Museu da Imagem e do Som ficará pronto em 2014

 
Som, imagem e beleza serão as qualidades do novo Museu em Copacabana

A visão clássica da Praia de Copacabana sempre foi a do mar com sua extensa faixa de areia, mas agora surgem na paisagem novas imagens. E sons. Começa, enfim, a ganhar forma a construção do novo Museu da Imagem e do Som (MIS), que, se tudo correr como previsto, abrirá as portas ao público em novembro de 2014. E traz algo inédito com ele: presenteará cariocas e turistas com o primeiro mirante debruçado de frente para a orla. Essa vista aérea – hoje possível apenas das janelas e terraços de prédios residenciais e hotéis – em breve será democratizada, pois o prédio do MIS prevê um terraço panorâmico, de acesso gratuito, para quem quiser contemplar a beleza desse pedaço da orla, num ângulo de 180 graus. E, após o pôr do sol, o espaço, a 27 metros de altura, se transformará num cinema a céu aberto, com restaurante.

– Acompanho a obra desde o início e vejo que ganhou fôlego. Quero que fique pronta logo, porque moro no bairro há 30 anos e nunca vi a praia do alto. Estarei aqui no primeiro dia, nem que chova canivete – exagera a aposentada Ruth Lima, de 73 anos, que passava pelo canteiro semana passada.

Ela tem razão. A obra deslanchou recentemente, quando os operários ultrapassaram, em janeiro, a etapa mais difícil e quase invisível aos olhos do público: as fundações do prédio. Essa fase se estendeu por 13 meses, até chegar ao térreo. 

Claro, é previsível que um terreno à beira-mar contenha água, mas isso foi um complicador, explica André Marini, coordenador de engenharia do projeto, pelo fato de o museu abrigar dois subsolos com vãos-livres – sem pilares espalhados para sustentação da laje, como seria comum num estacionamento subterrâneo, por exemplo:

– O solo mostrou mais fragilidade em certos pontos, exigindo adequações.

Explica-se o cuidado. O projeto – assinado pelo escritório americano Diller Scofidio + Renfro – prevê no subsolo uma boate e um espaço polivalente, o cine-teatro-auditório, com 280 lugares, para seminários, shows e exibição de filmes. Nos eventos de música ao vivo, haverá lugar suficiente para quem quiser dançar. Após o fechamento do museu, o espaço funcionará como boate. Detalhe tecnológico: um sistema automatizado elevará as mesas até o teto, dando lugar a uma área multifuncional.

Rampa inspirada nos calçadões

O novo MIS, resultado de uma parceria entre a Secretaria estadual de Cultura e a Fundação Roberto Marinho (FRM), começou a ser idealizado em 2009, com um concurso público para a escolha do escritório de arquitetura que assinaria o projeto. No ano seguinte, houve a demolição da icônica boate Help para dar lugar ao museu. Em 2011, a obra começou. E, agora, ela chega ao pavimento térreo, onde haverá um café. A gerente do projeto pela FRM, Larissa Torres Graça, diz que, a partir dessa fase, o carioca verá tomar forma o prédio, que ela define como uma "obra de artesanato".

– Trata-se de um museu contemporâneo, que vai falar sobre a cultura carioca, um espaço que até agora não existia no Rio. Ele vai guardar também a memória do presente.

E o que o carioca verá surgir, a partir de agora, será um "monumento" de sete andares desnivelados, que buscaram inspiração nos calçadões da Atlântica: o projeto brinca de dobrar a calçada e verticalizá-la.

– A sensação é que você vem passando pela calçada e, de repente, ela sobe – descreve Larissa.

Rampas percorrerão a fachada, que terá vidros e apresentará uma releitura dos clássicos cobogós. Outro foco de atenção: os pilares do prédio serão em formato de "V". A obra do MIS, que terá dez mil metros quadrados, é orçada em R$ 100 milhões.

Fonte: Ademi – RJ

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