Indústria aposta para faturar alto

As empresas de materiais de construção ampliaram o uso da capacidade instalada em agosto e elevaram a expectativa em relação aos investimentos previstos para os próximos meses, segundo pesquisa da Associação Brasileira da Indústria de Materiais de Construção (Abramat). A média de utilização da capacidade instalada das indústrias do setor é de 83%, acréscimo de 1 ponto percentual sobre o nível observado no trimestre anterior.
Em agosto, 74% das indústrias de construção disseram que pretendem investir nos próximos 12 meses, 4% acima das intenções registradas em julho. No mesmo período do ano passado, a intenção era de 67%. Segundo o presidente da entidade, Walter Cover, as vendas para o varejo, que representam cerca da metade da receita do setor, devem crescer 5% em 2013.
A pesquisa da Associação revelou que 62% das empresas acreditam que as vendas continuarão boas no mercado interno este mês. Em agosto, 56% das companhias avaliaram o desempenho como bom, um avanço de 11% sobre o índice de satisfação medido em julho.
Em Campinas/SP, a Cerâmica Mingone, indústria familiar que atua no setor ceramista há quase 80 anos, pretende triplicar a capacidade instalada de fabricação de revestimentos cerâmicos rústico, produto cuja produção atualmente ocupa menos de 10% do complexo industrial localizado no final da Avenida das Amoreiras, no bairro São João.
O diretor Maurício Mingone concorda que agosto foi um mês com reação de 10% de aumento da demanda, elevação absorvida pela indústria, que mantém capacidade ociosa para a fabricação de lajes e blocos estruturais. “Nesse momento aguardamos a consolidação da demanda, que teve um piso isolado no mês passado e queda de 20% no primeiro semestre do ano, para justificar investimentos nesta unidade”, aponta o executivo da empresa.
Enquanto a reação do mercado ainda não justifica ampliações na capacidade instalada para a produção de blocos e lajotas, materiais básicos de construção focados em atender construtoras e o consumidor final, e que registraram este ano queda respectiva de 20% e 12% em cada item no período anterior, a situação dos revestimentos segue outro rumo. Resta agora saber se o aquecimento na demanda é impulsionado pela novidade dos produtos lançados no mercado no final do ano passado ou se o segmento de revestimentos está mesmo aquecido. Para atender a
procura pelas cerâmicas rústicas para aplicação em fachadas, áreas internas e espaços de lazer, a empresa irá triplicar a capacidade atual de produção do produto com uma nova planta na região do Aeroporto Internacional de Viracopos, próximo à jazida utilizada pela empresa. A unidade deve entrar em operação no próximo ano.

Segundo Mingone, a cerâmica rústica é um produto que concorre com revestimentos importados e que já desperta interesse em mercados de regiões próximas. Por ser um item de maior valor agregado, justifica o frete para sua distribuição em outros mercados, o que só não ocorreu ainda em razão de não haver capacidade instalada para atender à demanda, e que deverá ser sanada com a construção da nova fábrica.

Fonte: Obra24horas

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