Ética em verso e prosa

Por praticamente duas horas, o ministro Carlos Ayres Britto, que presidiu 50 das 53 sessões do Supremo Tribunal Federal no julgamento do Mensalão, “hipnotizou” o público que superlotou o auditório Master do Centro de Convenções Serra Park, o qual abriga até a tarde de hoje a 70ª edição da Semana Oficial da Engenharia e da Agronomia, promovida pelo   Sistema   Confea/Crea   e   Mútua, juntamente com o 8º Congresso Nacional de Profissionais.
Três  vezes interrompido por aplausos e ao final de sua participação aplaudido de pé por cerca de 3 mil pessoas, Carlos Ayres Britto discorreu sobre a “A ética nas relações humanas, políticas e profissionais” e parabenizou a inclusão da ética no eixo temático dos dois maiores eventos profissionais da área tecnológica brasileira.  Ayres Britto defendeu que pode parecer pieguice, mas praticar a ética é uma exigência da sociedade que se preza e busca grandeza civilizatória. Acerca da ética e do respeito no ambiente profissional, observou a importância da liturgia dos cargos. Exemplificando, dirigiu-se ao presidente do Confea, José Tadeu da Silva, que coordenou os trabalhos, ao lado do ministro: “O presidente José Tadeu é uma autoridade no Sistema, a autoridade dele nada tem a ver com o indivíduo. Todo o prestígio dele vem do cargo para o qual foi eleito. Exercendo bem as funções do cargo, é digno de respeito, relevância e gratidão”, recomendou.
O ex-presidente do STF, sempre com fala calma, pausada, utilizou uma linguagem simples e direta ao falar sobre política. Lembrou-se de Ronald Reagan, para quem “A política é a segunda profissão mais antiga do mundo, mas se parece muito com a primeira”. Também lembrou os espanhóis que têm um ditado: “querem saber quem é Juanito? Dá-lhe um carguito”. Para Ayres Britto, o “país vive um momento de transição”. Como exemplo, citou  as manifestações das ruas em junho, “um movimento inusitado” e “uma expressão de maturidade da democracia brasileira”. Lembrando Ulysses Guimarães, que há 25 anos classificou a Constituição de 1988 como a “Constituição Cidadã”, o ex-presidente do STF afirmou que  “é na democracia que a cidadania se torna mais ativa, fazendo com que a sociedade seja protagonista de suas inquietudes, anseios e expectativas em torno de um Brasil mais sério e ético em todas as áreas”.

Fonte: Confea

Deixe seu comentário

Seu endereço de e-mail não será publicado.