Artigo: O desafio do aumento da produtividade no campo

Por *Benjamim Salles Duarte


Os ganhos de produção e produtividade na agricultura brasileira são substantivos e derivam minimamente de cinco condicionantes, entre outras, que se associam numa perspectiva de tempo; mercados atraentes, adoção de inovações pelos empreendedores rurais, pesquisa agropecuária e políticas públicas adequadas, oportunas, eficientes e hoje, mais do que ontem, agregando-se também o conceito e prática da sustentabilidade dos recursos naturais num cenário de bacias hidrográficas.

Comparando-se a safra agrícola brasileira de 1990/91 com a de 2014/15, a produtividade média de grãos passou de 1.528 quilos, por hectare, para 3.612 quilos, ou mais 136,3%. Selecionado-se as duas mais importantes culturas, milho e soja, na mesma comparação, a produtividade média do milho avançou de 1.791 quilos, por hectare, para  5.298 quilos, um aumento de 195,8%. No caso da soja, essa produtividade, nesse mesmo cenário comparativo, evoluiu 89,2%, saindo de 1.580 quilos, por hectare, para 2.990 quilos. Na safra agrícola 2014/15, a soja e o milho responderam por 84,0% da colheita total de 209 milhões de toneladas de grãos.
 
Além disso, houve também ganhos expressivos na agricultura irrigada, pois o Brasil irrigava 64 mil hectares, em 1950, e 6,2 milhões em 2015, mais 9.587%. Mas, a área cuiltivada com grãos, safra 2014/15, foi de 58 milhões de hectares, portanto, os desafios à irrigação continuam exigindo políticas governamentais, avanços tecnológicos, manejo correto dos recursos hídricos, reservação de água, assistência técnica, extensão rural, e outras boas práticas no campo, à medida em que também a água é para múltiplos usos nas paisagens e urbanas.
 
Na agroeconomia, como nos setores do comércio, da indústria e dos serviços, não há como escapar da relação custo/benefício, com suas variáveis, singularidades econômicas, e a produtividade requer análises, contextos de mercados, gestão eficiente, e na agricultura se acrescentam os riscos climáticos que afetam substantivamente os ciclos das culturas. Nem chuva demais e nem chuva de menos, apenas o suficiente e na hora certa.
 
Se se tomar a recomendação da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação(ONU/FAO) de um mínimo disponível de 500 quilos de grãos habitante/ano, os presumíveis 9,2 bilhões de habitantes do planeta Terra, em 2050, podem demandar 4,6 bilhões de toneladas de grãos anuais e sem contar as perdas do campo à mesa do consumidor. São cenários e não certezas matemáticas. Lembre-se ainda que os grãos são compartilhados na alimentação dos rebanhos de pequenos e grandes animais.
 
Avançando um pouco mais nessa panorâmica, embora os temas sejam complexos e multidisciplinares, as crescentes e irreversíveis taxas de urbanização, no Brasil e no mundo, podem determinar não apenas os perfís de ofertas da agropecuária como também dos padrões de tecnologias exigidos num universo de poucos no campo produzindo para bilhões de consumidores nas cidades, regiões metropolitanas e consequente e hercúlea pressão sobre os recursos naturais. A ciência e a tecnologia ainda tem um longo caminho pela frente para gerar novos conhecimentos e práticas indispensáveis às culturas, criações e ao meio ambiente.
 
*Benjamim Salles Duarte é Engenheiro Agrônomo

 

Fonte: http://www.canaldoprodutor.com.br/

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