Itaipu começa a fazer inventário florestal inédito no Canal da Piracema, no Refúgio Biológico

Estudo vai fornecer dados sobre a conservação de 326 hectares de floresta e permitirá pesquisas permanentes naquela área
 
Itaipu está fazendo um estudo inédito da vegetação no entorno do Canal da Piracema, no Refúgio Biológico Bela Vista. O inventário florestal fará o levantamento atual das árvores existentes na área protegida de Itaipu para analisar o estado de conservação. Com a área demarcada, também será possível fazer o acompanhamento permanente da floresta e gerar futuros estudos acadêmicos.
“Para conservar é preciso saber o que tem”, resume o engenheiro florestal Luis César Rodrigues da Silva, da Divisão de Áreas Protegidas de Itaipu, área que coordena o inventário. Segundo ele, vários levantamentos já foram feitos, mas eram estudos de momento, para observar uma situação pontual. “Não havia continuidade, agora será um estudo permanente”.
De acordo com o engenheiro, a demarcação da área onde será feito o inventário cria a oportunidade de várias pesquisas e publicações científicas no futuro. A intenção é monitorar permanentemente a região, com inventários florestais a cada cinco anos. “É apenas o início de uma série de observações que, inclusive, servirá de base para outros estudos pelas universidades regionais”, afirma. Como exemplo, ele sugere estudos sobre a saúde das árvores, a presença de epífitas (plantas que vivem sobre as árvores sem prejudicá-las), sequestro de carbono e estudos da fauna, entre outros.
O inventário está sendo feito em uma área de 21 hectares, dos 326,9 hectares que compreende a vegetação do entorno do Canal da Piracema, ou seja, 6% do total. A literatura científica sugere o levantamento de 1% a 2% da área para poder extrapolar para toda a região. “Trabalhamos por amostragem, como nas pesquisas eleitorais”, compara Luis César.
Trabalho em campo
A primeira parte do inventário começou a ser feita na metade do ano passado, com o planejamento do que seria mapeado. A área foi dividida em cinco estratos diferentes, que caracterizam as diferenças entre a vegetação, como, por exemplo, áreas de plantio, remanescentes florestais e áreas de banhado. O RBV, então, foi dividido em 21 parcelas de um hectare (100 metros X metros) cada. Destas, 17 serão estudadas neste primeiro momento.
O trabalho em campo começou em dezembro e deve estar concluído até a metade do ano, quando iniciam as análises dos dados. As árvores com diâmetro mínimo de oito centímetros são numeradas com plaquinhas de alumínio. Depois elas são identificadas pela espécie e têm registradas sua altura e diâmetro do caule. Nas duas primeiras medições, foram encontradas cerca de 900 árvores em cada parcela de um hectare de área, número considerado muito bom pelos especialistas.
A continuidade do levantamento vai gerar uma radiografia fiel da área. “O primeiro inventário foi feito em 1976 e agora temos os primeiros dados para comparar como está o desenvolvimento de nossa área protegida”, conclui Luis César.

 

Fonte: Brasil Engenharia

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