Pernambuco pode receber sistema inovador de energia em 2017

Ao contrário dos equipamentos solares já usados no País, o novo sistema pode armazenar energia para ser usada inclusive à noite

O município de Petrolina, no semiárido pernambucano, receberá em 2017 o projeto-piloto de um sistema de energia solar inédito no Brasil. Trata-se de uma tecnologia que está sendo estudada como alternativa às hidrelétricas. Com a ajuda do Instituto Solar de Jülich (SIJ), da Alemanha, a Companhia Hidro Elétrica do São Francisco (Chesf) e a Universidade Federal do Ceará (UFC) pretendem testar a tecnologia heliotérmica que, ao contrário dos equipamentos solares já usados no País, pode armanezar energia para ser usada inclusive à noite. A empresa alemã Kraftanlagen München GmbH fornecerá a tecnologia necessária.

A geração de energia heliotérmica usa o sol como fonte indireta de eletricidade. Ela funciona com um conjunto de captadores espelhados, distribuídos em uma área plana. Os espelhos se movimentam de acordo com a posição do sol e refletem os raios para uma torre – chamada de torre solar – onde o calor é armazenado e transformado em energia. Ela é diferente da geração de energia solar fotovoltaica, já explorada no Brasil, que não é capaz de guardar o calor produzido.

“No caso dos fotovoltaicos, você teria de ter um sistema de baterias bem caro e complexo para operar. Com o armazenamento térmico é bem mais viável que a energia fique guardada em forma de calor para, no momento em que for necessária, ela ser acionada, inclusive à noite”, explica o professor da Universidade Federal do Ceará (UFC) e coordenador do Laboratório de Energia Solar e Gás Natural da instituição, Paulo Alexandre Rocha.

A inviabilidade de armazenamento da energia produzida pelos painéis fotovoltaicos deu a esse sistema a classificação de forma secundária de energia, usada para complementar a matriz energética brasileira. As hidrelétricas, capazes de armazenar energia, são geradoras de 65% da eletricidade do País, de acordo com o Balanço Energético Nacional 2015, do Ministério de Minas e Energia.

“A fotovoltaica tem limite de aleatoriedade. Se não tiver sol, ela para. Então sempre tem de ter a hidrelétrica dando suporte como complementação. No caso da eólica, é muito similar”, explica o pesquisador. “Já com o sistema de armazenamento térmico, as turbinas seriam acionadas em caso extremo.”

Para que a ideia seja concretizada, o grupo tenta conseguir os recursos – cerca de R$ 45 milhões – com a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), por meio de chamada pública. Em agosto, a proposta passou por adequações a pedido da Aneel. Caso seja aprovada, começará em 2017 e será desenvolvida em 40 meses – ou três anos e meio.

Fonte: Portal Brasil

Compartilhe essa postagem:

Deixe seu comentário

Seu endereço de e-mail não será publicado.

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.