Projeto não cumpriu a meta! O responsável técnico fala o quê?

Eng. Agr. Eliasar Teixeira de Oliveira

Cerca de 37% dos projetos apresentam falhas no planejamento e 82% dos projetos em execução falham nos melhores cenários, conforme dados coletados junto a empresas especializadas em “gestão de projetos”. Se tudo é feito da melhor forma possível, por que os projetos falham? Ninguém pode esperar sucesso num projeto negligenciado, onde não existem processos amadurecidos, ferramentas apropriadas, profissionais devidamente qualificados.

Domínio (ou não) dos conceitos

Para se ter sucesso precisa-se incorporar seus conceitos no DNA do projeto. Visualizaremos um exemplo: as metodologias recomendam listar e priorizar atividades, porém fazemos isso no nosso dia a dia? Se no final do dia, olharmos para as nossas atividades e verificamos que passamos a maior parte do tempo em atividades menores, pequenos imprevistos nos desviaram do foco, nossas prioridades receberam só uma pequena porcentagem dos esforços, significa que não incorporamos os conceitos básicos de planejamento e execução de atividades. Se as multiqualificações não se traduzem em eficiência profissional, o que esperar de resultados em projetos de média complexidade? Será que essa eficiência faz diferença nos resultados das empresas? Certamente sim!! As empresas japonesas e alemãs atualmente, são exemplo disso.

Atitudes (ou não)

A atitude é uma das três dimensões das competências e tão importante quanto o conhecimento. Muitos projetos famosos da história foram condenados ao fracasso por atitudes erradas. O Titanic, por exemplo, era uma promessa de ser um grande sucesso, mas a arrogância e excesso de ambição fizeram com que as exigências de segurança fossem negligenciadas, contribuindo a propiciar a maior tragédia naval em tempos de paz.

A fraudulência também deve ser observada. O Titanic contava com 4 chaminés, mas tinha somente 3 motores, a quarta chaminé foi instalada para dar uma impressão de ser um navio mais poderoso do que realmente era. Pesquisas recentes indicam que esta atitude frequentemente está associada com o fracasso dos projetos nos dias de hoje. Atitudes fraudulentas se traduzem na omissão de problemas para apresentar somente boas notícias; apresentar estimativas de prazo falsas; prometer para agradar alguém; contratar pessoas não qualificadas e apresenta-las como o contrário, etc.

Tomada de decisão (ou não)

Os esforços de dezenas de profissionais altissimamente qualificados costumam ser jogados fora por causa de decisões erradas. Decisões movidas por impressões, desejos ou pelas atitudes erradas. O ônibus espacial Challenger explodiu após o gerente do projeto autorizar o lançamento, pois no desejo de agradar a NASA, abandonou as recomendações dos engenheiros que alertaram do risco de explosão. Não são somente as atitudes que afetam os raciocínios durante a tomada de decisões, existem dezenas de processos mentais, muito comuns, mas que nos enganam e nos levam ao erro.

Compromisso com a precisão (ou não)

Napoleão atribuiu seu sucesso ao rigor matemático na análise dos fatos. Ele não se deixava levar por impressões, desejos ou atitudes, mas sim pela analise rigorosa e imparcial das informações. Nos projetos costuma-se evitar entrar nos detalhes, abandonar a precisão para fazer uma gestão superficial, sem saber que é nos detalhes em que residem as causas mais frequentes de falhas. O divórcio com o rigor e a precisão origina causas frequentes de falhas como: menosprezar a complexidade, assumir a primeira solução que aparece, escolher a solução errada para o problema certo, ou a solução certa para o problema errado, entre outras.

Comunicação e engajamento (ou não)

As ações não acontecem na velocidade e qualidade que se esperam? Este é outro sintoma muito comum de falhas na gestão estratégica de projetos. As coisas não acontecem porque alguém deu uma ordem, pois as pessoas se movem pelos seus próprios motivos. Cabe ao gestor entender o que as motiva e desenvolver a habilidade de mobilizar as pessoas em direção ao objetivo. Se não fosse a capacidade de motivar, um grande líder, como o imperador Júlio Cesar, não conseguiria ordenar aos seus soldados construir um muro ao redor de Jerusalém em somente 3 dias, pois é muito diferente ordenar aos soldados, sedentos de vitória, atacar ao inimigo, do que pedir-lhes para cavar buracos o dia inteiro.



Evitar as falhas? (ou não)

Qualificação em competências específicas é fundamental, e entender que não é só conhecimento que se precisa para se obter sucesso nos projetos, mas, desenvolver atitudes e habilidades para lidar com os mais diversos fatores que costumam aparecer do nada e impedir os resultados e metas estabelecidas.

 

Eng. Agr. Eliasar Teixeira de Oliveira
eet2009@gmail.com

Fonte: Crea-SC

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