COP 21 amplia responsabilidade da construção civil na redução de emissão de gases de efeito estufa

 

A Indústria da Construção tem um importante papel na redução da emissão de gases de efeito estufa (GEE) na atmosfera e, no momento, dois importantes desafios – Desmatamento e Energia – para atingir as metas do País no acordo que será firmado entre os 190 países participantes da 21ª Conferência das Partes (CoP-21) da Convenção do Clima das Nações Unidas, que começou no dia 30 de novembro e vai até o dia 11 de dezembro, em Paris, na França. O objetivo é diminuir a emissão de gases de efeito estufa, limitando o aumento da temperatura global em 2ºC até 2100. Nos últimos anos, o setor vem intensificado seu trabalho de conscientização e qualificação das empresas, para criar uma cultura em que não é mais possível pensar no crescimento econômico e do mercado, sem considerar a sustentabilidade.

Para o presidente da Comissão de Meio Ambiente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CMA/CBIC), Nilson Sarti, esse é um caminho sem volta. “O governo brasileiro está se comprometendo na CoP-21 a aumentar a participação das energias renováveis, dentro da matriz energética do País. Cada setor vai ter que fazer a sua parte”, destacou. Na meta para o desmatamento, a construção civil já está contribuindo, com o estímulo à aquisição e uso responsável de madeira certificada. Para Sarti, no entanto, é preciso fazer mais. Neste sentido, a CMA/CBIC contou na reunião do dia 26 de novembro, em São Paulo, com a participação da WWF-Brasil (World Wide Found for Nature), organização não governamental internacional que atua nas áreas de conservação, investigação e recuperação ambiental, para tratar do Programa Madeira Legal, com o objetivo de criar uma sistemática específica para o setor e dar maior segurança jurídica às empresas que utilizam madeira, evitando possíveis falsificações, apesar da existência do DOF (Documento de Origem Florestal). A ideia é evoluir nessa questão. “É um bom trabalho, porque começa a garantir o uso de madeira de florestas plantadas e não a destruição das originais”, destaca.

Na área de energia, o presidente da CMA/CBIC destacou que uma das metas do setor é estimular no País o uso da energia renovável (distribuída) nos tetos das residências, para que consiga zerar as emissões de GEE nas unidades habitacionais. O setor tem que trabalhar a eficiência energética no que se refere à energia renovável. Na Alemanha, segundo Nilson Sarti, a maior parte de energia renovável advém dos tetos. A Europa produziu, em 2012, em torno de 12 mil megawatts na rede só com energia renovável dos tetos. “É quase uma Itaipu, por ano, só como resultado da energia gerada nos tetos das casas”, completou.

Os efeitos dessas mudanças no setor são sentidos quando estabelecidos os critérios de contratação do empreendimento, os incentivos fiscais, e na percepção cada vez maior do cliente com o empreendimento que se desenvolve essa área. “O comprador tem que ter a visão do tempo de vida do empreendimento, porque a manutenção dele pode ser alta no que se refere ao valor da energia e da água no condomínio”, disse. Para que funcione, Sarti destaca que é importante ter mais linhas de financiamento e maior incentivo do governo. “A CBIC vai trabalhar para isso”, diz. O impacto dessas mudanças para o setor e o País é ter uma matriz energética mais limpa para o meio urbano.

Missão alemã ao Brasil sobre eficiência energética em HIS
Além disso, o tema já foi abordado no Guia CBIC de Boas Práticas em Sustentabilidade na Indústria da Construção por meio do case da empresa Even Contrutora e Incorporadora S.A, de São Paulo, sobre a Elaboração de Inventário de Gases de Efeito Estufa. Em 2009, a empresa adotou a gestão de gases de efeito estufa como uma das suas principais ações de sustentabilidade e inovou ao criar um índice de emissão de GEE expresso em tonelada de gás carbônico equivalente por metro quadrado construído. Contribuir para uma economia de baixo carbono e para redução dos impactos sobre as mudanças climáticas foi um dos benefícios obtidos com a iniciativa.

A GIZ (Agência Alemã de Cooperação Internacional) e o Ministério das Cidades, por meio da Secretaria Nacional de Habitação, estão desenvolvendo um projeto de cooperação técnica bilateral Brasil/Alemanha sobre "Eficiência Energética na Habitação Social” para o período de 2016 a 2019. A missão técnica alemã, que ficará no País até o próximo dia 10 de dezembro, analisará documentos para o novo projeto de cooperação será preparado em termos conceituais e organizacionais.

A CBIC participou ontem (03/12), em Brasília, de uma das reuniões da missão. Segundo o presidente da CMA/CBIC, Nilson Sarti, neste momento os técnicos estão estudando a melhor forma de cooperar para o programa Minha Casa Minha Vida (MCMV), seja por meio de treinamento de mão de obra, de tecnologia, pelo modelo de negócio, cooperação com outros empresários e intercâmbio entre empresários brasileiros e alemães. O objetivo final é definir recursos para acelerar a utilização de procedimentos mais sustentáveis e energia renovável em Habitação de Interesse Social (HIS). Na reunião, a CBIC propôs mudanças de legislação e utilização de energia fotovoltaica no programa MCMV. Além da CBIC também participaram da reunião representantes da Abrainc e de empresas que têm protótipos nessa linha.

 

Fonte: CBIC

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