Encosta do viaduto do despraiado corre risco de deslizamento

A obra do viaduto do Despraiado, uma das mais adiantadas para a Copa 2014, está sendo motivo de preocupação para moradores do bairro Santa Helena, em uma área localizada no ponto mais alto do corte de solo feito pela empreiteira para a construção da passagem viária.

Esse corte originou uma encosta íngreme, livre de vegetação, ao final dos quintais das casas, colocando os moradores em iminente risco de desmoronamentos. Mário Cavalcanti de Albuquerque, geólogo do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia (Crea-MT), fez uma vistoria informal na região a pedido do Circuito Mato Grosso e comprovou que o talude (corte) praticado colocou a rocha em exposição, abrindo a possibilidade de deslizamentos na época das chuvas.

O geólogo explicou que o solo é constituído de rochas metamórficas, sedimentadas “em folhas”, e o corte provocou falhas e fraturas, ocasionando a perda de estabilidade (veja infográfico). Essa instabilidade pode ser corrigida com a construção de um muro de arrimo, mas a um custo muito alto.

Caso a contenção tivesse sido feita previamente, com a correção da instabilidade do talude, não haveria riscos de um possível solapamento [erosão]. Consequentemente, não haveria situação de insegurança para a população local.

O elevado risco de desmoronamento e queda de barranco é causado pela perda da coesão do material. As intempéries, isto é, a sucessão de períodos de chuva seguida de períodos de estiagem [sem chuva] começam formar no solo trincas e rachaduras que vão aumentando com o tempo. Como o solo está ‘em camadas’, há um deslizamento da camada mais externa que pode causar danos irreparáveis, como a perda de vidas humanas.

Albuquerque constatou que uma das rochas com fraturas está como um ‘iceberg’ e um bloco já foi solapado: “Mexeram numa caixa de marimbondos”, comparou o profissional.

Enquanto isso, na Avenida Miguel Sutil, no início do viaduto, operários da construtora Dracon realizam a construção da calçada sem haver a devida contenção da encosta. O Circuito Mato Grosso perguntou ao responsável da obra, que não quis se identificar, sobre a construção do muro de arrimo: “Nossa empresa foi contratada apenas para fazer as obras do viaduto. A Secopa é quem tem que responder isso!”. A reportagem reiterou a pergunta sobre o muro e ele foi categórico: “Do jeito que está, se não construírem um muro com alta sustentação, cai muro e caem as casas”.

De acordo com o chefe de fiscalização do Crea, André Schuring, a entidade não tem atribuição para fazer nenhuma denúncia nem mesmo junto à Defesa Civil neste caso. “Apenas podemos interferir se houver um pedido formal do Ministério Público Estadual”, explicou.

 

Fonte: Circuito Mato Grosso (http://www.circuitomt.com.br)

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