Paixão pela profissão e desejo de mudança marcam eventos da Agronomia em Cuiabá


Durante toda a semana, engenheiros agrônomos de todo o País e também da Argentina e da Jamaica, identificados pela paixão pela profissão assistiram a palestras, trocaram informações, experiências e, divididos em Grupos de Trabalho, debateram sobre legislação, fiscalização e ética no exercício profissional. 
A partir das discussões promovidas durante a 1ª Reunião de Conselheiros Federais e Regionais, e Profissionais de Agronomia e do 28º Congresso Brasileiro de Agronomia (CBA), os participantes propuseram ações que visam basicamente à valorização de quem atua na área e ao reconhecimento da importância da atividade, sócio e economicamente.  

Responsabilidade e formação generalista
Segundo a coordenação do Congresso, a Carta "tem a intenção de consolidar os resultados dos painéis e discussões travadas durante o congresso”. O processo de elaboração final do documento envolveu todos os participantes na análise e redação final do texto que destaca a responsabilidade dos agrônomos em garantir a segurança alimentar e nutricional da população, defende o desenvolvimento econômico e social, a inclusão da Confaeab junto ao comitê do Ministério do Desenvolvimento Agrário que coordena as atividades do Ano Nacional da Agricultura Familiar, em 2014. 
A Carta trata também da estruturação de novas cadeiras na grade dos cursos de Agronomia voltadas para produtividade, sociobiodiversidade, ampliação da compra de produtos regionais, por parte de governos estaduais e municipais, e a formação generalista, argumentando que novas tecnologias e atividades profissionais exigem a revisão dos  projetos políticos pedagógicos para incluir disciplinas conforme exigências do mercado.
Os participantes dos eventos acreditam que a criação de um fórum permanente de discussão – abrigado na rede agronomos.ning.com  – agregando os cerca de 100 mil agrônomos que atuam no País, fortalecerá o movimento que visa à valorização da categoria e oficializam a proposta no documento.
Sem esquecer da importância da assistência técnica gratuita para produtores,  “fundamental para a difusão de tecnologias”,  a Carta afirma que o momento “propicia a preparação de  políticas voltadas para o agricultor”. 
Com referência à segurança alimentar, os agrônomos reunidos em Cuiabá, querem o aprimoramento da legislação que envolve a prática da agricultura e, por último, reconhecem como indiscutível a consciência quanto à sustentabilidade e ao respeito às condições sociais e de trabalho. Certificações de origem, de trabalho socialmente justo e cadastro ambiental rural completam o documento que foi legitimado por cerca de 600 participantes da plenária final. 

Agenda de prioridades dos agrônomos 
Reunidos durante a 1ª Reunião dos Conselheiros Federais, Conselheiros Regionais e Profissionais da Agronomia, do Sistema Confea/Crea e Mútua, profissionais da agronomia de todo o País construíram uma agenda de interesses prioritários da categoria. Treze propostas foram aprovadas e serão levadas ao Confea – Conselho Federal de Engenharia e Agronomia. As sugestões foram divididas em três temas: Legislação (9 propostas), Fiscalização (2) e Ética (2).
Entre as propostas aprovadas, está a alteração da Resolução n. 218/73, que discrimina as atividades das diferentes modalidades da engenharia, para especificar que o engenheiro de pesca possa ser responsável pela fiscalização de embarcações pesqueiras, câmaras frigoríficas, entrepostos de pesqueiros, industriais e outras instalações de processamento de pescado, além dos locais de produção, manipulação, armazenamento e comercialização de produtos da aquicultura. Atualmente, essa atribuição é exclusiva de médicos veterinários, embora o engenheiro de pesca cumpra, durante sua graduação, disciplinas como tecnologia e máquinas para processamento de pescado, biologia e microbiologia aquática, entre outros.
Presidente da Associação de Engenheiros Agrônomos de Mato Grosso, João Dias Filho ressaltou,  na manhã desta sexta-feira, a importância de o Confea ter promovido o encontro dos engenheiros agrônomos durante o Congresso Brasileiro de Agronomia. “Nunca antes na história do Sistema ocorreu uma oportunidade como essa”, afirmou. 

Homenagem
Para a mesa de honra que presidiu a cerimônia de encerramento dos eventos, o último a ser chamado foi o professor e presidente da Academia Brasileira de Ciências Agronômicas, Eudes de Souza Leão Pinto, que aos 93 anos, diariamente participou das atividades, sendo um dos primeiros a chegar e dos últimos a sair. Ovacionado de pé por uma juventude encantada com a disposição e lucidez do professor, foi o personagem principal de uma das homenagens mais emocionantes já proporcionadas por eventos promovidos pelo Sistema Confea/Crea e Mútua.
Antes da solenidade, Eudes de Souza Leão Pinto dirigiu mesa redonda na  1ª Reunião dos Conselheiros Federais, Conselheiros Regionais e Profissionais da Agronomia, do Sistema Confea/Crea e Mútua. Durante o debate Eudes lembrou que há exatos 50 anos, em 22 de novembro de 1963, John Fitzgerald Kennedy (JFK) era assassinado. Aos cerca de mil participantes do debate, o presidente da Academia Brasileira de Ciência Agronômica contou sobre quando conheceu o ex-presidente norte-americano.
JFK dizia que os engenheiros agrônomos eram os benfeitores da humanidade, segundo contou Eudes, que conheceu Kennedy durante visita aos Estados Unidos na época da Guerra do Vietnã. “Nós ficamos verdadeiramente encantados com o que o presidente JFK compreendia ser o valor do agrônomo. Ao receber-nos, Kennedy nos apertava a mão e dizia: ‘sejam bem vindos à nossa pátria. O engenheiro agrônomo é o grande benfeitor da humanidade. É a ele que cabe alimentar a população do mundo’”, contou.
Eudes de Souza ponderou que, se a nação mais rica do mundo coloca tanta importância nos agrônomos, o Brasil tem que começar a fazer o mesmo. “Nossa nação não deve ficar dependendo da espera pelo progresso. Ela é o progresso em si mesma, pelo que tem de terras cultiváveis, pelo que tem de águas puras. Vamos trabalhar unidos de Norte a Sul, de Leste a Oeste”, concluiu.
Na sessão de encerramento dos eventos em Cuiabá, os conselheiros federais João Francisco dos Anjos e Ana Constantina Sarmento, representando o presidente do Confea, José Tadeu da Silva; Juares Samaniego, Angelo Petto Neto e João Dias Filho, presidentes do Crea-MT, da Confederação das Federações de Engenheiros Agrônomos do Brasil, e da Associação de Engenheiros Agrônomos de Mato Grosso, respectivamente; além do secretário municipal de turismo, Cesar Moreno, completaram o dispositivo de honra que assistiu estudantes e profissionais a redigirem e aprovarem o texto final da Carta de Cuiabá. 

Fonte: Confea

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