PIB recua 0,3%: entenda como seus hábitos afetam índice

Quem foi às aulas de geografia na escola deve ter ouvido dizer que PIB significa “produto interno bruto” e representa a soma das riquezas produzidas por um país em determinado período.

PIB e voce 02_06A definição, no entanto, não diz muito sobre o indicador divulgado pelo IBGE nesta quarta-feira e que apresentou uma queda de 0,3% no primeiro trimestre do ano em comparação com o período imediatamente anterior.

Na comparação com o mesmo trimestre do ano passado, a queda foi de 5,4%. Com o recuo, o PIB chegou a R$ 1,47 trilhão.

A retração mostra que a economia do país não vai bem, mas de que forma o dia a dia das pessoas, seus hábitos de compra e sua dificuldade de encontrar emprego têm a ver com o PIB?

A BBC Brasil consultou economistas para mostrar como esse número se reflete e tem consequências na vida dos brasileiros.

O indicador pode ser calculado de diversas maneiras. As duas principais são pela ótica da oferta e pela ótica de demanda. Ou seja, pelo cálculo do que se produz e do que se consome no país. Na primeira, o IBGE soma produção gerada por agropecuária, indústria e serviços e chega à contribuição de cada um para o crescimento da economia.

Na segunda, soma tudo o que é gasto pelas famílias, pelo Estado e pelas empresas nos bens de capital – máquinas, por exemplo. A soma das exportações e importações também entra na conta.

Saiba abaixo quais fatores entram na equação do PIB e como eles afetam os brasileiros:

Adiar a compra da geladeira, escolher a marca mais barata no supermercado e evitar comer fora são hábitos que impactam diretamente no PIB. Isso porque o consumo de bens e serviços das famílias representa cerca de 60% do desempenho da economia.

Segundo especialistas ouvidos pela BBC Brasil, a proporção é semelhante a de países do mundo desenvolvido, como os Estados Unidos, e mostra que o mercado interno é crucial para o desempenho econômico.

Os gastos dos brasileiros exercem papel-chave na cadeia de produção porque estimulam as empresas a investir, aumentar a capacidade produtiva, contratar novos funcionários, além de incentivar o setor de importação a trabalhar mais para atender à demanda.

No entanto, em momentos de crise como o atual, todos ficam menos confiantes para gastar. A possibilidade de perder o emprego, salários menores, inflação e juros altos dos empréstimos fazem com que as pessoas repensem suas compras. E isso trava a economia.

No Brasil, esse movimento vem ocorrendo desde 2011, quando as políticas do governo para estimular o consumo, como o IPI reduzido para automóveis, começaram a mostrar sinais de esgotamento.

O consumo foi um dos principais motores do crescimento econômico do governo Lula (2003-2010), em detrimento dos investimento na indústria – em 2010, o PIB teve alta de 7,5% e o consumo, de 10,8%.

Naquele momento, eram comuns casos de brasileiros que aproveitavam o crédito fácil e a redução de impostos para comprar uma TV de tela plana ou um eletrodoméstico de última geração.

No entanto, como explica o economista da Guide Investimentos Ignacio Crespo, não é necessário trocar de TV todo ano e, com o agravamento da situação econômica, esse componente foi perdendo peso no PIB. Em 2015, ele caiu 4%.

Para Crespo, a retração dos gastos, exposta nos resultados do primeiro trimestre, chega a um ponto mais crítico, onde as pessoas não apenas adiam a geladeira nova, mas deixam de comprar certos produtos no supermercado.

Desemprego

O fato de muitas pessoas não encontrarem emprego é preocupante, mas de que forma isso entra no resultado do PIB?

O desemprego não é um componente do indicador, mas permeia a sua formação. Ele é, como define o professor do Instituto de Economia da Unicamp Pedro Rossi, um sinal que aponta para a situação de outros setores. “É um sintoma de que o sistema econômico não está funcionando direito.” Seguindo o raciocínio de Rossi, as demissões estão relacionadas, por exemplo, à queda no investimento das empresas, que não consideram o momento bom para produzir mais e cortam custos.

Fonte: http://www.bbc.com/

 

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