Setor de tecnologia demanda ‘profissões que não existem’; CEO dá dicas sobre novas funções

Pesquisa aponta que 64% das ocupações que vão existir em 2019 ainda não foram criadas. Para especialista, região de Campinas, SP, vive momento de busca por novidades.

“Daqui a dois anos, 64% das funções que vão existir ainda não existem hoje”, alerta o CEO da ManpowerGroup – multinacional especializada em recrutamento e seleção -, Nilson Pereira. Para ele, a tecnologia é a grande responsável por definir como será o mercado de trabalho em um futuro próximo, especialmente para a região de Campinas (SP), considerada um polo tecnológico. De acordo com o diretor executivo, o dinamismo do mercado tem feito com que novas profissões surjam a cada dia.

“Têm funções clássicas que sempre são procuradas, isso não muda […] Mas se você vai para a área de tecnologia, por exemplo, é um segmento que começa a ter funções que há dois anos não existiam, profissões que não existiam”, explica.

Para o CEO, este setor pode ser uma alternativa para quem busca entrar ou retornar ao mercado de trabalho, já que deve concentrar o maior número de vagas ofertadas nos próximos anos.

“Isso é uma tendência do ramo de negócio, e como em Campinas há uma concentração de empresas de tecnologia, possivelmente está vivenciando esse momento também, de busca de profissionais com perfis novos para funções novas”, afirma Nilson Pereira.

Cursos que não existem

E para conseguir um espaço neste segmento, os candidatos terão que encontrar qualificações que acompanhem o avanço das tecnologias. Para Pereira, no entanto, novas formações também serão desenvolvidas para suprir à demanda.

“Eu arrisco dizer que hoje não existe nem sequer um curso superior que se adeque ou que esteja preparado para essas novas funções. […] Para você entender como a coisa está rápida, e como a tecnologia e a inovação vão mexer com a competência das pessoas”, diz o CEO.

Dificuldade é realidade

Para a gerente global de engajamento e contratações de uma empresa de tecnologia e softwares de Campinas, Marília Honório, a dificuldade em encontrar um profissional que se encaixe com exatidão a determinadas funções já é uma realidade.

“No setor de contratações, de vez em quando, a gente recebe uma solicitação [de função] de que a gente nunca ouviu falar, porque surge uma tecnologia nova e precisa de uma posição nova também”, conta Marília.

Em alguns casos, o setor responsável realiza uma busca no mercado para encontrar alguém com um perfil que se assemelhe à vaga, para o profissional ser “moldado” para determinada função.

“O que a gente busca é uma pessoa que está aberta ao treinamento e que tenha um potencial de desenvolver. Que, recebendo a informação correta, consiga performar de acordo com aquilo que a gente precisa” explica a gerente.
“É complicado você abrir uma vaga de desenvolvedor universal, parece até piada, o nome de um filme. Mas tem essa linguagem agora, e a gente vai precisar dessas pessoas um dia”, exemplifica Marília.

Como acompanhar as inovações

Segundo Pereira, o diferencial para ocupar um cargo recém-criado, mesmo sem experiência, será o comportamento do candidato em relação às inovações.
“Vai depender muito de ele buscar esse conhecimento, buscar essas experiências, mas também vai muito da questão comportamental, o quanto esse profissional vai estar adaptado ou não para essas mudanças”, afirma.

“Vale muito do perfil aberto para novos treinamentos, para novas capacitações. A vontade de buscar essa capacitação, porque tudo muda com muita agilidade. Então, quanto mais próximo desse perfil, de abertura para capacitação, e essa vontade de estar por dentro do que está acontecendo, é o ideal para essas novas posições”, destaca Marília.

Profissional sênior

Ao contrário do que muitos podem imaginar, profissionais mais velhos não serão excluídos deste movimento tecnológico. A gerente de contratação afirma que, atualmente, a maior dificuldade da empresa tem sido encontrar trabalhadores seniores.

“Em alguns casos, a gente está procurando profissionais com mais experiência, que são justamente os profissionais que estão mais estáveis nas posições em que estão. A gente tem que fazer um esforço a mais de expor a nossa proposta para a pessoa também apostar que é o melhor lugar para ela”, acredita Marília.

“A gente fala que os jovens são os mais conectados na tecnologia faz 15, 20 anos […] Mas esse jovem envelheceu 20 anos, e ele continua trabalhando com tecnologia”, diz a gerente Marília Honório.

Candidato insistente e antenado

Com grande importância no cenário econômico nacional, a região de Campinas passa por um momento de estabilidade em relação à geração de empregos, segundo Nilson Pereira. “Já não existe mais uma tendência de redução de quadros”, afirma.

Para os especialistas, o curso superior será sempre um diferencial para quem busca uma oportunidade, e é necessário insistência, especialmente em momentos de crise.

“A pessoa tem que estar constantemente participando de processos seletivos, constantemente buscando um emprego. Ele vai se preparar cada vez mais para as entrevistas, e isso é um treinamento”, recomenda Pereira.

Para o setor de tecnologia, é essencial que o candidato esteja bem informado e atualizado com novas tendências e o que acontece ao redor do mundo.
“A recomendação é ficar antenado, buscar conhecimento, estar participando das discussões, saber o que está acontecendo”, explica Marília.

“O importante é não ficar parado, estar ligado nas novidades tecnológicas e mostrar essa vontade de aprender, essa abertura para a hora que tiver uma oportunidade, estar preparado e conseguir mostrar o potencial para essa atividade”, completa.

Fonte: http://g1.globo.com/

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