Mudança no estilo de vida é fundamental para preservação da água

Água é vida e garantir que no futuro esse recurso não falte é uma das grandes questões da atualidade. Para falar sobre a questão a Mútua entrevistou o professor de Engenharia e pesquisador da Pró-Reitoria de Pesquisa e Pós-Graduação em Recursos Hídricos do Instituto de Pesquisas Hidráulicas (IPH) da UFRGS, Cristiano Poleto. De acordo com o professor, que é pós-doutorado pela Coventry University da Inglaterra em Recursos Hídricos e Saneamento Ambiental, será muito difícil garantir esse recurso no futuro se medidas imediatas não forem tomadas.

Professor Cristiano Poleto"Trata-se de um recurso limitado que necessita suprir usos cada vez maiores do estilo da nossa sociedade. É necessário melhorar o planejamento e a preservação das fontes e corpos d'água. O problema da degradação atualmente é um dos maiores limitantes”, frisa. Segundo ele, apesar de o Brasil possuir uma grande quantidade de água, os seus recursos hídricos são distribuídos de forma desigual entre os Estados da Federação, por isso os estados que possuem menores disponibilidades, com relação ao número de habitantes, vêm enfrentando problemas. 

“Em parte, os problemas são devido à gestão desses recursos, bem como a sua preservação”. No país a questão não é a falta de tecnologia e profissionais qualificados para a demanda. “O Brasil possui grandes centros de excelência para a formação de pessoal qualificado. O que falta é fazer com que essas pessoas cheguem a posições de comando técnico”, avalia.

Outra questão, aponta, é poder prever e se preparar para períodos de pouca chuva. “A ocorrência de maiores volumes precipitados e, em outros períodos, menores volumes, sempre ocorreu. A questão é o que pode ser feito para que esses recursos sejam mais duradouros em períodos de estiagem”. E essa, pondera, não é uma questão relacionada apenas à sustentabilidade do planeta, mas, também, da sociedade como um todo, já que se levarmos em consideração que todas as industrias precisam desse recurso, a sua escassez em uma região limita a geração ou mesmo a manutenção de vagas de emprego

Uso consciente da água: dicas práticas
– Quando o assunto é desperdício de água é preciso levar em consideração duas vertentes: hábitos domésticos – uso indiscriminado no chuveiro, a torneira mal fechada, a utilização indevida da água, o não reaproveitamento, entre outros – e o desperdício durante o abastecimento de água.
– O Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS), ligado ao Ministério das Cidades, faz levantamentos das perdas de água tratada no Brasil. Os últimos dados são de 2013 e apontam que, naquele ano, 37% da água tratada no país foi perdida. O número representa 5,8 trilhões de litros de água. Isso seria suficiente para abastecer a cidade de São Paulo por sete anos e meio.
A quantidade de água desperdiçada inclui perdas com vazamentos em adutoras, redes, ramais, conexões, reservatórios e outras unidades operacionais do sistema e até por desvios ilegais realizados por pessoas inescrupulosas para benefício próprio.

Mudança de hábitos: cada um fazendo sua parte
Com relação ao uso residencial é difícil quantificar o desperdício, mas os números sobre o consumo dos recursos hídricos são preocupantes. A Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) alertam que nas últimas décadas o consumo de água cresceu duas vezes mais do que a população e a estimativa é que a demanda cresça ainda 55% até 2050. Mantendo os atuais padrões de consumo, em 2030 o mundo enfrentará um déficit no abastecimento de água de 40%. 

Como mudar essa previsão? Mudando nossos hábitos agora. Como parte da campanha da Mútua “Cuide HOJE da água”, que teve ações durante todo o mês de março – e que encerra sua primeira etapa hoje (31) -, destacamos dicas simples sobre como utilizar melhor a água em nossa rotina. Confira:

– Mantenha a válvula de descarga do vaso sanitário sempre regulada e não use o vaso como lixeira ou cinzeiro;
– A ducha gasta três vezes mais do que o chuveiro comum. Considerando a abertura total do registro e um tempo de 15 minutos, um banho de ducha consome, em média, 243 litros de água. Se o for com o registro meio aberto, a economia é de 90 litros. Com o chuveiro elétrico, o consumo seria reduzido de 153 litros para 51 litros. E se desligamos a ducha enquanto nos ensaboamos e reduzirmos o tempo para cinco minutos, o consumo cai para 81 litros;
– Se, ao escovar os dentes, enxaguarmos a boca com a água do copo, economizamos 3 litros de água. Cada cinco minutos com a torneira aberta gasta em torno de 25 litros, quantidade suficiente para que uma pessoa beba a quantidade de água necessária em 12 dias. Então, feche a torneira sempre, enquanto escova os dentes, faz a barba e lava o rosto. Assim, gastará apenas 2 litros, em média, economizando cerca de 23 litros/dia.
– Antes de lavar a louça, panelas e talheres, remova bem os restos de comida de todas as peças e deixe-as de molho, se necessário. Ensaboe tudo, primeiro – mantendo a torneira fechada, claro! -, para depois, então, enxaguar de uma só vez;
– Você sabia que, para lavar um copo é necessário gastar, pelo menos, dois copos de água? Que ironia! Quer dizer que, se tomamos um copo de água para matar a sede, desperdiçamos outros dois para mantê-lo limpo! Como tomamos água o dia todo – pelo menos é o que devemos fazer – não é necessário lavar o copo toda vez que o usamos. Então, reserve-o para usar mais vezes;
– Não lave a roupa aos poucos, deixe-a acumular um pouco e lave tudo de uma vez, sempre lembrando de fechar a torneira enquanto esfrega e ensaboa as peças. Lembre-se: a torneira meio aberta por 15 minutos pode chegar a gastar 243 litros. Roupas muito manchadas e sujas podem ficar de molho. Depois, utilize esta água para lavar a lavanderia ou o quintal;
– A boa manutenção das torneiras e de todo encanamento é a melhor forma de evitar desperdícios. Ao mínimo sinal de vazamentos, procure assistência rapidamente;
– A instalação de reguladores de vazão nas instalações hidráulicas pode reduzir o consumo de água em até 50%;
– Evite lavar calçadas, quintais e carros com frequência. Se for inevitável, use balde e vassoura no lugar de mangueira ou vassoura hidráulica. Esta é uma das piores invenções, que prioriza apenas o conforto: gasta quase 280 litros de água em 15 minutos!;
– Ao molhar plantas, use o regador: o gasto é bem menor do que se você usar mangueira;
– Evite lavar o carro durante a estiagem, mas, se for muito necessário, prefira usar balde e panos, nunca a mangueira;
– Uma piscina de tamanho médio exposta ao sol e ao vento perde 3.785 litros de água/mês, por evaporação. Então, cubra sua piscina sempre que não estiver sendo usada. E, se você mora em condomínio, converse com o síndico sobre a importância dessa prática.

Fonte: Gecom/Mútua
Foto: Arquivo Mútua

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