Preconceito dificulta entrada de mulheres na construção civil do DF

Participantes do programa "Mulheres na Construção" pedem articulação do governo.
Azulejistas e pintoras formadas pelo programa "Mulheres na Construção" do GDF, acreditam que a presença feminina na construção civil só pode ser possível com a articulação governamental, pois elas têm tido dificuldades de se manterem empregadas.
De acordo com a Secretaria da Mulher, apenas 20% das 322 profissionais formadas no IFB (Instituto Federal de Brasília) pelo programa "Mulheres na Construção" estão empregadas.
Lucilene Fernandes Inácio, 47 anos, fez a capacitação em setembro do ano passado, mas só conseguiu emprego sem carteira assinada e decidiu desistir.
Pouco tempo depois, Lucilene Fernandes foi contratada por uma empresa de engenharia para emassar e lixar as paredes de uma obra, mas só ficou por 19 dias.
— Eles pegaram oito mulheres, mas pouco depois demitiram a maioria. Eu faço o serviço como um homem faz
Lucilene agora é estagiária da Escola Técnica de Brasília e a possibilidade profissional veio pela Secretaria da Mulher.
Nívia Maria Batista da Conceição, 36 anos, fez o curso para pintor e azulejista e conseguiu emprego na área, com carteira assinada, mas revelou que o preconceito sofrido diariamente a levou a pedir para mudar de função.
— Éramos duas mulheres e um monte de homens e eles vinham para a gente dizer que o serviço não estava rendendo só porque somos mulheres. Eu e minha colega fizemos três apartamentos, os homens fizeram quatro
Conceição e sua colega eram pintoras e precisaram emassar e lixar as paredes, preparar para a pintura. Ela explicou que suportou por dias a implicância dos colegas, mas que desistiu ao ouvir dos superiores as mesmas críticas.
— Eu estava emassando uma parede e o engenheiro veio me perguntar se eu não cansava, já que era serviço de homem
Para proporcionar um momento de interação entre as profissionais e as construtoras, a pasta oferecerá um café da manhã na quinta-feira (15), a partir das 9h, no campus do IFB de Samambaia.
A ação faz parte do calendário especial de atividades da pasta, em comemoração ao sétimo ano da Lei Maria da Penha. No encontro, elas terão a oportunidade de emitir a Carteira de Trabalho e serem inseridas no sistema de oferta de empregos das Agências do Trabalhador do GDF.
Dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) 2011 mostram que o trabalho doméstico deixou de ser a principal atividade empregatícia.
Hoje, elas estão mais presentes no comércio, que responde por 17,6% dos empregos, e em segundo lugar estão as atividades de educação, saúde e serviços sociais com 16,8%.

Fonte: Jornal de Brasília

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