Reunião extraordinária da Coordenadoria Nacional das Comissões de Ética debateu Ensino a Distância e comunicação do Sistema


No exercício da presidência, Vice-presidente do Confea, Ana Constantina Sarmento, destacou o papel do relacionamento com a mídia, na reunião com a Coordenadoria Nacional das Câmaras de Éticas

O encerramento das atividades da Coordenadoria Nacional das Comissões de Ética (CNCE) do Sistema Confea/Crea e Mútua foi marcado por dois amplos debates, em torno da relação do Sistema com a mídia e com o tema do Ensino a Distância (Ead). Durante a reunião extraordinária da Coordenadoria, de quarta (14) a sexta, no Confea, a vice-presidente do Conselho Federal de Engenharia e Agronomia, então no exercício da presidência, eng. eletric. Ana Constantina Sarmento, concordou com a importância da ampla divulgação institucional para o Confea. 

Se no início da reunião o balanço de 2015 e as ações previstas para 2016 orientaram os trabalhos da CNCE, a influência do relacionamento com mídia em prol da transparência nos processos éticos marcou a continuidade dos trabalhos, no período da tarde da quarta-feira, tomando as implicações da Operação Lava-Jato como ponto de partida. O coordenador-adjunto da Comissão de Ética do Crea-RJ, eng. eletric. José Amaro Barcelos Lima, ponderou que “a ética deve ser usada para não personalizar os processos sob a influência da mídia”. O respeito à legislação deve orientar, segundo ele, o fluxo dos processos éticos. 

A presidente em exercício destacou que a expectativa é de que o Confea amplie sua atuação junto à mídia. “Essa é uma demanda do presidente José Tadeu da Silva, de mostrar o que somos”. Segundo Ana Constantina, “precisamos de uma política de marketing para planejar e incentivar a nossa valorização profissional e projetar como o Conselho vai ser enxergado pela sociedade”. 


Ana Constantina responde à questão do coordenador-adjunto da comissão de ética do Crea-RJ, José Amaro Barcelos Lima

“Não é para aparecer, mas para mostrar o nosso conhecimento”, sintetizou o coordenador da comissão no Crea-RN, Marley Leite Filho. “Fico feliz em saber que o Confea tem a mesma preocupação da gente. Se a sociedade ainda nos ignora, temos que assumir também essa responsabilidade, precisamos ter essa consciência”, comentou a coordenadora da Comissão de Ética do Crea-ES, eng. civ. e eng. seg. trab. Wânia Nassif Marx.

Para Marley Leite Filho, com a Lava-Jato, “temos uma mudança de postura em termos de atitudes. Pela primeira vez, estamos vendo no nosso país pessoas com influência serem condenadas em obras superfaturadas” Desejando que os processos continuem sendo investigados, ele sustenta que o Sistema precisa atuar com autonomia, independente dos partidos envolvidos.

A isonomia nas investigações éticas profissionais também foi abordada pelo engenheiro agrônomo representante da Câmara do Rio Grande do Sul, José Costa Fróes. Citando as teorias da Divisão Social do Trabalho e a dos Fatos Sociais, do sociólogo Émile Durkheim, ele exemplificou a questão por meio de um cenário de “complexidade social e técnica” em que “os papéis representam competências e responsabilidades. Papéis que antecedem o próprio fato. E que terão responsabilidades posteriores”. 

Em seu exemplo, a queda de uma laje provocou a responsabilização do calculista da obra, pelo engenheiro da mesma. “Uma situação que mostra a contradição entre a situação do capital e do trabalho, em que a gente teve que desvendar aquele cenário. Um estava blindado, outro não. Não podemos trabalhar pelo que está mais instrumentalizado, sob pena de cair em uma situação de injustiça. Temos que desdobrar o fato em sua complexidade. Os autos dos processos podem trazer conteúdos muito bem preparados, apenas no discurso”.


Além do debate sobre mídia, Coordenadoria discutiu o Ensino a Distância

Wânia Nassif Marx lembrou que para cumprir a função precípua do Sistema, a fiscalização do exercício profissional, “não há necessidade de tecer detalhes, além da situação do registro do profissional ou das empresas”. Ela também distinguiu os processos éticos dos processos comuns. “Nossa parte é o filtro ético”.

Nessa linha, o coordenador da Coordenadoria Nacional de Câmaras de Ética, eng. eletric. e eng. seg. trab. Jovanilson Freitas, considerou a necessidade de falar imparcialmente para a sociedade, por meio da mídia. “No caso da área elétrica, hoje o foco é o horário de verão: uns criticam, outros falam bem. Mas não devemos simplesmente dar nossas opiniões, temos que ir lá para falar tecnicamente, imparcialmente”, sugeriu. 

Ead

Um tema que já vem sendo discutido pelo Confea, o Ensino a Distância, norteou os debates do segundo dia da reunião extraordinária anual da Comissão Nacional das Câmaras de Ética (CNCE). Pela manhã, dez coordenadores participaram de uma audiência pública da Comissão de Educação, Cultura e Esporte sobre o tema no Senado Federal.  

Conselho Nacional de Educação, Associação Brasileira de Educação a Distância e Fórum Nacional de Entidades Estudantis foram alguns dos interlocutores para propostas que fundamentarão o novo marco regulatório para o ensino a distância. Os participantes incentivaram a continuidade nos debates no 21º Congresso Internacional Abed de Educação a Distância, a ser realizado em Bento Gonçalves (RS), de 25 a 29 de outubro.

“Em cursos de Exatas e Saúde a necessidade do curso semi-presencial ficou bem clara. Além disso, para ser referendada pelo Confea, a grade do curso a distância deveria conter, obrigatoriamente, a disciplina de ética, com o uso do Código de Ética do Sistema”, definiu Wânia Nassif Marx, do Crea-ES, para quem dificuldades logísticas em aspectos como tutoria, polos de apoio e estrutura de tecnologia da informação são outros gargalos do EaD. Para o conselheiro federal Paulo Roberto Viana, que participou de toda a reunião, a representatividade do Confea e a necessidade de o Código de Ética chegar à grade curricular dos cursos de EaD, em uma proposta sugerida por  Wânia Nassif, foram as principais contribuições da reunião em relação a esse ponto.


Reunião extraordinária marca o encerramento das atividades da Coordenadoria em 2015

A realização do segundo GT Ética, a partir da próxima semana, para discutir a resolução nº 1.004, reavaliando prazos para laudos e outras “orientações obsoletas”, e buscando concluir o manual de procedimentos para a condução dos processos de ética profissional também foi destacada por ela como instrumento para aprofundar a discussão do tema da EaD, sob o ponto de vista da ética profissional do Sistema Confea/Crea e Mútua. “Teremos ainda mais quatro audiências públicas como essa de hoje, e acredito que serão oportunidades para o Sistema se manifestar sobre o tema”.  

“O Sistema precisa ter capacidade de mobilizar a sociedade sobre esse tema”, sugeriu o coordenador da Câmara de Ética do Crea-SE, conselheiro Sérgio Maurício. “Ead é um fato”, lembrou o representante do Rio Grande do Norte, Marley Leite Filho. “O Conselho deve se posicionar”, acrescentou. “Temos que prestar atenção nos alunos que saem desses cursos”, comentou o coordenador adjunto da câmara de ética do Crea-SC, João Paulo Schmalz.  “Precisamos adequar o que ele estudou à nossa legislação, para limitar suas atribuições, se for o caso”, complementou o coordenador da câmara no Crea-PI, eng. agr. Wilton Fontenele. “Nosso maior erro é que a gente não lê a nossa legislação e fica batendo contra o EaD”, definiu o coordenador da CNCE, Jovanilson Freitas.

 

Fonte: Confea

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