Dia Mundial da Água merece revisão de posturas individuais e coletivas

Neste ano, o dia 22 de março ganha mais atenção dos brasileiros. O Dia Mundial da Água é marcado por revisão das posturas individuais e coletivas diante do uso desse recurso natural, considerado um bem finito e que demanda gestão sustentável em setores como indústria, agricultura e pecuária. Em 2015, a data pauta discussões em torno do tema “Água e desenvolvimento sustentável”, conforme proposto pela Organização das Nações Unidas (ONU).

Segundo o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), menos da metade da população mundial tem acesso à água potável. A irrigação corresponde a 73% do consumo de água, 21% vão para a indústria e apenas 6% destinam-se ao consumo doméstico.

Um bilhão e duzentos milhões de pessoas (35% da população mundial) não têm acesso à água tratada. Um bilhão e oitocentos milhões de pessoas (43% da população mundial) não contam com serviços adequados de saneamento básico. Diante desses dados, temos a triste constatação de que dez milhões de pessoas morrem anualmente em decorrência de doenças intestinais transmitidas pela água.

Água no Brasil
O Brasil detém 77% do manancial de água doce da América do Sul e 11,6% da reserva do mundo. Esses números mostram que este é um país privilegiado no que diz respeito à quantidade de água. No entanto, sua distribuição não é uniforme em todo o território nacional, pois 70% desse total estão localizadas na Região Amazônica, onde apenas 7% da população brasileira vivem. Os 30% restantes distribuem-se desigualmente pelo País, para atender 93% da população brasileira. Isso explica a recente situação de estresse hídrico que a Grande São Paulo vive e que serve de alerta para os outros estados.

Recentemente, o diretor-presidente da Agência Nacional de Águas (ANA), Vicente Andreu Guillo, realizou a palestra “Crise hídrica: desafios e soluções” durante o 4º Encontro de Líderes Representantes do Sistema Confea/Crea e Mútua. Na ocasião, Guillo enfatizou que a atual situação hídrica no Brasil deve servir como aprendizado para a cultura do Brasil no que diz respeito à água. “Seja por uma cultura que existe no País, de que a água é abundante e infinita, e que nós teremos este recurso de maneira inesgotável ao longo dos tempos, não podemos permitir que o retorno, ao final deste processo [de crise], nos coloque no mesmo patamar de antes, porque este patamar é muito rebaixado em relação à temática da água”, afirmou.

O dirigente da ANA também abordou as lacunas da legislação de recursos hídricos e apontou a questão do duplo domínio das águas no Brasil (da União ou dos estados), a qual consta da Constituição de 1988, como um fator que paralisa a gestão de recursos hídricos e que deve ser amplamente discutido. “Nós precisamos ter uma legislação para situações de crise, para situações de conflito. Nossa legislação propõe gestão participativa e descentralizada e responsabilidades estaduais. Está tudo certo, mas em caso de conflito não há possibilidade de negociação. Temos que ter uma instituição que tenha a responsabilidade de dar a última palavra. No conflito federativo seria a ANA, mas, e entre os estados?”, indagou.

Andreu ainda destacou a importância da engenharia para mudar padrão de uso. “Para tratar de reuso, com tecnologias mais baratas, não dá sem a participação dos profissionais reunidos pelo Confea. Para reunir esse conjunto de alternativas técnicas a ser transformado em políticas públicas, este encontro [referindo-se ao 4º Encontro de Líderes Representantes do Sistema Confea/Crea e Mútua] é insubstituível. É salutar que a engenharia brasileira se envolva para propor soluções para a crise hídrica e de energia brasileiras.”

Mobilização do Sistema Confea/Crea e Mútua
O assunto ganha atenção das lideranças da área tecnológica. “O problema hoje do País, sem dúvida nenhuma, é a questão da água. A gente já vem falando sobre esse tema nas reuniões do Confea. E esse assunto, que é um grande tema nacional, continuará na pauta do Conselho Federal de Engenharia e Agronomia, que é a instância máxima da área tecnológica do País, porque o Brasil depende da engenharia”, afirma o presidente do Confea, engenheiro civil José Tadeu da Silva.

Representantes dos fóruns consultivos e das diversas modalidades registradas no Sistema também se mobilizam em torno da temática como forma de apontar soluções tecnológicas e sustentáveis para a gestão dos recursos hídricos, garantindo à população o acesso à água.

O recém-eleito coordenador do Colégio de Presidentes, engenheiro mecânico Marco Amigo, assegura atenção especial ao tema nesta nova gestão do fórum consultivo do Sistema: “Vamos nos concentrar nos problemas mais importantes do momento, buscando responder aos questionamentos feitos pela sociedade à engenharia”.

O plano de ação para este ano da Coordenadoria de Câmaras Especializadas de Engenharia Elétrica, por exemplo, tem como ponto alto a crise hídrica. “Nosso planejamento leva em conta a água e a energia que é gerada pela água, pois são fatores que afetam todos os setores de engenharia do País”, adianta o coordenador e engenheiro eletricista Alfredo Dinis.

O desafio de apontar soluções para a deficiência de recursos hídricos também está na pauta dos representantes da Agronomia. “Vamos discutir todos os vieses da crise hídrica e da conservação do solo”, afirma o titular da Coordenadoria de Câmaras Especializadas da área, engenheiro agrônomo Kleber Santos.

Ações do Sistema
O Confea lançou a campanha “Água é vida. Energia é riqueza”, que tem como objetivo conscientizar os mais de um milhão e duzentos mil profissionais, além de lideranças e sociedade civil, sobre a importância desses dois recursos para o desenvolvimento sustentável.

O assunto terá desdobramento na pauta da 72ª Semana Oficial da Engenharia e da Agronomia (Soea), que irá reunir profissionais do Sistema em debates sobre “Sustentabilidade: água, energia e inovação tecnológica”. Neste ano, o evento será realizado em Fortaleza entre 15 e 18 de setembro.

Outra iniciativa que merece ser destacada é o livro “Unidade de tecnologias integradas para conservação de recursos hídricos”, publicado em janeiro deste ano, pelo conselheiro federal José Geraldo Baracuhy, em parceria com outros dois autores da área tecnológica. A publicação, financiada pelo CNPq, foi editada na Universidade Federal de Campina Grande (PB) e destaca ações que pequenos agricultores de uma região semiárida adotaram para conviver com o déficit hídrico. Os artigos ilustram um conjunto de metodologias que amenizam a adversidade climática e viabilizam uma atividade agrícola sustentável. Acesse a obra.

22 de março
Neste ano, o assunto que pautará as discussões do setor de recursos hídricos em todo o mundo será Água e Desenvolvimento Sustentável, conforme proposto pela Organização das Nações Unidas (ONU).

Celebrado desde 1993, o Dia Mundial da Água foi recomendado pela ONU durante a Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, a Eco-92, no Rio de Janeiro. Desde então, as comemorações ao redor do mundo acontecem a partir de um tema anual, definido pela própria Organização, com o intuito de abordar os problemas relacionados aos recursos hídricos.

Entre os temas já escolhidos para a data, estão: água e energia, cooperação pela água, água e segurança alimentar, águas transfronteiriças, saneamento, água limpa para um mundo saudável, lidando com a escassez de água e água para as cidades.

ASSISTA AO VÍDEO PREPARADO PELA ONU PARA O DIA MUNDIAL DA ÁGUA 2015

 

Fonte: Confea (com informações da Agência Nacional de Águas, Departamento de Água e Esgoto de São Caetano do Sul e Organização das Nações Unidas)

 

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