Cultura da produtividade avança na construção civil, mas velocidade deixa a desejar

Medo de inovar ainda é principal trava para industrialização do setor, dizem especialistas

O aguardado salto de produtividade na construção civil brasileira ainda depende da mudança de cultura, mas as perspectivas são animadoras. A avaliação é do diretor da Tishman Speyer do Brasil, Luiz Henrique Ceotto, que mediou debate sobre sistemas construtivos industrializados e seus impactos na produtividade, nesta quinta-feira (15), em São Paulo, durante seminário promovido pelo Centro de Tecnologia de Edificações (CTE).

Segundo o executivo, a produtividade deve ser buscada obsessivamente por todos os elos cadeia da construção civil, mas falta coesão e uma liderança. “Não temos uma cadeia de valor no Brasil, temos uma cadeia de produção”, provocou, ao enfatizar a falta de diálogo que ainda impera entre os diversos segmentos que integram o setor.
Ceotto, porém, reconheceu a importância dos cases apresentados pelos executivos presentes ao encontro. “Vocês estão montando um quadro muito importante aqui e entendo que servirão como referência para darmos esse salto. Ainda estamos longe, mas ver o trabalho de vocês é extremamente alentador”.

Segundo ele, não há dúvida que a produtividade é o principal fator de desenvolvimento dos países e de disseminação da riqueza. “Só conseguiremos melhorar nossa riqueza e democratizá-la se houver produtividade”, afirmou.

Ambiente propício
O medo do novo, na opinião do sócio e diretor de Tecnologia da Tecverde, José Márcio Fernandes, segue como principal freio para o avanço da industrialização no País. “O desafio é criar um ambiente que propicie a inovação e vejo que isso está começando a ocorrer”, acrescentou.

Para o diretor em soluções de Engenharia da Medabil, Ronaldo Martinelli, uma mudança de cultura já está em curso. “As pessoas estão aprendendo a mensurar riscos, fazer contas financeiras”, observou.

Para o diretor da Signo Engenharia, Ary Fonseca Júnior, essa mudança virá das próximas gerações, considerando a linha sucessória dentro das empresas. “Temos uma nova geração sendo preparada, mais flexível e aberta a inovação”.

Como contraponto, o sócio e diretor de operações da Leonardi Construção, Carlos Alberto Gennari, observou que o problema está de fato na ausência de lideranças e não na idade dos empresários. “Vejo pessoas da nossa geração com vitalidade e disposição para essa mudança. Não temos tempo a perder, principalmente se considerarmos fatores como a janela demográfica que estamos deixando passar”.

Infelizmente, disse Gennari, o Brasil tem penalizado com impostos as empresas que buscam industrializar sua produção. “Esse é outro aspecto que contribuiu para a nossa baixa produtividade”, lamentou.

Fonte: http://construcaomercado.pini.com.br/

 

 

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