Crea-RS arquiva investigação sobre engenheira que fez PPCI na Kiss

Conselho entendeu que ela não feriu procedimento técnico ao fazer plano.
Decisão do arquivamento ocorreu na última sessão plenária do órgão.
O Conselho Regional de Engenharia e Agronomia (Crea/RS) do Rio Grande do Sul arquivou o processo de sindicância que investigava a engenheira responsável pela elaboração do primeiro Plano de Prevenção Contra Incêndios (PPCI) da boate Kiss, em Santa Maria, na Região Central do Rio Grande do Sul. A decisão ocorreu na última sessão plenária do órgão, no dia 5 julho, mas o G1 só teve acesso à informação neste sábado (3).
O Conselho entendeu que ela não feriu nenhum procedimento técnico na elaboração do Plano. "Instituimos uma comissão e fomos até Santa Maria, ouvimos a profissional, tivemos acesso a todos os depoimentos na Polícia Civil e Brigada Militar dela e avaliamos que ela não feriu o código de ética do Conselho. Decidimos pelo arquivamento e notificamos a profissional que o caso estava encerrado", explicou  o vice-presidente da Crea-RS, Paulo Farias.
Em depoimento à polícia em fevereiro, a engenheira responsável pela elaboração do primeiro PPCI da boate Kiss disse que mudanças no prédio não obedeceram o projeto original. A tragédia de 27 de janeiro causou 242 mortes.
Também à polícia, a engenheira afirmou que não executou as obras na boate. Ela disse ainda que constatou que o local teria capacidade para 691 pessoas e recomendou a instalação de sete portas de saída. Com base nas notícias sobre o incêndio, a engenheira disse ter percebido diferenças no ambiente da boate se comparado ao plano original. Segundo ela, o documento foi usado para conseguir o certificado de conformidade e o alvará junto aos bombeiros.

Entenda
O incêndio na boate Kiss, em Santa Maria, região central do Rio Grande do Sul, na madrugada de domingo, dia 27 de janeiro, resultou em 242 mortes. O fogo teve início durante a apresentação da banda Gurizada Fandangueira, que fez uso de artefatos pirotécnicos no palco.
O inquérito policial indiciou 16 pessoas criminalmente e responsabilizou outras 12. Já o MP denunciou oito pessoas, sendo quatro por homicídio, duas por fraude processual e duas por falso testemunho. A Justiça aceitou a denúncia. Com isso, os envolvidos no caso viram réus e serão julgados. Dois proprietários da casa noturna e dois integrantes da banda foram presos nos dias seguintes à tragédia, mas a Justiça concedeu liberdade provisória aos quatro em 29 de maio.


Veja as conclusões da investigação
O vocalista segurou um artefato pirotécnico aceso no palco
As faíscas atingiram a espuma do teto e deram início ao fogo
O extintor de incêndio do lado do palco não funcionou
A Kiss apresentava uma série das irregularidades quanto aos alvarás
Havia superlotação no dia da tragédia, com no mínimo 864 pessoas
A espuma utilizada para isolamento acústico era inadequada e irregular
As grades de contenção (guarda-corpos) obstruíram a saída de vítimas
A casa noturna tinha apenas uma porta de entrada e saída
Não havia rotas adequadas e sinalizadas de saída em casos de emergência
As portas tinham menos unidades de passagem do que o necessário
Não havia exaustão de ar adequada, pois as janelas estavam obstruídas

 

Fonte: G1

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