Marcha pela Ciência se espalha em 600 cidades pelo mundo

No Dia Internacional da Terra, manifestantes ocupam as ruas para valorizar a produção do conhecimento científico

Milhares de pessoas participaram da primeira “Marcha pela Ciência”, que se espalhou por mais de 600 cidades pelo mundo neste sábado, Dia Internacional da Terra, pela valorização da produção de conhecimento científico, devido a preocupações crescentes em relação às posturas adotadas pelo presidente Donald Trump, como o descrédito em relação às mudanças climáticas e cortes a fundos de pesquisas.

Nos Estados Unidos, a “Marcha pela Ciência”, que incluiu manifestações no National Mall, em Washington DC, e desfiles em Midtown Manhattan, em Nova York, além de centensa de outras cidades pelo país, é rotulada como um movimento não partidário, com o objetivo de reafirmar o “papel vital da ciência na democracia americana”, de acordo com o site da marcha. Ainda assim, as manfiestações foram, efetivamente, protestos contra cortes profundos que o presidente Donald Trump propôs nos orçamentos para ciências e pesquisas e seu ceticistmo sobre as mudanças climáticas e a necessidade de reduzir o aquecimento global.

É importante mostrar a esta administração que nos preocupamos com fatos – diz Chris Taylor, que participava da marcha no Mall, em DC, que reuniu cerca de duas mil pessoas, em grupos de discussões sobre mudanças climáticas, qualidade da água e alimentação sustentável – Parece que não estão realmente preocupados sobre crescimento econômico ou em criar novas tecnologias, apenas atendendo a grandes corporações – disse Taylor, que está tirando seu título de PhD em robótica na George Mason University, na Virgina.

A “Marcha da Ciência” é a última de uma série de demonstrações nos EUA que vêm sendo realizadas desde a posse de Trump há cerca de cem dias. Manifestações anteriores e protestos tinham foco em um leque de assuntos mais amplos, desde direito de aborto a política imigratória.

A Casa Branca não respondeu ao pedido de comentário sobre as marchas deste sábado. No entanto, no passado, Trump há havia afirmado seu desprezo pelo tema, dizendo que as mudanças climática são uma frande que estavam sufocando as políticas para fomentar o crescimento econômico. A administração de Trump está considerando a saída do Acordo de Paris, um acordo global que tem por objetivo a redução global de emissões de dióxido de carbono e outros gases-estufa. Ano passado, os Estados Unidos, sob a gestão do presidente Barack Obama, se juntaram a outros 190 países ao assinar o acordo.

Os cortes propostos por Trump no Orçamento de 2018 atingem os gastos com as agências que atuam em áreas científicas, incluindo redução de 31% para Agência de Proteção Ambiental.

Os organizadores da marcha demonstraram preocupação com o que vêem como ceticismo crescente dos políticos e com outros tópicos como vacinas, organismos geneticamente modificados e evolução.

Berlim: “Não há alternativas aos fatos”

Em Berlim, os manifestantes levavam placas com os dizeres “Amamos os especialistas – aqueles com evidências” e “Ciência, não silêncio” para a marcha, que partir da Universidade Humboldt em direção ao Portão de Brandemburgo, liderada pelo prefeito de Berlim, Michael Mueller, e diretores de universidades da cidade.

“Não há alternativa aos fatos”, dizia uma grande faixa, em referência ao termo usado pela assessora da Casa Branca Kellyanne Conway, durante uma controvérsia sobre o tamanho do público que assistiu à posse de Trump.

Os participantes da marcha fizeram uma parada rápida na Embaixada da Hungria para protestar contra uma nova lei húngara que ameaça fechar uma universidade financiada pelo investidor George Soros.

Segundo organizadores, 11 mil pessoas participaram do evento que, dizem, tem como alvo destacar a importântcia do conhecimento baseado na ciência e em evidências nas democracias.

Nós, berlinenes, sabemos por nossa própria História o que a repressão à liberdade significa. Isso mostra que temos uma responsabilidade particular em mobilizar as pessoas quanto à importância da ciência livre e aberta e de uma sociedade tolerante – disse Mueller aos mainifestantes.

A marcha, cuja data coincide com o Dia da Terra, vem após movimentos do presidente americano Donald Trum para cortar fundos da Agência de Proteção Ambiental e os Instutos Nacionais de Saúde.

– A Ciência é necessária. Na minha opinição a ciência empírica é a chava para o progresso da cultura e civilização que desenvolvemos – disse o manifestante Hagen Esterberg à TV Reuters.

Já Maria Pohle disse que se juntou à marcha para dar apoio “para a Ciência que não está ameaçada apenas na América, mas também na Europa e em todos os lugares do mundo”.

Reinvidicações também no Brasil

No Brasil, por sua vez, a comunidade científica brasileira reivindica maior valorização da área, sobretudo em termos financeiros. No mês passado, o presidente Michel Temer contingenciou R$ 2,5 bilhões do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações. Os pesquisadores argumentam que a medida será um atraso para o país que, em 2015, teve cerca de 61 mil artigos científicos publicados, ficando em 13º lugar no ranking mundial de produção científica.

– A expectativa é conseguir dialogar com a sociedade, explicar qual a função da ciência, por que ela é importante, o que ela tem feito para o Brasil. Também aproveitamos para chamar atenção do governo. Infelizmente tivemos esse novo contingenciamento de recursos. Enquanto o país encarar educação, ciência e inovação como gasto e não como investimento, vamos andar para trás — sublinha a presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência, Helena Nader.

Fonte: http://oglobo.globo.com/

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