No Dia Mundial da Água, Mútua reforça: cuide HOJE da água

Campanha é desenvolvida ao longo de todo o mês de março

Desde o dia 1º de março estão sendo divulgadas no site e redes sociais da Mútua matérias, informações, peças publicitárias, curiosidades e dicas sobre o consumo consciente da água. Toda a campanha é voltada a alertar a sociedade sobre a importância da preservação dos recursos hídricos e, também, a mostrar a relação da água com profissões do Sistema Confea/Crea e Mútua. São abordadas algumas áreas específicas e a importância direta e indireta destas com relação à preservação e uso consciente do recurso.

A mobilização da Mútua em torno da temática dos recursos hídricos teve início com essa campanha pelo Dia Mundial da Água de 2016 e o mesmo deve se repetir em 2017. Para 2018 a Caixa de Assistência prepara um amplo projeto de participação no 8º Fórum Mundial da Água, que será realizado na capital federal.

Neste 22 de março, Dia Mundial da Água, o diretor de Tecnologia da Mútua, eng. civil Marcelo Gonçalves Nunes de Oliveira Morais, fala sobre sua visão acerca das principais questões relacionadas ao tema. Marcelo Morais é especialista em recursos hídricos e meio ambiente, tem diversos cursos em tecnologias limpas e participou de grandes eventos internacionais da área de desenvolvimento sustentável, como o Fórum Mundial da Água de 2008, em Istambul (Turquia), e a Conferência Rio+20, no Rio de Janeiro, em 2012.

Fazendo uma análise macro, em sua visão, a questão da água envolve outros aspectos mais amplos e complexos?

A superpopulação, a energia e a água são os grandes desafios da área tecnológica mundial neste milênio. A superpopulação demanda água, alimentação e energia e tudo está intrinsicamente ligado, quiçá, até gerando conflitos mais graves, como já ocorre em algumas partes do mundo e mesmo em alguns estados brasileiros. A água já é um problema premente que nós, engenheiros, precisamos colocar na nossa pauta do dia a dia. A Mútua está aí com a campanha Cuide HOJE da água, inserindo-se nessa questão, que é fundamental para a nossa sobrevivência. Não é um problema do Piauí, do Rio Grande do Sul ou do Brasil É da humanidade. É do planeta. Precisamos ter um posicionamento e, mediante os nossos conhecimentos técnicos, encontrar soluções para esses problemas.

Como avalia as tentativas de solução para o problema de escassez de água no mundo?

Já vemos iniciativas ousadas, como governos mundiais que estão projetando a ida para um outro lugar que possa ter a chamada “terra transformação”, que é nada mais do que procurar transformar um novo planeta num lugar habitável, uma espécie de “Terra dois”, que consiga abrigar a humanidade com as condições necessárias de sobrevivência. Esse é um problema que vai além das disputas regionais. Espero que em algum momento da humanidade consigamos ter uma solução para essa questão. Gosto de dizer que o grande desafio da humanidade é encontrar uma equação que permita a convivência das religiões e de todas as diferenças que tanto instigam e produzem conflitos internacionais, haja vista essa migração do norte da África, com as pessoas procurando desesperadamente uma forma de sobrevivência na Europa. Assim como nos EUA e aqui no Brasil, eles são junção de várias raças e pessoas de diversas regiões. Espero, sim, que este “22 de março” sirva de reflexão referente àquilo que deve permear a imaginação e as atitudes das pessoas em todos os países, que é a questão ética. Não podemos pensar que uma única pessoa seja detentora de 50 milhões, 70 milhões de dólares, com tantas pessoas passando fome no mundo. Penso que se deve premiar aquelas pessoas ou instituições que correm atrás de fazer, de realizar as coisas. Mas, também, é absolutamente fundamental que se oportunize a todas as pessoas do planeta terem acesso a isso, que elas possam ter as condições de vida e de educação e que possam prover sua família e as futuras gerações de um mínimo de dignidade para a sobrevivência neste mundo, nesse pequeno “pálido ponto azul”, como chamava Carl Sagan [premiado autor de livros e artigos científicos; criador da também premiada série de TV “Cosmos: uma viagem pessoal; cientista, astrônomo e astrofísico, entre outros].

Qual o principal problema, hoje, que as cidades enfrentam no tocante aos recursos hídricos?

Assim como na nossa vida e nas instituições, temos que ter planejamento dos Recursos hídricos. Não podemos seguir  tratando os recursos hídricos do jeito que temos tratado, gerando diversos problemas em algumas regiões do país. São Paulo, por exemplo, a maior região da América Latina e com o poder econômico que tem, jamais poderia ter deixado a questão dos recursos hídricos chegar ao ponto grave em que chegou. Foi falta de planejamento, de gestão. A culpa não foi de São Pedro, foi de todos nós – engenheiros, políticos, mídia, de todos. Temos que evitar que isso se repita no futuro. Temos que tratar os recursos hídricos como fator essencial para a geração daqueles outros dois pontos que já enfatizei: alimentação e energia. Juntos, esses três fatores representam pilares para que tenhamos paz no futuro.

Em relação ao Brasil, quando se trata de políticas públicas, o poder dividido atrapalha que as políticas públicas sejam efetivadas. Da parte técnica é possível reverter esse quatro levando em conta a área tecnológica?

Não tenho dúvida. Temos grandes profissionais no Brasil inteiro que não deixam nada a dever a ninguém em outro país na área de Engenharia e na área de tecnologia. Temos todos os recursos técnicos, de pessoas e de instituições para reverter esse quadro e fazer uma gestão de recursos hídricos e de meio ambiente no Brasil, de forma a alçar o desenvolvimento do Estado brasileiro. Temos que estar atentos a isso, agir de maneira técnica tratando a questão da água como estratégica. No Fórum Mundial da Água, em 2018, teremos um ambiente propício para mostrar para o Brasil e para o mundo que a Engenharia brasileira pode apresentar uma solução para os brasileiros e, por que não, para o restante do mundo.

Os profissionais da área tecnológica esperam que a população seja parceira deles nessa missão? Como as pessoas podem ajudar?

A população pode ajudar com suas atitudes. Precisamos fazer um grande e amplo programa de educação ambiental. Isso, inclusive, está na legislação brasileira, que disciplina a obrigatoriedade dessa matéria nas grades curriculares. O caminho do Brasil é a educação. E, nesse cenário, a educação ambiental é de extrema relevância e precisa ser trabalhada de forma profunda. A Mútua pode, deve e vai atuar nesse sentido. A valorização e a educação profissional estão no escopo da Lei 9.496, que criou a Mútua, e na valorização da Anotação de Responsabilidade Técnica (ART). Ao registrar sua ART no Crea, o profissional está mostrando para a sociedade que aquele serviço vai ser prestado por um profissional registrado no Conselho, da categoria e, possivelmente, participante do quadro da Mútua.

O senhor diria que é requisito fundamental a todos os profissionais da área tecnológica estarem atentos à sustentabilidade?

Sempre! Todos os processos produtivos, sejam eles em uma bacia hidrográfica, em processos fabris, no quarteirão de sua casa ou na sua cidade, comportam entradas e saídas: água, ar e energia. Isso provoca no processo final geração de efluentes, resíduos, poluições atmosféricas. O que devemos fazer para minimizar esse final de processo da ação antrópica, da ação do ser humano? Realizar um balanço econômico, tecnológico, ambiental e de recursos hídricos para solucionar isso, a partir do treinamento que tivemos na Universidade e com os conhecimentos adquiridos nos cursos posteriores de aprimoramento profissional.

 

Fonte e foto: Gecom/Mútua

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