. “Foram registrados 600 novos cursos em 10 anos. Além destas áreas, ainda encontramos limitações na agrimensura. Mas tenho certeza que a adequação que o próprio Sistema vem fazendo, estimulando que o profissional tenha a extensão de atribuição, mantendo sua área, contribuirá para supri-las. Mas é importante lembrar que a inovação cresce rápido e tem cursos que não existiam há alguns anos”, aponta Baracuhy.
Quanto à regionalização das possíveis defasagens, Paulo Meyer afirma que se trata de um problema em qualquer carreira. “Quando os investimentos surgem, há um estrangulamento naquela região. Agora, o problema é a própria capacidade das prefeituras tocarem as obras”. Ponto que para Baracuhy envolve também o reconhecimento da valorização profissional. “Os salários pagos pelas prefeituras estão aquém do salário mínimo profissional. E também não há ofertas sem projetos qualificados”. O engenheiro agrônomo e conselheiro do Confea considera ainda outro gargalo que vem sendo bastante discutido pelo Sistema atualmente: sua legislação. Para ele, toda a flexibilização das atividades precisa acompanhar a modernização do balizamento jurídico. “O processo de sua atualização é muito lento”, lamentou.

Fonte: Confea

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