Confea participa de encontro com representantes dos BRICS

O presidente do Conselho Federal de Engenharia e Agronomia, engenheiro civil José Tadeu da Silva, e a vice-presidente, engenheira eletricista Ana Constantina Sarmento, participaram, nesta terça-feira (10/2), em Brasília, da reunião do Conselho Empresarial do grupo de cooperação formado pelo Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul (BRICS). O encontro, que reuniu 25 grandes empresários, cinco de cada país, discutiu a agenda do setor produtivo que será levada à reunião dos presidentes dos BRICS, em 9 e 10 julho, em Ufa, na Rússia.

Para o presidente José Tadeu, é fundamental que o Conselho Federal participe de debates como este, considerando a tendência atual de inserção internacional do Sistema Confea/Crea. “É importante ter essa aproximação com os representantes dos países dos BRICS, com foco em temas de interesse das comunidades empresariais e da área tecnológica”, afirmou.

Na oportunidade, a vice-presidente Ana Constantina esteve com dirigentes do governo federal para tratar de assuntos relacionados aos profissionais registrados no Confea, como mapeamento do mercado de trabalho que permita conhecer os setores da área tecnológica que mais demandam mão de obra, mobilidade dos profissionais pelos países e garantia de manutenção de empregos. Aos representantes do Conselho Empresarial dos BRICS, e dos ministérios das Relações Exteriores; do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior; e de Agricultura, Pecuária e Abastecimento, a vice-presidente sinalizou, ainda, a intenção do Confea em participar de discussões sobre planejamento estratégico voltado para a área tecnológica.

Debate com governo brasileiro

Sobre o tema “Facilitação de Comércio e Investimentos”, a diretora do Departamento de Competitividade no Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Ana Junqueira Pessoa, disse ao público de empresários que o governo brasileiro tem mantido um diálogo fluido com representantes do setor privado para saber como estão se organizando e também para conhecer suas expectativas quanto às políticas de governo.

Como exemplo de iniciativa prática, a diretora apresentou o programa Portal Único de Comércio Exterior, que prevê a reavaliação de processos de operacionalização de importação e exportação no Brasil, buscando otimizar os tempos e a lógica das etapas. De acordo a diretora, um dos avanços já alcançados é a implantação da ferramenta de anexação digital de documentos que facilita o trâmite burocrático, encurtando o tempo e melhorando o planejamento do empresário. Para Ana Pessoa, a parceria entre governo e iniciativa privada está sendo fundamental para o alcance dos resultados. A previsão é de que o portal seja entregue efetivamente até o final de 2017.

Para o subsecretário de Aduana e Relações Internacionais da Receita Federal, Ernani Checcuci, o projeto do portal cumpre o objetivo de alavancar fluxos comerciais entre os países dos BRICS, garantindo agilidade e transparência aos processos.

Sobre a agenda de facilitação de comércio, o subsecretário-geral de Cooperação, Cultura e Promoção Comercial do Ministério das Relações Exteriores, embaixador Hadil Vianna, destacou que as “relações econômicas entre o Brasil e demais países dos BRICS têm apresentado constante e expressivo crescimento, tendo aumentado de 281 bilhões de dólares, em 2009, para 454 bilhões de dólares, em 2014”. Para o embaixador, as agendas do governo e do setor privado têm se coordenado cada vez mais. “Cabe ao governo criar mais meios para que as empresas e as pessoas possam explorar ao máximo as oportunidades comerciais”, pontuou.

Banco de Desenvolvimento dos BRICS

“É essencial que os governos dos BRICS acelerem o processo de ratificação e de implementação do acordo que institui o novo Banco de Desenvolvimento dos BRICS”. Esse é o entendimento do presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Robson Braga de Andrade. No Brasil, o Tratado ainda precisa ser aprovado pelo Congresso.

A pressa do setor privado pela implementação rápida do acordo tem um motivo. A instituição levará até sete anos para estar totalmente capitalizada em US$ 10 bilhões. Segundo o cronograma do acordo, cada um dos cinco países deve subscrever US$ 150 milhões no primeiro ano, US$ 250 milhões no segundo ano, US$ 300 milhões no terceiro, quarto e quinto anos, e US$ 350 milhões nos dois anos seguintes. Por isso, o quanto antes o banco começar a funcionar, mais rapidamente será um instrumento de apoio para estimular os investimentos e apoiar os negócios das empresas de Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul.

Para a CNI, o novo Banco de Desenvolvimento deve, desde sua criação, financiar projetos privados, por meio de empréstimos, garantias e outros instrumentos financeiros. Esse seria o caminho mais eficiente para consolidar a agenda de longo prazo dos BRICS. “A mobilização de recursos para projetos públicos e privados de infraestrutura e de desenvolvimento sustentável é crucial para que possamos avançar nessas áreas afastando limitações financeiras enfrentadas por nosso setor privado”, diz o presidente Robson Braga de Andrade.

A programação da reunião abrangeu ainda os temas “Comércio em moeda local” e “Logística, conectividade e padrões técnicos, sanitários e fitossanitários”. Os assuntos, tratados em mesas-redondas, foram abordados por representantes do Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro), Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex) e Ministério da Fazenda.

 

Fonte: Confea

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