Mercado de reforma exige R$ 32 bilhões ao ano

O estoque brasileiro de moradias é de 61 milhões de unidades e tem aumentando progressivamente ao longo dos anos. Mas as residências construídas precisam de manutenções periódicas. Sem reformas, as casas se deterioram. Para manter esses imóveis em condições adequadas, os brasileiros precisariam investir cerca de R$ 32 bilhões em reformas por ano. Nos próximos 12 meses, 16,8 milhões de residências do Brasil passarão por algum tipo de reforma.

Essas são algumas das conclusões de dois estudos encomendados pelo Clube da Reforma à LCA Consultoria e ao Instituto Data Popular.
O setor de reforma tem importante papel na busca pela redução do déficit habitacional brasileiro – até 2024, o Brasil precisa construir cerca de 23,4 milhões de novas moradias para atender a essa demanda, segundo estudos da Fundação Getúlio Vargas (FVG) para o Construbusiness.
Aproximadamente 35% do PIB da construção civil provem do mercado de autogestão, que engloba gastos com novas unidades, ampliação e melhorias, além de reformas para conter a depreciação das moradias. “Esse mercado tem grande potencial de expansão, pois o aumento da renda, acompanhado da melhora da distribuição de renda e da maior disponibilidade de crédito, fez com que milhões de famílias passassem a ter acesso a novos produtos e serviços”, analisa Carina Saito, coordenadora de Autoconstrução da ABCP e responsável pelo Clube da Reforma.
Em outubro de 2012, o governo federal aprovou novas regras para financiamento de materiais de construção com recursos do FTGS, com o objetivo de ampliar as linhas de crédito tanto para construção quanto para as reformas. Até dezembro de 2013 serão liberados R$ 300 milhões.
A pesquisa encomendada pelo Clube da Reforma ao Instituto Data Popular ouviu 3.969 pessoas entre agosto e setembro de 2012 e constatou que, em 2011, aproximadamente 12 milhões de moradias passaram por algum tipo de reparo. Segundo os entrevistados, as reformas foram feitas para resolver problemas (35%), valorizar o imóvel (21%), melhorar a estética (21%) e aperfeiçoar o uso do espaço interno (17%), entre outras motivações. Apesar de o número de reformas ser grande, esse tipo de obra também enfrenta a competição de outros setores, que acabam prevalecendo na hora de o consumidor decidir investir seu dinheiro. “A pesquisa identificou que a reforma tem um aspecto emocional, relacionado à intimidade, à sociabilidade e ao reconhecimento. Mas, quando o consumidor tem um dinheiro sobrando, ele prefere comprar um celular novo, uma televisão de última geração ou um eletrodoméstico, que também traz esse sentimento de renovação da casa”, explica Carina Saito.
O mercado de reforma tem grande potencial de expansão, pois grande parte das famílias das classes D e E revelam a necessidade de reformas em suas casas. O mercado de reforma brasileiro é bastante promissor, mas faltam ferramentas que facilitem esse processo para o consumidor. “A reforma é uma boa opção para diminuir o déficit qualitativo de residências, pois atinge mais pessoas e é mais barato do que as demais alternativas de habitação”, analisa Carina Saito. 

A casa dos sonhos do brasileiro
A pesquisa também mostra a demanda por reforma a partir da ótica regional. Os moradores do Centro-Oeste são os que mais apontam a necessidade de reforma (63% dos entrevistados na região). Na região Norte, apenas 28% afirmam que suas residências precisam ser reformadas. Pintura é a principal necessidade de reforma nos imóveis, segundo 62% dos brasileiros. Colocação ou troca de pisos e azulejos (27%), acabamento nas paredes (27%) e conserto nos telhados são outras necessidades prioritárias.
Além disso, ter um espaço planejado, bem distribuído, ventilado e com boa circulação de ar são as principais características da “casa dos sonhos” para dois terços dos brasileiros. Para 59% dos entrevistados pelo Instituto Data Popular, a casa deve ter também segurança reforçada, principalmente com muros e câmeras, ser bem iluminada e ter janelas grandes. Apenas um terço dos brasileiros considera importante ter uma área verde ou jardim em suas residências, mesmo contingente de pessoas que afirmam que as moradias devem ser bem equipadas com móveis e eletrodomésticos.
A casa dos sonhos também varia de acordo com a região. Os moradores de Recife valorizam a maior integração dos cômodos com o espaço externo, como forma de deixar os ambientes mais arejados. Para os paulistas, ela seria em locais afastados da capital (interior ou litoral). Mas, independentemente da região ou classe social, a maioria gostaria de reservar um espaço para interação e lazer com amigos e famílias, como churrasqueira, piscina, campo de futebol.

A busca pela qualidade e o poder de decisão
Aproximadamente 3/4 dos proprietários ou locatários de imóveis usam profissionais conhecidos ou indicados para tocar as obras – 5% deles contratam empresa de construção. Somente 12% dos imóveis são reformados pelo próprio morador, por um vizinho ou pelo sistema de mutirão. A pesquisa do Clube da Reforma mostra que a contratação de mão de obra qualificada é uma das grandes preocupações do brasileiro na hora de decidir reformar a casa: 79% dos entrevistados preferem contratar profissionais conhecidos e com boa referência no círculo social.
Nas obras de reforma, apenas 10% das pessoas delegam aos profissionais contratados a compra de materiais. Mas em relação aos materiais básicos (cimento, ferragens, tubos e conexões), quase um terço dos brasileiros deixa a escolha das marcas dos materiais para os profissionais de construção civil ou para os balconistas de lojas especializadas. “Isso porque a parte estrutural da reforma é a que mais demanda qualidade e confiabilidade da marca, pois dela depende a durabilidade e segurança da obra”, complementa a arquiteta.
A pesquisa do Instituto Data Popular mostra que, para a maioria das pessoas, economizar é a palavra de ordem em qualquer reforma. Em média, os brasileiros estão dispostos a gastar R$ 4.445,00. Mas tudo depende de quem dá a palavra final, pois os homens têm expectativa de gastar R$ 3.603,00 nas reformas, enquanto as mulheres admitem gastos de R$ 5.250,00. A mulher, de acordo a pesquisa, é quem está disposta a gastar mais, principalmente com artefatos de decoração. O homem é o responsável pela contratação da mão de obra e pela compra dos materiais que garantem a estrutura da obra. “Bom planejamento de prioridades, orçamento controlado, profissionais qualificados e materiais de qualidade ajudam o morador a melhorar seu espaço com mais segurança e tranquilidade”, finaliza Carina.

Fonte: Obra24horas

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