Construção civil puxa o PIB do DF para baixo

A indústria foi a que mais sofreu com a retração da economia brasiliense em 2014. Com diminuição de demanda por consumidores mais cautelosos, o empresariado cortou os investimentos. No Distrito Federal, segundo dados da Companhia de Planejamento (Codeplan), todas as atividades do setor regrediram e, pela primeira vez desde 2011, o resultado no Produto Interno Bruto (PIB) foi negativo. Pior foi para a construção civil, que teve a maior queda: -7,7%.

Além da situação econômica, é determinante para a retração da contrução a dificuldade de aprovar projetos. “Com uma grande dificuldade na autorização das construções, ficamos sem poder fazer novos orçamentos e perdemos o círculo virtuoso. Desde então, continuamos com grande dificuldade”, explica Paulo Muniz, presidente da Associação de Dirigentes de Empresas do Mercado Imobiliário do DF (Ademi-DF). Em 2014, segundo o Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias da Construção e do Mobiliário de Brasília (STICMB), 45 mil homologações de demissões aconteceram.

Para o presidente da Ademi, certamente no próximo PIB, referente a 2015, a participação da área será ainda mais baixa. “As pessoas perderam a confiança e estão recuperando só agora. A velocidade de vendas vai fechar em torno de 5%, que é bem próxima da realidade”, ressalta.

Entre os mais ricos

O PIB-DF cresceu 2,0% em 2014 comparado ao ano anterior, com R$ 197,432 bilhões. o número colocou o DF como a 8ª maior economia do País, acima da média nacional, de 0,5% de aumento. O crescimento, todavia, é inferior ao registrado em 2013, quando o quadro teve adição de 3,7%.

Dividindo o faturamento anual pelo número da população, o DF tem, disparado, o melhor rendimento. Como nos anos anteriores, o índice se manteve o mais alto, atingindo R$ 69.217 per capita. O número da capital é 2,4 vezes o do Brasil (R$ 28.500); 1,6 vezes o de São Paulo (R$ 42.198), que é o segundo maior, e 6,2 vezes o do Maranhão (R$ 11.216), o menor.

Destaque agropecuário

O setor agropecuário cresceu 42,5% com R$ 770 milhões no valor bruto em 2014. Apesar do avanço, o setor pouco representa no todo, já que tem a menor participação na economia distrital. Para os pesquisadores, isso justifica-se pela pequena dimensão territorial. Fatores climáticos ou pragas, por exemplo, interferem toda a produção.

Moradores apelam ao setor privado

O melhor desempenho dentro do setor de serviços, que mais movimenta recursos no DF, foi a atividade de Educação e Saúde mercantis, que cresceram 10,2%. De acordo com a chefe do Núcleo de Contas Regionais da Codeplan, Sandra Regina Silva, o número indica que os brasilienses, cada vez mais, estavam optando por instituições particulares.

Na Educação, o índice já não reflete a realidade. “Havia um fluxo crescente de troca de escolas particulares por públicas, mas, infelizmente, com a crise, o próximo PIB deve aparecer com decréscimo da atividade”, acredita Álvaro Domingues, presidente do Sindicato das Escolas Particulares. De acordo com ele, mais de três mil estudantes já fizeram o caminho inverso. No declínio, já há demissões, inadimplência e escolas fechadas.

Para Marli Rodrigues, titular do Sindicato dos Empregados em Estabelecimentos de Serviços de Saúde, é surpreendente que a saúde privada tenha crescido, mas compreensível. “Talvez, com esse pensamento, as pessoas estão abrindo mão de viver outras coisas na vida e pagando plano de saúde ou consultas particulares”, opina. Depois daquele ano, lembra, a situação piorou: “Hoje em dia, a questão está mais séria“.

Entenda: Capital tem 3,4% do PIB

  • O PIB é a soma dos valores da produção de bens e de serviços ao consumo intermediário e aos impostos.
  • Para medir os números de 2014, o IBGE e a Codeplan analisaram dados desde 2010 para comparar resultados anuais.No primeiro ano, o PIB-DF atingiu R$ 144,174 bilhões; em 2011, R$ 154,569 bilhões; em 2012, R$ 164,101 bilhões; e em 2013, R$ 175,907 bilhões.
  • A participação do DF no PIB nacional reduziu-se de 3,7% em 2010 para 3,4% em 2014. São Paulo (32,2%) é a região com maior participação e Roraima (0,2%) tem o menor índice. No Centro-Oeste, a participação diminuiu de 40,6% para 36,4%.

Fonte: http://www.jornaldebrasilia.com.br/

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