O desabamento da ciclovia Tim Maia e o que deu errado

Inaugurada em janeiro, a queda do trecho da ciclovia levanta questões como os motivos e a responsabilidade pelos danos e mortes causadas

Todos ficamos sabendo do desastre ocorrido no último dia 21 de abril quando desabou parte do Complexo Cicloviário Tim Maia, construído ao longo da Av. Niemeyer, no Rio de Janeiro, causando a morte de duas pessoas. Aqui no Blog da Engenharia, quando foi inaugurado um dos trechos da ciclovia, foi publicada matéria sobre os recursos utilizados na construção e investimentos realizados. Passados quatro meses após a inauguração, retomamos o assunto. Afinal, o que levou o desabamento da estrutura?

O projeto inicial
Estudos geodésicos, profissionais do alpinismo industrial, realização de fundações diretas ou estacas-raiz, além de obras de contenção devido à topografia local foram alguns exemplos de recursos utilizados, além de investimentos financeiros que ultrapassaram os 44 milhões de reais.

Quais foram os erros?
De acordo com parte dos resultados da perícia realizada pelo Instituto de Criminalística Carlos Éboli (ICCE), houve falha no projeto de construção, pois mesmo com os recursos utilizados, não foi levado em consideração o impacto da ressaca no mar na pista. De acordo com o resultado da perícia, apenas foram previstos os impactos que seriam causados quando as ondas atingissem os pilares, mas não a ciclovia ou as vigas que a sustentavam,com a consequência de que o trecho de 26 metros atingido se desprendesse da viga que o sustentava, o que levou à queda.

Os pilares, portanto, não estavam sustentados à viga e esta, por sua vez, à pista. Também contribuiu para o desabamento a existência de apenas uma viga neste trecho, enquanto em outros do Complexo existiam duas vigas. A perícia está em andamento e será concluída na segunda semana de maio, mas ainda não há previsão da finalização da investigação completa.

Responsabilização
O responsável pela obra é o consórcio Contemat/Concrejato, que afirmou que a obrigatoriedade de ancoragem da pista não constava no projeto inicial, passando a responsabilidade para a prefeitura da cidade, que, por sua vez, afirma que os detalhes técnicos não costumam estar no projeto básico de licitações.

Outras duas empresas vinculadas à construção eram a Engemolde, responsável pelos cálculos necessários para a instalação dos pilares da ciclovia, e a Premag, contratada para a produção de vigas, conforme extensão e medidas que seriam necessárias, conforme projeto inicial. Ambas, procuradas pelos repórteres de matéria veiculada pela Folha de S. Paulo, não quiserem se manifestar até que sejam divulgados os resultados finais.

Infelizmente, o jogo de “empurra” para a responsabilização e punição dos culpados teve início, mesmo antes do resultado final das investigações. A ciclovia, que inicialmente era notícia pelos recursos utilizados, passou à notícia trágica e exemplo de como é vital a atenção a todos os detalhes técnicos em uma construção.
A ideia do prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, é reconstruir a ciclovia a tempo do início das Olimpíadas, com obras a serem realizadas pelo mesmo consórcio responsável pela construção. Independentemente de ser reinaugurada a tempo dos Jogos Olímpicos, em agosto, é necessário que não sejam mais aceitas avaliações superficiais ou tentativas de se eximir de responsabilidades, com a justificativa de não obrigatoriedade explícita de procedimentos básicos em projetos.

Cabe à sociedade acompanhar o resultado da perícia, cobrar atitudes diferentes das empresas em construções, ainda mais em se tratando de um espaço público, e lutar pela justiça nos casos que foram constatados com exemplos de negligência, descaso ou falta das devidas precauções.

 

Fonte: http://blogdaengenharia.com/

 

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