Novas tecnologias invadem canteiros de obras

Empresas criam soluções específicas para esse setor

A alta no preço da construção civil, verificada nos últimos meses pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), vem fazendo com que as construtoras invistam em novas tecnologias a fim de diminuir os preços das obras e reduzir o tempo para construir. De olho nesse mercado, empresas de tecnologia criam soluções específicas para esse setor, enquanto pequenas e médias construtoras apostam em novos aplicativos para acirrar a concorrência com as maiores companhias do mercado. 

"O termo da vez para as construtoras este ano vem sendo contenção de custos. O preço da construção civil vem crescendo, e quando a construtora consegue encontrar soluções tecnológicas ou logísticas para evitar desperdícios o preço final do imóvel cai, e a venda é mais dinâmica", afirmou o professor Carlos Louberto, professor de engenharia ambiental da Universidade Federal do Paraná (UFPR).

Situada em Guaxupé, em Minas Gerais, a construtora Melon viu os custos com resíduo e entulhos caírem 30% com a implementação de um sistema que controla a quantidade de materiais despejados. Segundo Augusto Melon, presidente da empresa, a necessidade de pensar em soluções aconteceu quando o preço da obra não estava mais acompanhando o mercado imobiliário do cidade. "Começamos a perceber que nosso preço não era competitivo com as maiores empresas do setor, que já possuíam tecnologia de redução de custos." 

Ele explicou ainda que os gastos com material de construção, um dos índices que tem encabeçado a alta mensal no preço das obras, foi mais bem controlado depois de a empresa iniciar o uso de um sistema que controla a quantidade de produtos comprados e o tempo de uso. "A medida ajudou bastante para a rapidez da construção, e também evita desperdício o que eleva o nível de sustentabilidade da empresa." 

O executivo afirmou que o aplicativo usado foi criado pelo próprio departamento de tecnologia da empresa, e o investimento foi inferior a R$ 30 mil. "Procuramos empresas que ofereciam esse serviço, mas resolvemos investir no potencial da nossa equipe de tecnologia", conta. 

A perspectiva do empresário agora é o incremento das medidas tecnológicas nos próximos anos. "Ao passo que as demandas aparecem, a tecnologia precisar auxiliar o desempenho da construtora", finalizou ele enfatizando que um sistema apoiado em nuvem deverá ser o próximo a ser desenvolvido. 

Mercado 

Entre as empresas que fornecem esse tipo de solução, a Softplan/Poligraph lançou para a indústria da construção o Sienge, software que auxilia os mais diversos processos dentro de um canteiro de obra. 

Entre as novidades da ferramenta, Carlos Augusto de Matos, diretor da Unidade Indústria da Construção na Softplan/Poligraph destaca o Diário de Obras, que dá ao empreiteiro acesso móvel, em tablets e smartphones, aos registros de obras atualizados. "Além disso, lançamos o assistência técnica, que é utilizado para registro e acompanhamento de chamados relacionados com problemas na unidade entregue. Para os corretores foi lançado o portal do corretor, fornecendo acesso on-line e móvel aos dados de clientes e tabelas de preços". 

Matos detalhou ainda que, com as novas ferramentas, o empresário pode registrar incremento de até 4,5% no lucro líquido. "Exemplo disso, se o empresário sabe que o índice de desperdício na construção chega a ser de 30%, e que desse número, 20% são referentes a materiais e mão de obra, a gestão da construção com o Sienge aumenta, em média, de 5% para 10,4% o lucro da empresa, trabalhando com a base de cálculo de um empreendimento de 16 unidades", disse. 

Segundo o diretor da Softplan/Poligraph hoje mais de 1,7 mil empresas usam a ferramenta criada por eles, e boa parte delas são pequenas e médias. 

"Temos em nosso portfólio de clientes empresas ranqueadas entre as 50 maiores do País e pequenas construtoras com somente uma obra", disse. 

Entre as regiões que o empresário aponta como de maior potencial de consumo, destacam-se o Rio de Janeiro e algumas cidades do Nordeste. "Em 2012 fechamos 32 novos clientes, na média, por mês, neste ano esperamos superar este número em mais 30%", completou. 

Atualmente, empresas como a Construtora Zagonel, Ipê Empreendimentos, Tecnova Construtora, Quanta Engenharia, Pedra Branca, Fibra Construtora já atuam com a ferramenta. 

Para o vice-presidente de materiais, tecnologia e meio ambiente do Sindicato da Indústria da Construção Civil de Minas Gerais (Sinduscon-MG), Geraldo Jardim Linhares Júnior, a inserção de novas tecnologias que facilitam o desempenho das obras, dentro dos canteiros se faz cada vez mais necessárias . Ele lembra que, há 20 anos, os índices de desperdício giraram em torno de 30% do custo da obra e, hoje, estão entre 5% e 6%. 

Outro exemplo de empresa de tecnologia que investe em novidades para o mercado de construção, a paulista Mega Sistemas Corporativos anunciou este mês uma parceria para integrar seu software Mega Construção ao Mobbus Construção, aplicativo da catarinense Teclógica que oferece recursos de gestão de obras para dispositivos móveis. 

Com a parceria, o grupo espera obter 200 novos usuários da solução integrada em 2013, reforçando o setor de construção dentro da faturamento da empresa que no ano passado subiu de 12% para 30% dos R$ 59 milhões faturados pela companhia.

A receita representou um crescimento de 18% sobre 2011 e, para este ano, a Mega mira uma expansão de 20%. "A tecnologia possibilita conectar on-line o canteiro de obras aos sistemas de gestão, ou off-line, com a coleta de dados na obra para integração posterior aos softwares, com períodos de transmissão pré-determinados", explica Luiz Carlos Mesquita Scheid, diretor de Marketing da Teclógica. 

Entre as empresas que já adotaram o projeto do grupo paulista, está a Atena Incorporações, de Caxias do Sul e a Álamo, de Florianópolis.

Fonte: DCI

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