Mercado de restauração

De acordo com o Conselho Deliberativo do Patrimônio Cultural de Belo Horizonte/MG existem cerca de 700 imóveis comerciais e residenciais tombados na capital. Há ainda 1,5 mil construções aguardando a conclusão do processo que verifica a possibilidade de tombamento. Esses números contribuíram para a expansão e investimento no mercado de recuperação e restauração de imóveis tombados. “É um nicho muito específico de trabalho e que exige um alto grau de conhecimento para executar com eficiência a recuperação do patrimônio. O grande número de imóveis tomados em Belo Horizonte fez surgir uma demanda crescente por profissionais qualificados para a execução correta desse serviço que exige paciência, cautela e muito trabalho de investigação e pesquisa”, informa a especialista em projetos Izabel Souki.
Izabel destaca que o principal diferencial desse mercado é que necessita de uma parte mais documental e de análise, que deverá ser previamente aprovada pelo Conselho Deliberativo do Patrimônio Cultural. O órgão é integrado por representantes da Fundação Municipal de Cultura, de secretarias municipais, da Câmara Municipal, do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), do Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico (Iepha) e da sociedade civil. Quem desrespeitar as normas estabelecidas pode pagar multa de 50% sobre o valor do dano causado. “É preciso analisar e detalhar minuciosamente cada parte que será restaurada e reformada para que o projeto seja aprovado pelos órgãos acima citados. Como por exemplo, condição da estrutural da edificação, danos existentes em portas, janelas, pisos, tetos, etc”, completa. 
O momento da execução do projeto é um trabalho intenso para pesquisar a origem da construção e concretizar de forma perfeita e com alta fidelidade as reformas. “É preciso realizar uma pesquisa histórica do imóvel, ver em qual época e em qual estilo ele foi criado e quais as técnicas usadas. A partir daí é feito um trabalho de busca de materiais e produtos que se assemelham aos usados na construção, uma vez que a maioria dos originais já não é mais encontrada no mercado. Nesse tipo de trabalho o fundamental é escolher e especificar materiais que serão o mais próximo possível da edificação original”, destaca a especialista.
Izabel destaca um trabalho recente voltado para restauração que envolveu projeto de uma casa no bairro de Santa Efigênia, onde foi projetado reforços estruturais, montagem de forro em telhas sobre estrutura de madeira, restauração de portas e janelas e especificação de tintas para a pintura da casa tombada. 

 

Fonte: Obra 24 horas

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