Carreira de geólogo possibilita trabalhar em áreas como mineração, construção civil e prevenção de acidentes

Vestibulanda tirou dúvidas sobre a profissão com especialista em hidrogeologia e fundador da Sociedade Meteorítica Brasileira (SMB)

O mercado de trabalho do geólogo tem se expandido junto à necessidade de se realizar estudos de mapeamento em áreas como a mineração, a construção civil e a prevenção de acidentes. O profissional Rodrigo Del Omo Sato, especialista em hidrogeologia e fundador da Sociedade Meteorítica Brasileira (SMB), recebeu a vestibulanda Mariana Pereira Koerich, 21 anos, para conversar sobre a profissão.

O mercado de trabalho do geólogo tem se expandido junto à necessidade de se realizar estudos de mapeamento em áreas como a mineração, a construção civil e a prevenção de acidentes. O profissional Rodrigo Del Omo Sato, especialista em hidrogeologia e fundador da Sociedade Meteorítica Brasileira (SMB), recebeu a vestibulanda Mariana Pereira Koerich, 21 anos, para conversar sobre a profissão.

Como foi o bate-papo

Mariana Pereira Koerich — Como funciona a relação entre a teoria e a prática no curso de Geologia?

Rodrigo Sato — A teoria é bem importante, mas tem que haver muito campo — e muito mesmo! Não dá para levar a montanha até o laboratório e estudá-la, então é preciso ir até lá e botar a mão na massa. Esse é justamente um dos principais problemas que os cursos novos estão enfrentando: estudar Geologia é caro porque há muita saída de campo, e os alunos eventualmente precisam ficar dias fora para conhecer os diversos tipos de terreno antes de se formar. Antigamente, achava-se uma fonte de minério ou de petróleo por um processo de tentativa e erro. Hoje, com a evolução da tecnologia, conhecemos mais a fundo as diversas sutilezas da terra e sequer se abre uma jazida se não houver maneira de recuperar o local posteriormente.

Mariana — Como é o curso da Universidade Federal de Santa Catarina comparado aos de outras universidades?

Sato — O que eu tenho percebido não apenas na UFSC é a constante falta de professores. É muito bom ter uma faculdade aqui, mas como o mercado está superaquecido, os salários também têm aumentado progressivamente e a carreira acadêmica está ficando menos interessante. E isso não acontece apenas nas universidades: pode-se dizer que tem havido um esvaziamento em órgãos que precisam dos geólogos devido às inúmeras possibilidades que estão se criando fora do âmbito público.

Mariana — Muita gente vê na Petrobras o principal campo de atuação do geólogo. Como é trabalhar lá?

Sato — Depois da descoberta do pré-sal, a Petrobras tem feito uma campanha muito grande para a contratação de mais geólogos. É uma carreira interessante, mas eu não a seguiria. Um geólogo da Petrobras se especializa em petróleo, que é um dos campos mais promissores dentro da carreira, mas quais são as empresas que têm permissão para explorar petróleo no Brasil? A própria Petrobras ou as empresas que recebem concessão do governo, diferentemente de quem quer retirar minérios como o ferro. A carreira dentro da Petrobras é excelente para quem pretende passar muito tempo na empresa e se tornar um grande especialista, talvez até a sua aposentadoria.

Onde estudar no RS

O curso é oferecido em três universidades e dura cinco anos

UFRGS (Porto Alegre)

Com 40 vagas, o bacharelado tem viés profissionalizante e, ao mesmo tempo, científico. O currículo inclui atividades de campo, bem como disciplinas de formação profissional teórico-prática.

Unipampa (Caçapava do Sul)

Caçapava do Sul é uma das maiores províncias minerais do Brasil com rochas e fósseis de aproximadamente 2,2 bilhões de anos. São 50 vagas.

Unisinos (São Leopoldo)

O curso tem 10 vagas e está dividido em programas práticos, com 300 horas de atividades de campo. A Unisinos oferece disciplinas ministradas totalmente em inglês.

Áreas de especialização

Como a Geologia é uma área multidisciplinar, o espaço para o profissional é imenso: a hidrogeologia, por exemplo, estuda a água subterrânea; a geotecnia estuda a instabilidade de declives e ladeiras; a geofísica investiga o solo por meio de imagens para determinar que processos devem ser usados na exploração dele; a geomedicina trabalha com a relação entre os minérios e a saúde; a mineralogia se dedica ao estudo das propriedades físicas e químicas dos minérios.

O geólogo também pode atuar na Paleontologia (ciência que estuda o passado da Terra pela análise de fósseis) sem especialização posterior, ao contrário de outras áreas. Outras possibilidades estão surgindo no mercado, mas, como salienta o geólogo Rodrigo Sato, todas são novas e começam agora a encontrar seu espaço.

Do que é preciso gostar

O perfil do geólogo é muito amplo e depende de que área específica cada profissional seguirá. Entretanto, Sato explica que a principal exigência é a disposição para botar o pé na rua. Para os que não gostam disso, também há bastante campo para estudos laboratoriais, como a análise de minérios. Mas a atividade exige bastante versatilidade por parte do pesquisador, que não terá rotina.

Opções de atuação

O trabalho do geólogo se concentra em dois focos: no âmbito público, há trabalho em órgãos de engenharia e de planejamento urbano, como a Agência Nacional de Petróleo e a Petrobras, o Serviço Geológico do Brasil (CPRM) ou o Ministério de Minas e Energia. Já no privado, o mercado se concentra em empresas de engenharia civil, sanitária, de mineração, de agricultura e agropecuária e de ecoturismo.

Mercado de trabalho

Rodrigo Sato explica que o primeiro grande momento da Geologia no Brasil foi durante o Regime Militar, quando grandes obras do governo (como a Hidrelétrica de Itaipu e a Usinas Nuclear de Angra dos Reis) exigiam um número elevado de análises geológicas. Durante as décadas de 1980 e 1990, a profissão esteve em baixa, mas a crescente preocupação com o meio ambiente tem feito a área despontar.

— Há duas décadas, ninguém sabia dizer o que fazia o profissional formado em Geologia. Hoje, não se pode fazer nenhum tipo de exploração, obra de saneamento ou análise de solo sem a presença de um geólogo — explica Sato

Fonte: Zero Hora

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