Inovação: chave para a competitividade da indústria da construção

CBIC destaca, durante Encontro Internacional de Inovação e Avanços Tecnológicos na Colômbia, desafios dos empresários brasileiros para alcança-la

A inovação como chave para a competitividade do setor construtivo e a tecnologia para a construção sustentável foram o temas principais do TecnoConstrucción – Encontro Internacional de Inovação e Avanços Tecnológicos para o setor da construção, promovido pela Câmara Colombiana da Construção (Camacol), nos últimos dias 2 e 3 de novembro, no Hotel Dann Carlton Cali, na Colômbia. O evento reuniu, entre outros, atores do setor da construção do México, Colômbia, Chile, Espanha, Porto Rico, Brasil e China, como o inventor de impressoras 3D, Ma Yihe. A Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), representante nacional e internacional do setor da construção, participou do evento, por meio do presidente da sua Comissão de Materiais, Tecnologia, Qualidade e Produtividade (Comat), Dionyzio Antonio Martins Klavdianos, oportunidade em que apresentou as inovações do setor da construção nacional aos participantes do evento, destacando os desafios dos empresários em alcança-las. “O maior desafio dos empresários da construção no mundo para se manter no mercado é construir mais, melhor, mais barato e com menos”, mencionou Dionyzio Klavdianos. Esta ação faz parte do projeto de Integração Internacional, uma iniciativa da CBIC e do SENAI Nacional. 

Mudança cultural
Dionyzio Klavdianos mencionou as barreiras culturais existentes no País sobre inovação. “De uma forma geral, os empresários brasileiros não adotam uma cultura sistêmica de inovação e o cliente tem resistência a adquirir sistemas construtivos diferentes dos tradicionais, que podem e devem continuar a ser adotados, mas otimizados para que reduzam impacto negativo ao meio ambiente e evoluam em produtividade”, disse. Destacou, no entanto, o trabalho que vem sendo desenvolvido pela CBIC para mudar essa cultura e para que as construções nacionais atendam aos preceitos básicos da engenharia e estejam de acordo com as normas técnicas brasileiras. Destacou a implementação do Programa Brasileiro de Qualidade e Produtividade do Habitat (PBQP-H), em 1991, quando a cultura da norma técnica começou a ganhar impulso no dia a dia das construtoras, processo que se consolidou com a instituição da ABNT NBR 15575, que desde 2013 instituiu parâmetros de desempenho para Edificações Habitacionais da indústria da construção brasileira, estabelecendo requisitos mínimos de qualidade, conforto e segurança em imóveis residenciais.

Ressaltou que a CBIC foi uma das principais indutoras para o sucesso da aprovação da NBR 15575 durante o período em que esteve em consulta nacional e posteriormente em ações integradas  com a indústria de materiais, governo, instituições financeiras, conselhos de engenharia e arquitetura e academia para a disseminação do seu conteúdo e preceitos por todos os segmentos da cadeia construtiva, que resultaram nas publicações do Guia Orientativo para Atendimento à Norma de Desempenho; Dúvidas sobre a Norma de Desempenho – Especialistas Respondem; Análise dos Critérios de Atendimento à Norma de Desempenho, e Guia Nacional para Elaboração do Manual de Uso, Operação e Manutenção das Edificações, todos realizados pela CBIC, com a correalização do SENAI Nacional.

O presidente da Comat/CBIC mencionou também o Minha Casa, Minha Vida (MCMV), programa instituído em 2009 pelo governo federal, que, com o objetivo de reduzir o déficit habitacional nacional, possibilitou a consolidação de uma série de processos construtivos inovadores, que necessitavam de escala para viabilização, como casas de bloco de concreto estrutural e parede de concreto armado. Citou também os trabalhos desenvolvidos pelo Comitê Nacional de Desenvolvimento Tecnológico da Habitação (CTECH), coordenado pelo Ministério das Cidades, que inseriram diretrizes e conceitos previstos na NBR 15575 no Caderno de Encargos e Serviços das Moradias Construídas no âmbito do MCMV. Com isso, a partir da Fase III do MCMV todas as moradias deverão ser construídas utilizando unicamente sistemas construtivos que atendam à referida norma técnica.

Salientou também o trabalho do Grupo Técnico de Acompanhamento de Normas Técnicas da CBIC que, desde a sua criação, há três anos, vem participando efetivamente da elaboração e/ou revisão de cerca de 30 normas técnicas, bem como acompanhando mais de 100, além de monitorar aproximadamente 300 normas por ano e atualmente publica em conjunto com o Sinduscon-MG o Catálogo de Normas Técnicas, onde todas as normas relacionadas à edificação estão listadas.

Inovação no setor
No que se refere ao incentivo à inovação no setor da construção nacional, Klavidanos mencionou o Sistema Nacional de Avaliação Técnica de Produtos Inovadores (Sinat), no âmbito do Ministério das Cidades, que é um processo de validação de produtos inovadores empregados em edifícios, particularmente habitacionais, obras de saneamento e de infraestrutura de transportes, baseado no conceito de desempenho. As avaliações são realizadas por entidades credenciadas como Instituições Técnicas Avaliadoras (ITA’s), com avaliações iniciais e semestrais. Atualmente há 10 ITA’s e 11 Diretrizes para Avaliação Técnica de Produtos (Diretriz Sinat). “Desde a implantação do Sinat, tivemos 30 Documentos de Avaliação Técnica (DATec’s) desenvolvidos, dentre eles, 11 estão válidos. No entanto, o sistema de aprovação ainda é moroso, estamos discutindo a revisão do processo com o objetivo de torná-lo mais rápido, mantendo-se logicamente a criticidade”, disse.

Quanto à competitividade, informou sobre a parceria com o Instituto SENAI de Inovação para o projeto de desenvolvimento de impressora em 3D no Brasil, mencionando que a entidade acredita que a correta implementação da inovação da impressora 3D pode contribuir com a redução do déficit habitacional no mundo, notadamente em regiões mais pobres. Citou também a necessidade de se investir no Building Information Modeling (BIM). “A CBIC entende que o BIM é muito mais que uma evolução de software, mas um processo poderoso de integração de outros já existentes e que aplicado com inteligência pode beneficiar, de novo, o pequeno e médio empresário, justo o associado da CBIC, que normalmente não tem condições de criar, manter e, notadamente, integrar, em padrão de excelência, departamentos distintos como os de projeto, compras, planejamento, obras e manutenção…"tarefa" que pode ser facilitada pelo uso correto do BIM”, frisou.

Informou ainda que, com o objetivo de promover a democratização do processo, foi lançada em junho deste ano a primeira coletânea BIM voltada para construtoras e incorporadoras com o intuito de remover barreiras de compreensão, ensinar o empresário a dar os primeiros passos rumo à inovação e quebrar a barreira do imaginário popular que pensa que esta revolução está ligada exclusivamente aos projetos. A ação integra o projeto Disseminação do BIM, uma iniciativa da CBIC e do SENAI Nacional. Além disso, destacou o Prêmio CBIC de Inovação e Sustentabilidade, ação que integra projeto de mesmo nome, de iniciativa da CBIC e do SENAI Nacional, um dos mais importantes do setor e que tem como objetivo premiar projetos inovadores, no âmbito das empresas, academia, fornecedores, que tenham se mostrado na prática instrumento de avanço em termos de melhoria de qualidade e competitividade e cujos premiados desta edição serão conhecidos no dia 14 de dezembro deste ano.

 

Fonte: http://www.cbic.org.br/

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