Para o engenheiro ambiental Itamar Xavier, a temática água é bem mais abrangente do que geralmente é trabalhada

Dando início a série de reportagens com especialistas ligados à temática água – dentro da campanha da Mútua pelo Dia Mundial da Água -, a Caixa de Assistência ouviu o eng. amb. Itamar Xavier da Silva, diretor financeiro da Mútua-TO e mestre em Gestão e Auditoria Ambiental pela Universitat Politécnica de Catalunya (Barcelona), especialista em Planejamento Urbano e Ambiental pela Universidade Federal do Tocantins (UFT) e especialista em gerenciamento de projetos para a gestão municipal de Recursos Hídricos pelo Instituto Federal do Ceará/Agência Nacional de Águas – IFCE/ANA.

 

Confira a entrevista:

 

Como você avalia a instituição de uma data específica para tratar da temática água?

Um dia sozinho não é suficiente, mas ele marca de alguma forma a chamativa de atenção para que todos possam participar. Considerando tantos problemas advindos em função da água, como o tratamento de resíduos, políticas setoriais de vários aspectos, entre outros, há de se destacar que ao se falar de água estamos falando de recursos hídricos, que é algo muito importante e abrangente.

Depois da crise hídrica do ano passado, como você observa o momento atual?

A crise hídrica em si é um fator que vem sendo tratado em várias fases e que depende muito do governo agir. É uma situação muito ligada ao armazenamento, de certa forma. É sabido que existem as pausas entre um período maior de chuva e outro menor. A tendência agora é que o armazenamento de água aumente neste período de chuvas. Já existem projetos de armazenamento de água, não só na região Nordeste, que é a mais deficiente, bem como na região Sudeste, onde também já chegou a crise hídrica. As coisas estão acontecendo, vai depender muito de o governo implantar e de pautar serviços para a Engenharia.

Precisamos depender das chuvas ou podemos fazer alguma coisa para melhorar a situação?

Sempre iremos depender das chuvas, mas a gente tem que depender dessas chuvas e fazer alguma coisa para melhorar, aproveitando aquilo que a chuva nos dá e armazenando essa água de forma adequada para ser utilizada da melhor forma possível quando da necessidade.

Você tem dados com relação aos projetos que estão em desenvolvimento nessa área de recursos hídricos?

Atualmente os maiores projetos dessa área são para o Nordeste, que já sofre com a escassez a mais tempo que as outras regiões. No estado de São Paulo, logicamente, essa parte de armazenamento de água também está em foco. Em Minas Gerais a preocupação diz respeito ao incidente envolvendo mineração. De maneira geral existem diversos projetos, não muito adiantados – a não ser no Nordeste – e o restante do Brasil ainda caminha de forma atrasada.

Como você avalia a postura do Sistema Confea/Crea e Mútua ao trazer para discussão esse tema, unindo forças para divulgar a campanha do Dia Mundial da Água?

O Dia Mundial da Água é o momento para refletirmos que temos que trabalhar para que a água tenha maior quantidade e qualidade. E é justamente onde todos nós, profissionais do Sistema Confea/Crea, com o suporte da Mútua, estamos inseridos. Não imagino como desenvolver toda uma temática de recursos hídricos sem contar com os profissionais do Sistema Confea/Crea e o subsídio da Mútua. É algo que dará condições de desenvolvimento para a Engenharia poder trabalhar para suprir as lacunas.

Então, a temática água é bem mais abrangente do que geralmente é trabalhada?

Quando falamos sobre o Dia Mundial da Água, não podemos falar só da água, como mencionei anteriormente, é todo o envolto. É discutir onde vamos atuar de forma a minimizar os impactos e os conflitos da água, onde vamos divulgar as ações de melhoria da qualidade e quantidade de água. Quando se trata de água, que é um recurso finito, nós temos que se lembrar dos Comitês de Bacias, e que temos que agregar a esses comitês tudo que se trata de recursos hídricos, do ponto de vista dos Conselhos estaduais de Recursos Hídricos e do Conselho Nacional de Recursos Hídricos. Também precisamos refletir sobre licenciamentos ambientais, bem como o monitoramento do uso desses recursos. É toda uma cadeia.

Outro ponto de atenção é a questão dos resíduos sólidos, todo resíduo sólido, de alguma forma quando cai no solo ou é depositado num lixão, vai impactar na água. As cidades devem ter seus planos municipais de saneamento, pois ao falar de água, estamos falando de esgoto também. Os sistemas de esgoto se utilizam de uma água de qualidade, que deveria sair com qualidade de novo, como um recurso hídrico. Também devemos falar das nascentes, onde a água nasce e que depende da preservação das matas e das veredas. Então, não tem como promover um dia da água, sem trabalhar uma política setorial que envolva toda a cadeia de saneamento ambiental, as cidades e, principalmente, o nosso comportamento nesse meio, que deve impactar o mínimo possível nos recursos hídricos.

 

Fonte e foto: Gecom/Mútua

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