Setor de material de construção revê previsão para 2013

O ritmo mais fraco nos segmentos de infraestrutura levou a indústria de materiais de construção a reduzir a previsão de crescimento das vendas em 2013. Inicialmente, a Associação Brasileira da Indústria de Materiais de Construção (Abramat) trabalhava com expansão de 4,5% no ano. Agora, projeta alta de 4%, em um ajuste classificado pelo presidente da entidade, Walter Cover, como "nada desastroso". 
Apesar da revisão, as empresas têm mostrado otimismo crescente nos últimos meses. Segundo termômetro mensal da associação, após um "bom" mês em agosto – 56% das indústrias avaliaram dessa forma o desempenho das vendas -, 62% delas indicaram que acreditam na manutenção desses parâmetros em setembro. Em julho, esse índice havia ficado em 44%. 
Além disso, 74% das empresas de materiais de construção disseram em agosto que pretendem investir nos próximos 12 meses. Em julho, essa mesma resposta havia sido dada por 70% das indústrias. 
Responsável por cerca de 22% das vendas da indústria de materiais de construção no país, o setor de infraestrutura tem avançado em ritmo mais lento do que o esperado em razão do atraso em obras, sobretudo na esfera pública. Dificuldades para obtenção de licenciamento, entre outras, segundo Cover, têm postergado o início de obras e, consequentemente, a compra de materiais de base, como aço e cimento. 
Não à toa, em 2013, a Abramat vê expansão de 2,5% nas vendas desse tipo de material de construção, enquanto os itens de acabamento – como cerâmicas e tintas – deverão fechar o ano com crescimento de 5,5%. 
Esse descolamento já aparece nos números da indústria no acumulado até julho, período em que a taxa de expansão geral, na comparação anual, foi de 3,7%. No intervalo, as vendas de materiais básicos subiram 2,5% e, em 12 meses até julho, mostraram alta de 0,8%. Já em materiais de acabamento, a taxa de crescimento de janeiro a julho ficou em 5,8% e, em 12 meses, em 4,9%. 
Conforme Cover, enquanto o segmento de infraestrutura anda meio de lado em 2013, os negócios no varejo e no segmento imobiliário seguem acelerados. Responsável por cerca de 50% das vendas da indústria de materiais de construção no país, o varejo deve mostrar expansão de 7% neste ano. Já no segmento imobiliário, que contribui com aproximadamente 28% das vendas, o crescimento deve ficar entre 1,5% e 2%. 
Jogam a favor da indústria o câmbio – favorável às exportações -, a disponibilidade de crédito, o nível de emprego e a desoneração do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), que chegou ao seu quinto ano consecutivo. O pleito da indústria, neste momento, é por nova prorrogação para 2014 – conforme Cover, o setor está otimista e acredita que o governo poderá a anunciar a medida nas próximas semanas. 
Especificamente em julho, o faturamento total deflacionado das vendas de material de construção no mercado interno cresceu 3,3% frente ao mês anterior e 3,6% na comparação anual. Já o nível de emprego ficou praticamente estável, com alta de 0,1% em junho e queda de 0,9% na comparação anual. 
No segmento de materiais básicos, permanece o reflexo do menor ritmo do setor de infraestrutura. Em julho, as vendas cresceram apenas 0,7% ante o verificado no mesmo mês de 2012 – porém subiram 3,6% frente a junho. Por outro lado, as vendas internas de materiais de acabamento avançaram 7,8% em julho, frente ao mesmo mês do ano passado, e 2,8% ante junho. 
A percepção dos empresários quanto "ao ritmo na execução das obras das novas concessões em infraestrutura e ao estado geral da economia", conforme Cover, explica o fato de a maior parte das empresas, ou 71%, estar indiferente quanto às ações do governo para o desenvolvimento do setor no médio prazo. Em julho, 60% das empresas se declararam indiferentes. 

O nível atual de utilização da capacidade instalada da indústria é de 83%, 1 ponto percentual acima do índice verificado no mês passado. 

Fonte: Obra24horas

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