São Paulo tem construção entre as 18 mais sustentáveis do mundo

A cidade de São Paulo possui um dos dois empreendimentos escolhidos como um dos 18 projetos mais sustentáveis do mundo pelo Climate Positive Development Program, iniciativa da Fundação Clinton e do U.S Green Building Council. O Parque da Cidade, megacomplexo com prédios residenciais, comerciais, shopping e hotel, em construção no Brooklin, zona sul, foi considerado referência internacional de desenvolvimento urbano e redução da emissão de CO2. O catarinense Pedra Branca Cidade Sustentável, da cidade de Palhoça, também faz parte da lista.

O Parque da Cidade, da Odebrecht, tem custo estimado em R$ 4 bilhões e deve economizar R$ 500 mil na sua fase de obras por conta de iniciativas sustentáveis, segundo a construtora. Construído em uma área de 82 mil metros quadrados, ele terá cinco torres corporativas, uma torre de salas comerciais, duas torres residenciais, um shopping center e um hotel. O empreendimento terá 22 mil metros quadrados de área verde, aberta 24 horas para o público. O complexo deve ficar pronto em 2019 e terá a circulação de aproximadamente 65 mil pessoas por dia.
O "canteiro de obras sustentável" do Parque da Cidade inclui um sistema de captação de energia solar, uso de lâmpadas LED e ar condicionado com sistema para economia de energia elétrica. Além disso, é feita a captação de água da chuva, que passa por um tratamento brando e é utilizada nos banheiros. Os sanitários têm um sistema de esgoto a vácuo, que promove economia de água. Durante os seis anos de construção do empreendimento, devem ser poupados 27.600 m³ de água e 20% de energia elétrica.
"O fato de dispormos de um grande terreno e bastante tempo de construção nos permitiu transformar o canteiro em um laboratório, experimentando conceitos sustentáveis a serem aplicados quando o empreendimento estiver pronto", explica o diretor de engenharia e construção da Odebrecht Realizações Imobiliárias, Eduardo Frare, responsável pelo projeto.
Ele afirma que o "canteiro sustentável" também tem o papel de educar as pessoas em relação a práticas que visam a economia de água e energia, além da destinação adequada de resíduos. "Temos um sistema de coleta de resíduos disponibilizado para a comunidade do entorno, onde as pessoas podem trazer seu lixo para fazermos a destinação correta, seja de óleo de cozinha, baterias, computadores, lixo orgânico." Em três meses, foram coletados 1,8 tonelada de resíduos.
No canteiro de obras, foi montada uma usina de concreto própria, com o objetivo de diminuir a circulação de caminhões pela cidade. A previsão é de que, durante os seis anos, sejam rodados 200 mil quilômetros a menos.
A iniciativa, no entanto, tem impacto na mão de obra. Com a adoção dessas medidas, o número de funcionários é reduzido de mais ou menos 4 mil para 2 mil. Para Frare, menos pessoas circulando no canteiros significa mais segurança. "Se obras já são incômodas para quem mora perto, imagine para quem está trabalhando lá, todo dia. Fora os transtornos causados por uma equipe grande em uma obra num espaço urbano – são 4 mil funcionários vindo de carro ou ônibus."
Os trabalhadores têm disponível um totem informativo, com dados sobre o consumo de água, energia e emissão de CO2 da obra. O dashboard também tem conexão com sites de órgãos como CPTM e SPTrans e traz informações sobre linhas de ônibus, metrô, trem, voos, horários de trânsito etc.

Medidas devem ser avaliadas
A engenheira civil Cilene Garcia, do grupo Eesc Sustentável da Escola de Engenharia da USP de São Carlos,  focado em construções sustentáveis e áreas verdes, afirma que canteiros desse tipo são, de fato, uma tendência, mas nem todas as iniciativas de sustentabilidade são simples de serem adaptadas e requerem uma avaliação.

"O reuso de água, por exemplo, envolve questões normativas complicadas, porque aquela água captada pela chuva só pode ser usada para alguns fins, em que não haja o risco de uma pessoa consumi-la", explica Cilene. Ela acrescenta que nem sempre essa medida é rentável porque implica no custo adicional de bombeamento da água, que gasta energia, e no uso de tubulações diferentes e separadas. "Se a obra não vai durar bastante tempo, não se justifica fazer isso, porque o gasto não vai ser diluído."
Em relação à usina de concreto própria, a engenheira diz que essa é uma prática comum em obras grandes, em que há bastante espaço. "Até porque a empresa economiza gastos com gasolina e evita que os caminhões fiquem parados no trânsito." Sobre os painéis de energia solar, Cilene afirma que a captação é muito baixa e supre apenas a iluminação, que não chega a 1% dos gastos do canteiro. "O interessante é captar energia suficiente para usar com os equipamentos, que demandam alta potência e proveriam uma economia maior, mas seriam necessários mais painéis e, logo, mais espaço."
As iniciativas sustentáveis em um canteiro de obras podem ser, no entanto, variadas. Cilene conta, por exemplo, que nas obras do grupo da Escola de Engenharia, têm sido utilizadas telhas recicladas para o fechamento da construção, em vez de chapas compensadas (tapumes de madeira comumente usados para cercar obras). "Apesar da telha ser mais cara, ela dura mais tempo e pode ser usada outras vezes, enquanto a chapa é jogada fora e vira resíduo."

Fonte: Obra24horas

Deixe seu comentário

Seu endereço de e-mail não será publicado.