Plano Diretor propõe construção de prédios mais altos em Manaus

A ideia é fazer a cidade crescer para cima de forma mais densa e muito mais aglomerada do que atualmente


Proposta do Plano Diretor é fazer com que os espaços urbanos sejam aproveitados com prédios e não mais com construções na horizontal

Não tem como evitar que uma cidade que detém o 6º maior Produto Interno Bruto (PIB) do País pare de crescer. O desafio, então, é coordená-lo para que aconteça de forma adensada, ou seja, de forma aglomerada, ocupando intensamente o espaço urbano. Essa é uma das tarefas a ser realizada pelo Plano Diretor, principalmente quanto às políticas de habitação.

Uma das principais mudanças voltadas para a verticalização da cidade é quanto ao aumento do número de andares dos prédios. Atualmente, a Prefeitura autoriza a construção de no máximo 18 andares de apartamentos ou salas – os chamados gabaritos – e até três de embasamento, os pavimentos destinados a estacionamento, chegando a um total de 21 andares. De acordo com a proposta contida dentro das Normas de Uso e Ocupação do Solo, esse número poderá chegar a 25, com o aumento dos gabaritos e de pavimentos até quatro unidades.

“Isso contribui para diminuir o fator de espraiamento intenso da superfície da cidade (horizontalização), que encarece muito o custo público com estrutura como abastecimento de energia e água, transporte público, serviços de educação e saúde, entre outros”, explicou o arquiteto e urbanista Pedro Paulo Cordeiro, coordenador técnico da comissão de revisão do Plano Diretor junto à Câmara Municipal de Manaus (CMM).

Segundo ele, é preciso que a cidade “se internalize”, ocupando ao máximo os espaços vazios existentes. O principal benefício dessa medida facilitará não apenas as construtoras, mas também a vida do cidadão, segundo o presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Amazonas (Sinduscon-Am), Eduardo Lopes. “Se temos hoje seis torres com 12 pavimentos, num total de 72 apartamentos, acaba diminuindo o espaço para a construção de uma área de convivência mais confortável, ao passo que isso se torna possível com a construção de três torres de 25 pavimentos”. Esse tipo de empreendimento, no entanto, está previsto apenas para áreas que detém considerável estrutura urbanística, principalmente vias largas. As avenidas Umberto Calderado Filho (antiga Paraíba), Mário Ypiranga Monteiro, Boulevard Álvaro Maia e Djalma Batista são exemplos disso. “Somos contra essa ‘privatização’ da orla de Manaus. Esse tipo de prédio é voltado apenas para as classes mais ricas. O pobre vai continuar sem ver o rio”, afirmou o coordenador da Central de Movimentos Populares do Amazonas, Alexandre Simões. Ele é a favor da permanência dos prédios em 21 andares. Uma das dez propostas apresentadas pela sociedade civil durante a elaboração do projeto foi a que estabelece empreendimentos de interesse social, como o programa “Minha Casa Minha Vida”. A Central  acrescentou a construção de mais um gabarito nesse tipo de moradia, ampliando de quatro para cinco, sem a necessidade de elevador. “Antes o número máximo era quatro andares, mas acreditamos que vamos beneficiar mais famílias”, afirmou Alexandre Simões.

 

Fonte: A crítica.com

Foto: Clóvis Miranda

 

 

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